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Porto Alegre, quarta-feira, 20 de julho de 2016. Atualizado às 21h43.

Jornal do Comércio

Panorama

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CINEMA

Notícia da edição impressa de 21/07/2016. Alterada em 20/07 às 16h11min

Filme Mãe só há uma, mostra o drama do jovem que foi sequestrado na maternidade

Em Mãe só há uma, jovem descobre que foi sequestrado na maternidade

Em Mãe só há uma, jovem descobre que foi sequestrado na maternidade


VITRINE FILMES/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Menos de um ano após Que horas ela volta?, de repercussão internacional e pré-indicação ao Oscar, a diretora Anna Muylaert retorna com um novo longa-metragem. Nesta quinta-feira, entra no circuito comercial Mãe só há uma, drama no qual a cineasta revisita o caso Pedrinho - o qual movimentou o País no ano de 2002. Assim como na história real, um garoto é surpreendido ao descobrir que a mulher quem o criou não lhe deu à luz - e sim o sequestrou, ainda bebê.
No enredo, o protagonista é Pierre (papel de Naomi Nero). Aos 17 anos, em meio a seu processo de individuação, ele vê sua vida virar do avesso, sendo obrigado a trocar de família, de casa e até de nome. A esta mudança, Anna acrescentou um ingrediente a mais do que no caso original: o adolescente gosta de se vestir tanto como garotas quanto garotos, além de relacionar-se com os dois sexos. Mesmo tendo o procurado por mais de duas décadas, seus pais de sangue têm dificuldades em lidar com o filho.
De acordo com a realizadora, durante muito tempo a narrativa era apenas baseada em Pedrinho. O projeto evoluiu conforme ela voltou a sair à noite e frequentar festas, encontrando uma outra realidade. "Comecei a conhecer esse novo tipo de sexualidade, mais fluida. Na minha época, era homem ou mulher, gay ou hétero", afirma, completando: "Hoje tem uma gama maior. Agora há uma geração além dos rótulos. A ideia era mostrar como esses jovens vivem".
Durante o desenvolvimento do filme, Anna contou com o reforço de informações vindas do próprio Naomi Nero. Após a seleção do ator, na assinatura do contrato, a mãe do rapaz contou à produção que a irmã do jovem é trans. "Ele lidou com a história com muita naturalidade. Não era um ator que botava o vestido e ficava rindo. Tinha respeito, porque sabe o quanto esse assunto é importante", lembra a diretora.
Com cerca de uma hora e vinte minutos de duração, o longa-metragem jamais faz das questões de gênero algum tipo de dilema para Pierre. O debate ocorre somente por iniciativa dos pais, interpretados por Matheus Natchergaele e Dani Nefussi (atriz que faz o papel das duas mães do protagonista). A autenticidade do garoto surpreende o conservadorismo da família biológica - que se vê dividida entre a hipótese de tentar reprimi-lo e o medo de perdê-lo outra vez.
E se o tópico da maternidade já apareceu em Que horas ela volta?, no qual a visão de mundo da personagem de Regina Casé pouco a pouco se altera a partir do reencontro com a filha, o tema volta a ter destaque no trabalho atual de Anna. Segundo a própria artista, Durval discos (2002), com o qual ganhou sete Kikitos no Festival de Gramado, também dialoga com o assunto. Mas apesar da coincidência, Anna frisa que seus dois títulos mais recentes são bem diferentes. "O objetivo do anterior era discutir separatismo social. Essa história (inspirada no caso Pedrinho) eu colhi para falar de formação de identidade", reflete.
Ainda conforme a paulista, o debate sobre gênero está em alta desde 2015. "Quando fui ao Festival de Sundance no ano passado, em todas bancas de jornal só se falava em Bruce Jenner", comenta, referindo-se à transição da celebridade para Caitlyn Jenner. "Acho que o cinema acompanha isso", especula, adiantando que já começou a pensar em um filme sobre machismo.
Até lá, Anna Muylaert vai alcançar indiretamente um número enorme de cinéfilos de todo o mundo. No mês passado, ela foi incluída no quadro de novos integrantes da Academia e passou a ser uma das votantes do Oscar. Nos últimos anos, o prêmio vem sofrendo críticas por pouca diversidade - o corpo de eleitores, por exemplo, é predominado por homens brancos. "Achei uma atitude ótima", comenta ela, a respeito do convite - que, em 2016, aumentou a presença de mulheres, negros e latinos. "A Academia percebeu que está em um mundo onde a representatividade é importante", sintetiza.
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