O "ouro negro" do Sul do Brasil está em alta em 2026 nos Campos de Cima da Serra. Trata-se do mel de melato de bracatinga, produzido a partir de uma interação exclusiva entre a árvore bracatinga, a cochonilha e abelhas Apis mellifera, é o único mel brasileiro reconhecido com uma Denominação de Origem, que abrange o Planalto Sul Brasileiro, entre Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Ao todo, são 15 municípios gaúchos listados na D.O., cinco deles nos Campos de Cima da Serra. E a estimativa é de que, neste ciclo de 2025/2026 – incluindo outros tipos de mel –, se atinja na região uma média de 30 quilos de mel por colméia, muito superior aos 17 quilos de anos anteriores. É o melhor índice nos últimos cinco anos.
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O selo de mel de melato de bracatinga refere-se a um produto mais escuro, menos doce, rico em minerais, que não cristaliza e possui alto valor nutricional e propriedades antioxidantes, e é encarado pelo setor como um diferencial para garantir valor agregado no mercado externo.
Com o acordo entre Mercosul e União Européia, essa perspectiva torna-se ainda concreta, não apenas para o mel certificado, mas todo o produzido entre os Campos de Cima da Serra, a Serra e o Vale do Paranhana. Isso porque, diferente de outras regiões com maiores índices produtivos de mel no Rio Grande do Sul, a produção na macrorregião Serra não convive em tão alto volume com produções com grande uso de defensivos agrícolas.
Hoje, uma das principais barreiras ao produto brasileiro no mercado europeu é justamente a sanitária. A União Europeia impõe limites muito baixos para resíduos de defensivos agrícolas no mel, o que pode se tornar um entrave para o produto brasileiro. As abelhas coletam néctar em lavouras onde são aplicados esses produtos, ainda que eles não causem danos diretos aos insetos. O problema está na detecção de resíduos no mel, que muitas vezes fica em níveis aceitáveis pela legislação brasileira, mas não europeia.
Até o ano passado, a Europa respondia por apenas 15% das exportações de mel brasileiras, principalmente a Alemanha e a Inglaterra. O País exporta 60% da sua produção, com a maior fatia aos Estados Unidos.