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Porto Alegre, quarta-feira, 30 de agosto de 2017. Atualizado às 17h43.

Jornal do Comércio

Expointer 2017

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Leite

30/08/2017 - 14h02min. Alterada em 30/08 às 17h43min

Agricultores se retiram da sede do governo na Expointer

Produtores de leite ocupam Casa Branca, sede oficial do governo estadual no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio - Expointer - preço do leite - protesto

Manifestantes ligados a Fetraf, Via Campesina e Fetag-RS estão em frente à casa Branca, no Parque em Esteio


THIAGO COPETTI/ESPECIAL/JC
Thiago Copetti
Produtores de leite ligados à agricultura familiar ingressaram, no final da manhã desta quarta-feira (30), no terreno da Casa Branca, sede social do governo estadual no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Os manifestantes queriam ser recebidos pelo governador José Ivo Sartori (PMDB), mas acabaram negociando com o chefe da Casa Civil, Fábio Branco, para desocupar o local, próximo das 14h30min, e agendar um encontro com Sartori nos próximos dias.
O grupo, ligado à Federação de Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf-RS), Via Campesina e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cobra medidas para impedir a entrada de leite em pó do Uruguai. A importação é apontada como uma das causas da queda dos preços do leite tanto para o produtor como para a indústria. Segundo o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), o Uruguai enviou ao Brasil 100 mil toneladas de leite em pó em 2016.
A ocupação foi decidida nessa após receber a notícia de que não conseguiriam se reunir em audiência com Sartori para falar sobre a crise do setor. A alegação para não ocorrer o encontro foi de problemas de agenda, e seria apenas com representantes do governo, como o secretário da Agricultura, Ernani Polo. “Queremos ser recebidos pelo próprio governador. Ele tem até a meia-noite desta quarta para conversar com os trabalhadores”, alegou Frei Sérgio Antônio Görgen, ex-deputado estadual (PT-RS) e integrante da Via Campesina.
Os produtores reivindicam a compra emergencial de 50 mil quilos do produto para equalizar os preços. A caminhada e ocupação da frente da Casa Branca ocorreu logo após a audiência pública do leite promovida na Casa da Assembleia Legislativa na Expointer. A sede da AL, dirigida atualmente por Edegar Pretto (PT. Desde o início do ano, o preço pago ao produtor caiu R$ 0,25 por litro, alcançando valor próximo a R$ 1,12 em agosto, segundo a Emater-RS.
De acordo com o presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Latícinios do Estado (Apil), Wlademir Dall’Bosco, sem uma solução para o caso, entre 10 mil e 15 mil produtores gaúchos devem deixar a atividade leiteira em até dois anos. A empresário diz que, com a crise na Venezuela, grande comprador do leite uruguaio, a produção do país foi reencaminhada para o Brasil, gerando a baixa nos preços. O custo de produção atual do Estado, afirma Dall’Bosco, é de R$ 11,80, e o leite em pó do Uruguai entra a cerca de R$ 10. O problema que o governo não consegue resolver é que a balança comercial uruguaia já é deficitária em relação ao Brasil, alega o presidente da Apil.
“Para negociar cotas, o Uruguai diz que ficará ainda mais deficitário, e deixará de comprar outros itens do Brasil, como eletrodomésticos e carros. E quem paga a conta, agora, é o produtor e o Sul, que tem menos representação política, por exemplo, do que São Paulo, grande produtor desses dois itens”, critica o empresário.
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