Um dos representantes locais presentes em uma missão gaúcha a Nova York em maio deste ano era o prefeito de Alvorada, Douglas Martello. Nas suas mãos, ele levava um slogan para potenciais investidores: "Alvorada é hoje a melhor cidade para se investir na Região Metropolitana".
No município com um dos menores PIB per capita do Rio Grande do Sul, somente no primeiro semestre de 2026 foram criadas 2,5 mil novas empresas. "Eu digo sempre aos empresários que se interessam no nosso município: aponta em que fará o investimento que eu preparo a mão de obra", resume.
A criação de um novo eixo de desenvolvimento pleno é o grande objetivo do prefeito. Em maio deste ano, o município deu início ao investimento superior a R$ 40 milhões para revitalizar a avenida Presidente Getúlio Vargas, a principal da cidade, com prazo para finalização em 15 meses.
"Nosso grande objetivo é transformar a avenida, com melhor fluidez, valorização de imóveis e negócios e melhoria da imagem da cidade como atração para novos investimentos", comenta o prefeito.
Neste primeiro momento, as transformações estruturais estão concentradas na criação de 13 alças de acesso ao redor da avenida. Depois, serão 5,4 quilômetros de revitalização total, incluindo o calçamento, iluminação, novo mobiliário e mais de mil árvores a serem plantadas. "Será um caminho funcional e bonito. A nossa estimativa é de que a travessia terá o tempo reduzido de 14 minutos para 6 minutos", projeta Martello.
Não há uma estimativa exata da valorização que deve resultar dessa revitalização, mas o governo local trabalha com exemplos próximos, como Gravataí e Cachoeirinha, que já fizeram intervenções em suas avenidas que ligam, pela via urbana, o tráfego com Porto Alegre, e a avaliação é de que os imóveis nas regiões tiveram entre 20% e 30% de valorização.
A avenida é encarada como uma espécie de vitrine para um novo corredor de desenvolvimento na Região Metropolitana.
Obras vão duplicar a Estrada Caminho do Meio
Um dos eixos para a instalação de novas empresas – e até mesmo a entrada no circuito dos condomínios logísticos – está na Estrada Caminho do Meio, que teve, no início de junho, as obras de duplicação iniciadas no trecho de Viamão. São R$ 138,5 milhões em investimentos estaduais neste trecho do Caminho do Meio, com 11,4 quilômetros entre Porto Alegre e a rodovia ERS-040.
"O Caminho do Meio é um projeto estruturante, que integra municípios, melhora a mobilidade, aumenta a segurança e cria condições para atrair novos investimentos e gerar empregos. A vida das pessoas não respeita os limites entre os municípios: elas moram em uma cidade, trabalham em outra, estudam em outra. Por isso, é papel do Estado pensar soluções integradas para garantir mais qualidade de vida e desenvolvimento", disse o governador Eduardo Leite na ocasião do lançamento da obra, que prevê a implantação de novas pistas, canteiro central, ciclovias, passeios públicos, paradas de ônibus, sistema de iluminação e drenagem, ampliando a segurança de motoristas, ciclistas e pedestres, além de contribuir para o desenvolvimento urbano e econômico da região.
O projeto completo de transformação do Caminho do Meio, porém, chega a 23,08 quilômetros, com 4,38 quilômetros em Alvorada, contemplando a Estrada Frederico Dihl, e aí o investimento é de R$ 44,2 milhões e o prazo de execução estimado em 15 meses. É aguardada a homologação da licitação já realizada para a execução da obra.
"É um ganho histórico para colocar este eixo entre Porto Alegre, Alvorada e Viamão, definitivamente, no rumo do desenvolvimento. Hoje, esse trecho é uma região sem grandes oportunidades. Abre-se uma nova perspectiva econômica. Estamos mirando em potenciais investimentos na nova economia, que alia tecnologia e serviços", explica o prefeito.
Alvorada ainda figura como um município de baixo PIB. Daí a importância de um plano local de desenvolvimento. Isso inclui, como explica o prefeito Douglas Martello, a redefinição de áreas como o distrito industrial que, no papel, tem ocupação, mas na prática, não se transformam historicamente em novas empresas que aproveitem a mão de obra local.
"Temos aproximado o diálogo com quem tem áreas no Distrito para compormos novos negócios nestes locais. A Gerdau, por exemplo, tem 400 hectares no Distrito de Alvorada. Queremos desenvolver com eles um projeto que garanta erguer algo ali e redesenhar a nossa área industrial. Temos nos movimentado intensamente para atração de investimentos", garante o prefeito.
Trecho metropolitano da BR-116: a perspectiva do Dnit é entregar até o final do ano seis trechos concluídos das obras de melhorias da BR-116 entre a Região Metropolitana e o Vale do Sinos. Em 2027, serão outras três obras concluídas. Estão no conjunto de melhorias o viaduto de acesso à Freeway, próximo ao Aeroporto Salgado Filho, o alargamento do viaduto da avenida Inconfidência (Metrovel) e a ampliação do viaduto da Boqueirão, em Canoas, o alargamento do elevado da Refap, entre Canoas e Esteio, dois túneis em Novo Hamburgo, no bairro Primavera e na rua Pedro Álvares Cabral.
Nova ponte do Guaíba: há perspectiva do governo federal de retomar as obras na nova ponte do Guaíba em julho, a partir da homologação do processo de licitação. Serão erguidas quatro alças no lado leste, conectando a estrutura à Zona Norte da Capital, além das remoções de famílias em áreas atingidas pela obra. O investimento previsto é de R$ 525 milhões.
Bloco 1 de Rodovias: o leilão para a concessão do Bloco 1 de Rodovias, que inclui a duplicação do trecho da ERS-118 entre Alvorada e Viamão, além das ERSs-020, 115, 235, 239, 474 e 010, ainda não tem data para acontecer após a suspensão do processo de concessões pelo governo do Estado, com o esvaziamento do leilão do Bloco 2.
Estruturas contra cheias: O governo do Estado já investiu R$ 267,5 milhões em Porto Alegre e outros R$ 213,3 em Canoas em obras estruturais de proteção contra novas cheias. Entre elas, está o recém lançado pacote de obras no sistema de proteção da região do Aeroporto Salgado Filho, que recebe R$ 48 milhões do Funrigs. Em Canoas e na Zona Norte da Capital, concentram-se as principais obras de recuperação e reforço de diques. Regiões como Eldorado do Sul e Alvorada ainda aguardam a liberação de recursos para importantes obras de contenção já planejadas.