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Porto Alegre, quinta-feira, 05 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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editorial

Notícia da edição impressa de 05/04/2018. Alterada em 04/04 às 21h16min

O desencanto com a representação política e o futuro

Em meio aos ataques e defesas quanto ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus preventivo impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e das novas acusações, prisões e solturas de amigos do presidente Michel Temer (PMDB), milhões de brasileiros se perguntam como certos políticos continuam atuando.
Isso após tantas denúncias desmoralizantes das quais têm sido alvo nos últimos meses. Realmente, é algo incompreensível para a maioria dos cidadãos que acompanham, desolados, a cena política nacional.
Tivemos manifestações espontâneas do povo. Novamente há um desencanto com a representação política - no amplo sentido da palavra - que abrange muitos, mas que atua para poucos, às vezes para eles mesmos.
Há muita gente solta que deveria estar presa, e os desvios de verbas públicas, de tão corriqueiros, recebem espaço na imprensa apenas por dois ou três dias, até que outros escândalos surjam.
Não vamos criminalizar os políticos em geral, pois há os sóbrios e corretos, supõe-se que sejam, ainda, a maioria. Mas as falcatruas pululam entre pessoas que trabalham para o poder público, e a sonegação fiscal corre debaixo de nomes bonitos.
Por isso, o caldo da revolta cívica entornou, e o povo quer soluções, está cansado de discursos evasivos e falta de ação prática para tirar o País da crise.
As mudanças vieram e, com o passar dos anos, se esgotaram. Não respondem, agora, aos anseios dos jovens e das populações, seja em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Cairo, Atenas ou Bagdá, onde o terrorismo tem ceifado muitas vidas, sem nada resolver, concretamente, além de espalhar o medo. Os fatores desencadeantes da violência e do desencanto mudam de país a país.
A insatisfação popular extrapolou o que a mente e os corações podem absorver. Acontece que lidar apenas com números e vender um mundo de ilusões quando a realidade é outra não engana mais. Não quando todos sabem tudo e a toda hora. No Brasil, tão somente números nunca remeteram ao verdadeiro significado da vida nacional.
Os jovens querem dados que permitam se situar em uma atitude crítica ante o discurso político que não os atinge mais. Mas tudo com a urgência e a impaciência típicas dos moços.
Os números oficiais não resistem à verdade, que liberta. Pelo contrário, se os governos derem apenas números, estes talvez até ocultem a verdade. O saber que os brasileiros têm buscado é filtrado pelos resquícios do discurso lógico, previsível, e seus lapsos entre a teoria e a prática.
Por isso é mais importante perguntar os motivos - difusos - da insatisfação geral em um ano em que haverá eleições gerais em outubro, das mais importantes, como sempre ocorre no Brasil. Vamos escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados estaduais e federais.
Os jovens e os que labutam, empregados e empresários, querem respostas factíveis aos problemas que nos afligem e que a Justiça seja feita. Os brasileiros, especialmente os jovens, aprenderam que o saber dá poder de uso. Os conhecimentos, não. Quem não entendê-los será devorado nas próximas eleições. Então, que o País volte à normalidade total.
 
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