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Porto Alegre, segunda-feira, 21 de novembro de 2016. Atualizado às 20h48.

Jornal do Comércio

Panorama

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MÚSICA

Notícia da edição impressa de 22/11/2016. Alterada em 21/11 às 17h06min

Renato Borghetti lança Fábrica de Gaiteiros em Lages

Dois anos após o início na Barra do Ribeiro, Borghetti inaugura primeira sede do projeto fora do Estado

Dois anos após o início na Barra do Ribeiro, Borghetti inaugura primeira sede do projeto fora do Estado


FÁBRICA DE GAITEIROS/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Em junho de 2014, o acordeonista gaúcho Renato Borghetti abriu as portas de sua Fábrica de Gaiteiros. O prédio, localizado na Barra do Ribeiro, foi construído em 1932 às margens do Guaíba e já havia sido fábrica de barcos, moinho de farinha, peixaria, até sede de bailão. Hoje, dois anos após o início do projeto, o músico inaugura em Lages a primeira unidade da escola fora do Estado. O Centro Cultural Vidal Ramos será a sede do projeto que tem como principal objetivo oferecer aulas e materiais para crianças e adolescentes interessados em aprender um pouco mais sobre a gaita de oito baixos.
A iniciativa surgiu quando Borghetti constatou que muitas fábricas de gaita haviam falido e que a dificuldade para se comprar novos instrumentos era grande, o que obrigava aos músicos optarem por equipamentos importados. Além disso, o acordeonista recebia muitas correspondências de fãs e admiradores solicitando a doação de gaitas ou auxílio para aquisição do instrumento. "Quando percebi que o acesso a gaita-ponto era muito restrito às pessoas de baixa renda, vi que era preciso começar a estimular e incluir jovens talentos para resgatar e perpetuar a indústria cultural gaúcha", conta Borghetti.
O projeto é voltado à sociedade na forma de construir equipamentos e ensinar jovens a lidar com o acordeão diatônico, conhecido na região Sul do Brasil como gaita de oito baixos. Para participar, as únicas exigências são que os alunos tenham entre 7 e 15 anos e que estejam matriculados no ensino regular. As aulas são inteiramente gratuitas e os instrumentos são emprestados aos alunos como um livro de biblioteca, viabilizados para que eles possam praticar e ensaiar em casa e até mesmo os utilizarem durante apresentações em festivais.
A confecção dos instrumentos é feita na sede da Barra do Ribeiro com madeira certificada de eucalipto, com parceria da Celulose Riograndense, que apoia o projeto desde o início. A produção dos equipamentos é feita pela Fábrica dos Gaiteiros desde pequenas peças até o produto final, o que exigiu que a equipe aprendesse o passo a passo de como se monta e confecciona cada componente. Como o processo é todo manual, Borghetti comenta os desafios dessa montagem. "Tivemos que fabricar uma máquina capaz de fabricar cada parte do instrumento, foi um grande aprendizado." Quem auxiliou o começo dessas produções foi o luthier Roni Tadeu, que consertava as gaitas de Renato e de outros músicos e aceitou ensinar a fabricação das gaitas. A sala na qual a gaita é montada é cercada por vidros, o que permite que os visitantes acompanhem e conheçam mais sobre o processo.
O músico gaúcho cita a importância da música no desenvolvimento desses jovens e aponta alguns dos frutos que resultaram do projeto. "Muitas dessas crianças que tocam com a gente aumentaram seu rendimento escolar, além de aprenderem o que é espírito de grupo, de coletividade". O envolvimento dos familiares com as aulas também é visto como algo positivo. "As famílias se tornam cúmplices do projeto e se envolvem não para que os gaiteirinhos se tornem artistas famosos e sim que eles desenvolvam esse talento e toquem na escola, em churrascos, em reuniões de família, o que é muito bacana", analisa.
Para Borghetti, o retorno da iniciativa vem no impacto que ela traz para a comunidade em geral. "Acho bonito o efeito das apresentações porque quando os gaiteirinhos tocam, muitas pessoas se emocionam e saem de lá afetadas pela música, elas absorvem a energia positiva, o efeito que invisível causado pela música", afirma.
Apesar de ser uma fábrica, o local tem um enfoque totalmente didático e não tem interesses de comercializar os produtos. Ainda assim, Borghetti conta que, para equilibrar gastos, equipamentos já foram vendidos. Atualmente o projeto é realizado nos municípios de Guaíba, Barra do Ribeiro, Porto Alegre, Tapes, Butiá, São Gabriel e Bagé em escolas, CTGs e no Sesc Campestre e cada unidade conta com seus próprios apoiadores. As aulas são feitas de forma coletiva e individual, conforme o avanço e desenvolvimento de cada aluno. Apesar da equipe enxuta, o projeto já conta com mais de 260 alunos em 8 instituições, número que pode ser ampliado com a sede em solo catarinense. Para 2017, é previsto ainda expansão para as cidades de Blumenau e Florianópolis.
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