Ao fazer uma apresentação nesta quarta-feira (9) sobre o ambiente de negócios no Rio Grande do Sul na palestra-almoço Tá na Mesa, organizado pela Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), o governador Eduardo Leite (PSD) defendeu a prorrogação da suspensão da dívida do Rio Grande do Sul com a União – para financiar os projetos de irrigação no Estado.
As parcelas mensais da dívida – que atinge quase R$ 300 milhões por mês – estão suspensas desde a enchente de 2024. A partir disso, o valor que seria pago ao Tesouro Nacional mensalmente passou a alimentar o Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), destinado a financiar obras de reconstrução do Estado e preparação para as mudanças climáticas. O estoque da dívida gira em torno de R$100 bilhões.
“Temos uma nova negociação da dívida do Estado com a União (em 2027), solicitando uma nova suspensão do pagamento da dívida para financiar a irrigação no Rio Grande do Sul”, mencionou Eduardo Leite durante a sua apresentação aos líderes empresariais no salão da Federasul.
Além disso, Leite defendeu a criação dos fundos constitucionais do Sul e do Sudeste para atrair mais recursos ao Estado. Ele argumentou que o Rio Grande do Sul é o estado brasileiro mais afetado por estiagens depois dos estados da região Nordeste – que já se beneficiam de um fundo constitucional regional, o que viabiliza, por exemplo, crédito subsidiado.
“Se não vão nos dar os incentivos fiscais e os fundos constitucionais que dão para as outras regiões, pelo menos não nos tirem os recursos do orçamento que vão para a dívida”, Leite criticou o governo federal.
Um dos slides da apresentação do governador contabilizava que, desde 2003, o território gaúcho passou por sete grandes estiagens (em 2004, 2005, 2012, 2020, 2022, 2023 e 2025) – que prejudicaram as safras agrícolas e derrubaram o PIB do Estado. Segundo a Secretaria Estadual da Fazenda, o setor agropecuário foi responsável por 40% do PIB gaúcho em 2025.