Quase 40% de todas as exportações de Caxias do Sul em 2025 saíram das duas plantas industriais da Marcopolo. Somente no envio de carrocerias ao exterior, a empresa, que é referência no mercado, registrou uma alta de 63,2% em relação a 2024, tendo movimentado US$ 227,8 milhões somente neste setor.
Países da América do Sul foram os principais destinos da produção. Em 2026, com a perspectiva de concretização do já aprovado acordo entre Mercosul e União Europeia, e com a instabilidade nos países vizinhos, a gigante da Serra retorna ao continente europeu, e tende a se consolidar.
Um acordo foi firmado com a Volvo, que produz os chassis para a montagem de ônibus na unidade de Ana Rech, em Caxias do Sul. Após algumas adaptações na linha de montagem, a expectativa é entregar os primeiros 15 veículos neste ano e, nos próximos cinco anos, chegar a 300 ônibus com a tecnologia Marcopolo enviados à Europa. Neste primeiro momento, nos mercados da França e Itália.
“Não será a nossa primeira experiência. Já tivemos uma operação em Portugal, quando percebemos um mercado muito competitivo e com fábricas integrais (produziam chassis e carrocerias). Essa tendências das integrais, porém, mudou, e voltamos a olhar para aquele importante mercado. Depois de enviarmos equipes de engenharia para sondar a região, percebemos, na nossa presença em feiras europeias, que o nosso G8 estava sendo muito bem aceito. Avançamos até um acordo com a Volvo e deveremos ter as primeiras vendas do modelo Paradiso 1200 no primeiro trimestre de 2027”, explica o diretor de operações internacionais da Marcopolo, José Luiz Goes.
Segundo Goes, a forma como se produz por aqui faz a diferença também no mercado europeu. “Eles se surpreendem com a flexibilização que conseguimos ter na linha de produção, além do design vencedor que se faz aqui. As nossas poltronas, por exemplo, são muito mais confortáveis do que o que se vê na Europa. Além claro, do protagonismo que temos em relação a tecnologias como veículos adaptáveis a novos combustíveis”, completa.
Ainda levará alguns anos para que as tarifas a este tipo de produto, de fato, sejam reduzidas entre o Mercosul e a União Europeia. Hoje, aponta o diretor, haverá perda de competitividade ao enviar os veículos inteiros montados aqui para a Europa, a partir dos chassis recebidos da Volvo. Entre os planos da empresa está, provavelmente para 2028, inverter essa cadeia, com o envio das carrocerias aos montadores europeus.
Com a perspectiva de que em 2026 as vendas para países como Argentina e Peru, que dominaram o cenário do último ano, sofram redução, mesmo que o mercado europeu ainda não seja um espaço concreto de faturamento para a Marcopolo e toda a economia de Caxias do Sul — o continente respondeu por apenas 2% das exportações do município em 2025 —, a integração com aquele mercado é considerada estratégica para o protagonismo da Marcopolo no Brasil e em outras regiões do planeta.
“Quando nos habilitamos a entrar na Europa, estamos aptos às normativas de lá, que geralmente estão mais avançadas do que no Brasil. Por exemplo, já produzimos adequados à normativa europeia de resistência a chamas. Faz a diferença quando buscamos outros mercados e também, no momento em que as normas avançam no Brasil, nós saímos na frente, com a produção já perfeitamente adequada. Essa busca por novos mercados, com novas exigências, sempre reverte em ganho de competitividade à Marcopolo”, aponta Goes.
O Oriente Médio e a África, por exemplo, estão entre os objetivos da empresa da Serra neste ano. E, especialmente na América Latina, a empresa prepara lançamentos nas linhas de ônibus elétricos, híbridos e a gás.