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Publicada em 02 de Setembro de 2026 às 18:11
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), afirmou estar impactado com as denúncias contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por uma suposta troca de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Para o chefe do Executivo gaúcho, caso comprovada, a situação torna insustentável a manutenção do magistrado na corte.
“Sou mais um dos brasileiros que estão muito impactados com essas denúncias que estão surgindo aí. Elas exigem esclarecimento, investigação e o direito à defesa que assiste naturalmente aos que estão envolvidos. Mas é muito preocupante. Sem dúvida nenhuma, parece tornar insustentável a posição do ministro Alexandre de Moraes na Suprema Corte. Não é possível que tenhamos no STF um ministro sobre o qual se recaem suspeitas com mensagens trocadas”, afirmou o governador em entrevista exclusiva concedida ao Jornal do Comércio após almoço realizado na Casa JC na Expointer nesta quarta-feira (2).
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Embora destaque a importância de respeitar o devido processo legal, Leite destaca que é necessário que o caso seja investigado pela própria Corte ou, caso isso não ocorra, pelo Congresso Nacional. Ele diz considerar as denúncias graves e que as trocas de mensagens dificilmente não serão comprovadas.
“É muito grave, são dados objetivos ali, de uma relação entre o banqueiro que protagonizou o maior escândalo de corrupção havido no Brasil e o ministro da Suprema Corte. Isso vai exigir apuração, parece difícil de não ser comprovado, pelo contexto que se tem, mas mesmo que as provas sejam muito claras, há que se percorrer o devido processo legal de investigação e de punição ao ministro. Se a Suprema Corte não fizer por si mesma a abertura dos processos relacionados a esse caso, caberá ao Senado fazer a abertura de um processo por crime de responsabilidade, sem dúvida nenhuma”, acrescentou o governador.
Uma série de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), veio a público nesta segunda-feira (1º) e acrescentou novos elementos à investigação sobre as relações entre o controlador do Banco Master e autoridades.
Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro teria enviado a Moraes uma mensagem perguntando: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. O questionamento indicaria que o banqueiro avaliava deixar o país diante do avanço das investigações. Dois dias depois, em 17 de novembro, a Polícia Federal prendeu Vorcaro quando ele se preparava para embarcar em um avião particular rumo a Malta.
As mensagens fazem parte de um conjunto de dados extraídos pela PF de celulares de Vorcaro no âmbito das investigações do caso Banco Master. O relatório também aponta que o banqueiro teria buscado a interlocução de autoridades para tentar conter o avanço das apurações que atingiam o banco.
Outro ponto que ganhou destaque é a relação profissional entre Vorcaro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. O Banco Master firmou com o escritório um contrato de prestação de serviços advocatícios de aproximadamente R$ 131 milhões, com vigência de 2024 a 2025.
Segundo a análise da Polícia Federal, metadados do arquivo extraído do celular de Vorcaro registram alterações realizadas em janeiro de 2024 por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório de Viviane confirmou que o ministro teve acesso ao documento e afirmou que ele foi consultado, por meio da área de compliance, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação. A defesa sustenta que não havia conflito ou processo sob relatoria de Moraes que impedisse o contrato.
A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita que o interlocutor seja Moraes. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República. Diante dos fatos, o ministro do STF André Mendonça, relator do inquérito do Master no Supremo, pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste.