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Publicada em 11 de Setembro de 2026 às 09:24

Contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes com Master tratava de "consultorias estratégicas"

Escritório Barci de Moraes diz que solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, do STF

Escritório Barci de Moraes diz que solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, do STF

Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
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Agências
Contratos relacionados ao caso do Banco Master e produzidos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foram disponibilizados no site da corte na madrugada desta sexta-feira (11), minutos depois do ministro André Mendonça, também do Supremo, determinar a retirada do sigilo de inquéritos.
Pelo menos dois contratos foram publicados na íntegra pelo STF. Um deles é o documento que, segundo análise da Polícia Federal, foi editado por Moraes e previa o pagamento de R$ 131 milhões, ao longo de três anos, por serviços prestados pelo escritório Barci de Moraes ao Banco Master.
 
O contrato, assinado em 2024, previa a implantação e o aprimoramento contínuo de um programa de compliance, além de "consultorias estratégicas" em procedimentos junto à Polícia Federal, às Polícias Civis, ao Banco Central, à Receita Federal e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Também haveria a representação do banco em processos judiciais em todas as instâncias.
Na semana passada, quando as informações sobre a análise da Polícia Federal foram tornadas públicas, o escritório Barci de Moraes divulgou nota afirmando que, "em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao escritório Barci de Moraes, seu setor de compliance, como faz em casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia-diretora do escritório".
O escritório também divulgou que, diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro jamais havia julgado qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios foram prestados.
O segundo contrato divulgado pelo STF na madrugada previa a prestação de serviços do escritório de Viviane à Viking Participações Ltda., outra empresa de Daniel Vorcaro, do Master. Nesse caso, os pagamentos totalizariam R$ 50 milhões líquidos, já descontados os impostos, em três anos.
O documento estipulava uma atuação abrangente do escritório, desde consultoria estratégica e emissão de pareceres em matérias tributárias, trabalhistas e administrativas até a representação em inquéritos civis, procedimentos fiscais na Receita Federal, investigações criminais no Ministério Público e ações judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário.
Segundo o escritório de Viviane Barci de Moraes, a proposta do segundo contrato "não foi aceita" e "nada foi assinado". O vínculo com o Master, acrescentou, foi encerrado com a liquidação do banco, em 2025. A publicação dos documentos foi determinada por André Mendonça a pedido de Edson Fachin, presidente do STF. Mendonça retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do principal, que deu origem aos demais.
De acordo com o presidente, a medida foi tomada como parte da organização da sessão prevista para a próxima terça (15), quando o plenário deve se reunir para analisar o relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o pedido de nulidade do documento feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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