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Publicada em 09 de Abril de 2026 às 12:14

Sucos de uva da Serra podem ganhar protagonismo com acordo Mercosul-UE

Vinícola Aurora - Engarrafamento suco de uva - Crédito Cooperativa Vinícola Aurora, divulgação - Mapa Econômico do RS 2026 Região Serra

Vinícola Aurora - Engarrafamento suco de uva - Crédito Cooperativa Vinícola Aurora, divulgação - Mapa Econômico do RS 2026 Região Serra

Cooperativa Vinícola Aurora/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Na janela de oportunidades para as vinícolas da Serra Gaúcha a partir do acordo entre Mercosul e União Europeia, os sucos de uva podem ganhar maior protagonismo. Mesmo com menor valor de mercado do que os vinhos finos e espumantes, a produção de sucos é o destino do maior volume de uvas processadas.
Na janela de oportunidades para as vinícolas da Serra Gaúcha a partir do acordo entre Mercosul e União Europeia, os sucos de uva podem ganhar maior protagonismo. Mesmo com menor valor de mercado do que os vinhos finos e espumantes, a produção de sucos é o destino do maior volume de uvas processadas.
Na Cooperativa Vinícola Aurora, por exemplo, 70% das uvas recebidas são transformadas em suco integral. Conforme o Sistema de Declarações Vinícolas (Sisdevin) do Governo do Estado, em 2025 foram produzidos 91,2 milhões de litros de sucos e polpa de uva no Rio Grande do Sul, sendo 20,6 milhões de litros somente em Bento Gonçalves.
"Temos aqui um diferencial muito importante em relação aos europeus, que é o cultivo da uva híbrida americana, que só existe no novo mundo, e a diferença de qualidade para os sucos em relação às viníferas é gigantesca. Hoje o suco, tanto integral quanto concentrado, já é exportado, mas em volume muito pequeno e para nichos específicos, por exemplo, nos Estados Unidos, Armênia e Reino Unido", aponta Alexandre Angonezi, da Cooperativa Vinícola Garibaldi.
Angonezi salienta ainda a possibilidade de fortalecer cadeias completas de produção especializadas nos sucos. No caso da Garibaldi, enquanto os sucos integrais são produzidos na sua planta industrial, há uma união com outras três cooperativas – Nova Aliança, São João e Pradense –, a Cenecoop Serra, para processar o suco concentrado em Farroupilha. Foi a partir do município que US$ 651,7 mil foram exportados em sucos e sumos de fruta em 2025, uma alta de quase 40% em relação ao ano anterior.

Exportações devem expandir nos próximos anos

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) estima que, ao longo dos próximos 15 anosas exportações industriais gaúchas para a União Europeia possam se expandir em aproximadamente US$ 801,3 milhões.

A entidade aponta os diferenciais para a indústria gaúcha com o acordo:
  • Agroindústria Competitiva: O acordo facilita a exportação de carnes (bovina, aves), soja, tabaco, calçados e móveis, setores de forte atuação gaúcha, reduzindo custos e barreiras técnicas.
  • Setor Vitivinícola: A taxa de importação para vinhos europeus no Brasil (hoje em 27%) deve cair, ao mesmo tempo que o setor gaúcho de vinhos e espumantes ganha competitividade internacional com o zeramento de tarifas em até 12 anos.
  • Exportações do Vale do Rio Pardo: O acordo favorece a ampliação das exportações e o acesso à tecnologia na região.
  • Modernização Industrial: A redução de tarifas para maquinários e componentes europeus facilitará a modernização tecnológica das indústrias gaúchas, aumentando a produtividade.
  • Redução de Burocracia: A simplificação e harmonização de procedimentos alfandegários pode reduzir custos no comércio internacional.

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