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Publicada em 09 de Abril de 2026 às 12:31

Enoturismo na Serra gaúcha é vitrine para um novo público consumidor

Enoturismo é considerada prioridade para Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale)

Enoturismo é considerada prioridade para Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale)

Acervo Aprovale/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
É muito mais do que o produto em si, mas a experiência que vem engarrafada. O mote que leva ao turismo relacionado à produção vitivinícola é um dos trunfos da Serra para conquistar novos mercados, como o europeu. No Vale dos Vinhedos, região de 82 quilômetros quadrados que abrange áreas em Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, foi registrada a primeira Indicação Geográfica do País e, por consequência, a Denominação de Origem dos vinhos produzidos ali. A região é considerada Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul. O Vale é exemplo do enoturismo bem sucedido e que se multiplica nos outros polos produtores da Serra.
É muito mais do que o produto em si, mas a experiência que vem engarrafada. O mote que leva ao turismo relacionado à produção vitivinícola é um dos trunfos da Serra para conquistar novos mercados, como o europeu. No Vale dos Vinhedos, região de 82 quilômetros quadrados que abrange áreas em Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, foi registrada a primeira Indicação Geográfica do País e, por consequência, a Denominação de Origem dos vinhos produzidos ali. A região é considerada Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul. O Vale é exemplo do enoturismo bem sucedido e que se multiplica nos outros polos produtores da Serra.
A estimativa da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) é de que, anualmente, em média, 450 mil turistas visitem o Vale dos Vinhedos e frequentem pelo menos alguma das estruturas entre as 31 vinícolas, 12 hospedagens e 19 restaurantes da região.
"O enoturismo é uma prioridade para nós. A quantidade de vinhos produzidos no Vale é crescente, e com o turismo, cresce o interesse em consumir este produto. Depois da pandemia e das cheias, que afetaram muito o serviço de turismo na nossa região, agora estamos em um momento de retomada. O mundo todo, literalmente, vem ao Vale. Temos levado a divulgação da região a feiras tanto no Brasil quanto no Exterior, e tem dado resultado", explica Moisés Brandelli, vice-presidente da associação.
Brandelli é o responsável pela vinícola Don Laurindo, que anualmente produz, em média, 90 mil litros de vinho (120 mil garrafas). Enquanto em outras regiões o enoturismo costuma responder por 10% do faturamento das vinícolas, na Don Laurindo chega a 30%. Uma aposta que tem garantido qualificação na estrutura da vinícola, como, por exemplo, guias que falam inglês.
"Quanto mais a região se capacita para o público estrangeiro, mais eles vêm. Nós fizemos questão de fazer essa qualificação, e temos recebido muitos turistas da França, Estados Unidos, Chile. Temos apostado também no estreitamento do enoturismo com os restaurantes, porque produzimos no Vale dos Vinhedos bons vinhos que combinam com boa alimentação", aponta.
O enoturismo internacional envolve ainda um público ávido por conhecer o terroir das regiões produtoras. E neste aspecto, o trabalho da Aprovale, iniciado em 1995, é exemplar. Há um mapa de solos detalhado com todos os microterroirs existentes no Vale dos Vinhedos.
"Além disso, carregamos uma história e tradição, que unem o cultivo à elaboração do vinho, diferenciados e únicos. A Denominação de Origem afirma um trabalho iniciado há 150 anos nessa região. Um resgate que contou, inclusive, com o apoio de especialistas europeus", conta Brandelli.
Nos últimos dois anos, no entanto, publicações especializadas consideraram a melhor experiência enoturística da Serra a organizada nos Altos de Pinto Bandeira. "O compromisso é sempre valorizar muito o tempo de quem vem aqui. Garantimos uma união entre a exploração da natureza local, do terroir e da alta gastronomia. O resultado é a garantia de um turismo com ticket médio cada vez maior e mais vaklorizado", aponta Daniel Geisse, da Cave Geisse.
A experiência nesta vinícola, por exemplo, parte de R$ 200 a R$ 500 por pessoa. Além do espaço gastronômico, o turista ainda tem a opção de desbravar os vinhedos em jipes, com degustação. O próximo passo, aponta Geisse, é garantir hospedagem para atender a esse turista. Chegam a 50 mil pessoas por ano nos Altos de Pinto Bandeira.

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