Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, domingo, 26 de fevereiro de 2017. Atualizado às 21h01.

Jornal do Comércio

Panorama

COMENTAR | CORRIGIR

CINEMA

Notícia da edição impressa de 27/02/2017. Alterada em 24/02 às 17h17min

Dor e fúria mutante

Ator Hugh Jackman interpreta Wolverine pela última vez em Logan

Ator Hugh Jackman interpreta Wolverine pela última vez em Logan


20TH CENTURY FOX/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Fãs reclamam que não é fácil (e, por vezes, lógico) entender a cronologia dos X-Men no cinema. O roteiro de Logan, por exemplo, explora um panorama diferente de todos os outros filmes - mas esse fator não diminui em nada a grandeza do filme. Com estreia na próxima quinta-feira, a despedida de Hugh Jackson do papel de Wolverine funciona como um episódio único - com início, meio e fim compreensíveis até para quem não conhece o protagonista. O resultado é o ponto mais alto da franquia, cravando lugar na lista de melhores adaptações das HQs para a sétima arte.
Logan leva o título do nome de batismo de Wolverine, porque é uma narrativa sobre um humano, e não a respeito de um super-herói. Claro que o personagem segue com os poderes mutantes - autocura, garras retráteis feitas de um metal indestrutível -, mas sua condição emocional pesa tanto para o enredo quanto as características físicas.
O longa-metragem tem inspiração na saga Velho Logan, lançada em 2008 em quadrinhos. No roteiro do filme, o protagonista está cansado e doente - mancando, com capacidades reduzidas e trabalhando como motorista na fronteira entre Estados Unidos e México. Em 2029, ele toma conta de um nonagenário em processo de demência: Professor Xavier (Patrick Stewart).
O isolamento tem fim após o improvável surgimento da jovem mutante Laura: o antigo membro dos X-Men acreditava que ninguém com tais condições genéticas havia nascido nos últimos 25 anos. O aparecimento da menina é ainda mais raro, porque os mutantes estão praticamente extintos - e logo a garota se torna alvo de uma leva de capangas armados.
Dirigida por James Mangold (Wolverine: imortal; Johnny & June), a produção mistura tristeza, ternura e violência: é um filme para adultos, e não para crianças. A justificativa para a classificação etária está tanto no derramamento de sangue quanto na densidade narrativa. Longe das pirotecnias e do humor de um Vingadores, por exemplo, o enredo destaca um homem frustrado. Em seus pesadelos, ele machuca pessoas. Em vida, as pessoas com quem ele se envolve para o bem ou mal se machucam.
Citado explicitamente na história, o clássico do faroeste Os brutos também amam é uma referência certeira. Assim como o pistoleiro que deseja mudar no longa de 1953, Logan se vê impelido a retornar à ativa. Se o passado volta com um fardo a ser carregado, o que ficou para trás também proporciona leituras diferentes no presente. Sem entrar em pequenos spoilers, se pode afirmar que a metalinguagem presente na narrativa não só faz sentido como se justifica para um subtema do roteiro.
Intérprete de Wolverine desde 2000, quando estreou nos cinemas o primeiro título dos X-Men, Hugh Jackman bem poderia estar em uma zona de conforto. O australiano já esteve em outros seis filmes da franquia, que o alçou ao sucesso. No entanto, é sem dúvidas este último episódio aquele no qual o ator mais brilha. Há espaço para mostrar toda a faceta vulnerável do mutante, de conduta muitas vezes duvidosa. A sensibilidade das cenas cotidianas de Logan ao lado de Xavier ou Laura (a atriz mirim Dafne Keen, excelente ao se comunicar primordialmente com olhares) é memorável. Nem só explosões e efeitos especiais devem sustentar o cinema de super-heróis - talvez o maior gênero dentro do entretenimento contemporâneo.
James Mangold consegue apresentar tudo isso em meio a uma enorme carga de ação - orquestrada e inteligível, diferentemente de alguns blockbusters. O centro da personalidade de Logan está, afinal, ligado à violência. O personagem foi originalmente planejado como espécie de máquina para matar, e a compreensão das consequências da brutalidade e da selvageria são valorizadas pelo cineasta e roteiristas.
Logan também tem sessões de pré-estreia na Quarta-feira de Cinzas. Mesmo no início do ano, a afirmação de que o longa-metragem será o melhor filme de super-heróis de 2017 não é exagero. Madura, a produção é um passo adiante dentro do gênero, assim como foi Deadpool - cuja bilheteria mostrou, no ano passado, que é viável transformar HQs em filmes para um público adulto.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia