Entre as principais economias da macrorregião Serra, Igrejinha, no Vale do Paranhana, foi o município que experimentou a maior variação do PIB local entre 2021 e 2023 (último ano do levantamento municipal), com um aumento de 40,6% no período. Mesmo apostando na variação da matriz econômica, Igrejinha ainda tem o setor calçadista como seu carro-chefe. De acordo com o governo municipal, 40% dos empregos locais estão no setor, e metade da arrecadação também vem da produção de calçados.
Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) apontam que, em 2024, Igrejinha foi o 14º município com maior volume de empregos na indústria do calçado em todo o País – o segundo entre o Vale do Paranhana e a Serra. Eram cinco mil pessoas empregadas no setor. Ao todo, a indústria calçadista empregava, em 2024, 26,9 mil pessoas entre as duas regiões produtoras, com 665 empresas ativas. Foram produzidos 40 milhões de pares no Vale do Paranhana naquele ano – o maior volume desde 2021 – e outros 6,9 milhões de pares na Serra.
É neste contexto que a Calçados Beira Rio mantém em Igrejinha a produção da sua marca mais valorizada nos mercados nacional e internacional. Saem da planta industrial da Beira Rio em Igrejinha os calçados da marca Vizzano.
"Temos uma relação muito boa com Igrejinha, além da nossa própria planta industrial, temos importantes parceiros terceirizados no município, que participam desde a fase de costura à montagem dos calçados. O resultado é que a Vizzano é muito valorizada em todo o mercado", explica o diretor industrial da Calçados Beira Rio, João Heinrich.
Segundo ele, a produção em Igrejinha responde por até 15% do faturamento da marca. A empresa opera ainda, com indústrias em outros oito municípios gaúchos, produzindo ainda as marcas Beira Rio, Activitta, Modare Ultraconforto, Molekinha, Moleca e BR Sport. A unidade de Igrejinha é a única no Vale do Paranhana, e é considerada estratégica nos planos da empresa em avançar no mercado externo, especialmente com o acordo entre Mercosul e União Europeia.
A produção, segundo Heinrich, deve crescer em torno de 2,5% entre todas as unidades da Beira Rio em 2026, chegando a 120 milhões de pares.
"Estamos investindo este ano em automação em todos os níveis da empresa, principalmente na aplicação dessas novas tecnologias nos processos de corte, costura e TI. A estimativa é termos um crescimento de 5% a 10% em faturamento no ano, mas com uma atenção especial e prioritária às exportações", aponta o diretor.
Ao longo de 2026, a Beira Rio projeta investir até R$ 70 milhões nestes processos. Hoje, a empresa exporta para mais de 100 países, e as vendas ao Exterior correspondem a até 15% do faturamento total da empresa. O Rio Grande do Sul exporta 33% dos calçados brasileiros, mas, no Vale do Paranhana, à exemplo de todo o Estado, os países europeus não figuram entre os principais destinos do calçado gaúcho. E é nesta equação que a marca Vizzano encontra um futuro fértil.
As exportações à Europa representam hoje 2% das vendas da Beira Rio no Exterior, com a Vizzano sendo o produto mais representativo.
Na avaliação da Abicalçados, o futuro acordo comercial será favorável aos calçadistas brasileiros. Para calçados de couro, por exemplo, que correspondem a 45% dos valores exportados pelo Brasil ao continente, em sete anos de acordo deve acontecer a eliminação tarifária total. A estimativa do setor é de que, em 15 anos, as exportações à União Europeia devem ter uma alta de 62%.
E num mercado que valoriza cada vez mais a rastreabilidade de produtos e a produção cada vez mais "verde", a fabricante gaúcha já conta com diferenciais competitivos.
"Toda a nossa produção já é circular, algo raro nas produções em outros países. Contamos com o selo de sustentabilidade, conquistado a partir do reaproveitamento que fazemos de todos os retalhos e sobras da produção. Tanto dentro do nosso próprio processo, quando possível, quanto na destinação para empresas associadas, que acabam retornando aqueles produtos, como palmilhas, para os nossos processos industriais. Essa logística faz toda a diferença quando oferecemos os nossos produtos para novos mercados", garante João Heinrich.
Atualmente, entre 50% e 60% de todos os retalhos já são reaproveitados diretamente nas indústrias. O restante retorna reciclado sob a forma de palmilhas, outros acessórios ou peças de expositores da própria marca.
22,3% da produção calçadista do Rio Grande do Sul sai das indústrias do Vale do Paranhana, da Serra e das Hortênsias. Foram 46,9 milhões de pares produzidos em 2024.
As regiões empregam 26,9 mil pessoas entre 665 empresas do setor. Em Igrejinha, concentram-se 5 mil postos de trabalho na indústria calçadista.