Texto: Niágara Braga

A estamparia pode ser aplicada em qualquer tecido dando personalidade e agregando valor as peças

Aprenda a fazer: Ecoprint - técnica de tingimento vegetal

Texto: Niágara Braga

A estamparia pode ser aplicada em qualquer tecido dando personalidade e agregando valor as peças

O Ecoprint é uma técnica de estamparia apenas com vegetais, ou seja, toda coloração é extraída de flores e plantas. Este tingimento em tecido, pode ser feito em qualquer tipo de peça, desde roupas até acessórios, personalizando o material. A forma ecológica de tingimento e a estética agregam valor ao produto, para quem deseje investir como um negócio ou renda extra. Neste GeraçãoEnsina, a artista Jane Leonetti, nos ensinou a aplicar a técnica em uma echarpe de seda, que é vendida por R$ 280,00 em seu atelier.
O que usar:
- Peça de tecido (usamos um recorte de seda);
- Folhas, ervas, flores (os vegetais irão dar a cor e os desenhos na peça);
- Bastão de ferro ou PVC (cerca de 5cm de bitola e 30cm de comprimento – pode variar conforme tamanho da peça);
- Cordas, cordões ou redes (usamos redes recolhidas dos oceanos, pois além de estilizar a peça também agrega valor ecológico);
- Vinagre de álcool;
- Panela grande (que caiba o bastão em posição horizontal e totalmente mergulhado) com água fervente e erva mate (ajuda a colorir – deixa mais escuro);
Como fazer:
- Molhe todo o tecido com vinagre e estenda em uma superfície plana (o vinagre ajuda a fixar a cor e melhora o manuseio do tecido).
- Distribua os vegetais sobre o tecido estendido (a disposição das plantas, conforme suas cores e formatos, é o que vai dar a personalidade a peça).
- Enrole o tecido no bastão e amarre de forma bem firme (a escolha entre cordas, cordões ou redes é significante pois sua pressão sob o tecido também registra marcas na peça).
- Submerja o bastão na água fervente com erva mate e deixe, no mínimo, 30 minutos. O bastão deve ficar em posição horizontal e totalmente coberto. Quanto mais tempo a peça ficar na água, mais escura será sua coloração. É importante não deixar a água ferver enquanto está com o bastão. Desta forma, antes de colocar o objeto, a água que estará fervente esfriará, e deve permanecer nesta temperatura. Então, o indicado é baixar o fogo assim que colocar a peça na água.
- Deixe esfriar, desamarre, desenrole e lave a peça em água fria.
- Com o tecido ainda molhado (é importante ser molhado, porque senão a peça pode enrijecer), passe com o ferro quente, de forma que seque a peça no ato de passar.
- Após dois dias, no mínimo, lave com sabão e amaciante e está pronto!

A artista aposta em compartilhar seu conhecimento em vez de vender as peças

Jane Leonetti já é um nome conhecido no artesanato e nas artes em tecido, devido a prêmios, como o de Melhor Mostra no 10º Festival de Quilt e Patchwork de Gramado, em 2009, e também o fato de levar seu trabalho para fora do país, em exposições nos Estados Unidos e França. O que mais a destaca é o trabalho que realiza com a técnica de pathwork figurativo, uma espécie de composição com retalhos de tecidos que formam imagens.
“Gosto de fazer releituras de obras de arte. Gosto do desafio de fazer com o tecido o que o pintor fez com a tinta”, comenta ela.
A gaúcha de 63 anos é formada em Física, mas dedicou maior tempo de sua vida à maternidade e ao hobbie do artesanato, que se tornou atividade principal aos 45, quando começou a dar aulas sobre as técnicas que conhecia. “Eu estudo e repasso o conhecimento. Viajo para outros países e trago o que aprendi para meus alunos”, conta. Ultimamente, tem buscado especialização na técnica de feltragem em roupas através de viagens a Buenos Aires.
A artesã explica preferiu repassar o conhecimento em vez de apenas vender o que produz: “Não tenho preço para colocar, tem um valor muito grande para mim”, conta que comercializa apenas alguns itens, como a echarpe que ensinou.
Suas aulas funcionam no próprio Stúdio Q, na rua Dr. Timóteo, 395, bairro Moinhos de Vento, e abrangem o conhecimento de Ecoprint, Pathwork e Feltragem. Além das aulas, Jane também realiza eventos no local, como o QBrechó, uma feira de artesanatos que teve sua segunda edição em setembro deste ano.

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