O mercado da construção civil está aquecido em diversos locais do Rio Grande do Sul e, analisando isoladamente as regiões que o compõem, é possível identificar alguns polos que avançam mais rapidamente. Por trás disso, há algumas explicações: são áreas nas quais a população cresce mais rapidamente ou que concentram indústrias e serviços, ou seja, onde a economia também está sendo alavancada.
O Vale do Taquari, por exemplo, está crescendo consideravelmente. Na edição de 2025 do Mapa Econômico do RS, a situação ficou evidente, relacionada a migrações intrarregionais devido às enchentes de 2023 e 2024. Apenas em Teutônia, conforme apuração do Jornal do Comércio, foram acrescidos 3 mil novos moradores no pós-cheias aos 32.797 habitantes que já residiam no município conforme o Censo de 2022.
Na construção civil da região, o número se reflete. Afinal, houve um aumento de 623% no número de unidades verticais lançadas ao longo do primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, passando, em números absolutos, de 60 para 434. Os dados são de um estudo encomendado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) à Brain Inteligência Estratégica.
"A região de Lajeado se destaca, tem uma pujança financeira grande e é um polo da construção civil, embora num estágio um pouquinho menor do que outros. Dizemos que o Rio Grande do Sul tem pontos que vão se destacando e Lajeado também é um local importante", descreve o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS), Claudio Teitelbaum.
Outra região em franca expansão é o Litoral Norte, que concentra o maior aumento populacional entre os dois últimos Censos: 25,8%. E é lá onde está o segundo metro quadrado vertical mais caro do Estado, atrás apenas da conurbação formada por Gramado e Canela — outro local que cresce demograficamente acima de dois dígitos. Preços altos, pela lei de oferta e demanda, significam uma procura maior.
"Estão crescendo muito no Estado os imóveis turísticos e de lazer. Nisso, entra Gramado, a Serra Gaúcha e até mesmo a Campanha (na Macrorregião Sul), que está investindo em olivicultura e enoturismo. E o Litoral Gaúcho também está tendo um bom desempenho de vendas nesse sentido e, também, para segunda moradia. E esses são braços que devem puxar o mercado imobiliário", acrescenta Teitelbaum.
Não à toa, Gramado foi a cidade escolhida para sediar um dos 18 investimentos bilionários anunciados ou realizados no Rio Grande do Sul em 2025, justamente no setor de lazer e moradia. O Sirena Gramado, como o complexo residencial e turístico será chamado, receberá um aporte de R$ 1,2 bilhão.
Vale ressaltar que, entre 2010 e 2022, datas dos últimos Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas três Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) apresentaram aumento populacional de dois dígitos: Vale do Taquari, Litoral Norte e Hortênsias. Todas elas também se destacam em crescimento na construção civil.
Por outro lado, há cidades que crescem a oferta de serviços, recebem cada vez mais indústrias e, consequentemente, passam a crescer economicamente. E o mercado de trabalho aquecido em uma região não apenas a auxilia a ampliar sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) estadual, mas, também, a atrair novos moradores — temporários ou permanentes. Como consequência, novos imóveis passam a surgir.
Passo Fundo e Caxias do Sul são exemplos disso: cidades que se transformaram em polos econômicos nas regiões em que atuam e que têm crescido no ramo da construção civil. Ao final de 2025, eram mais de 100 prédios em construção na principal cidade do Norte do RS, conforme dados fornecidos pela prefeitura local. Já na "capital" serrana o estudo encomendado pela Fiergs demonstra um crescimento de 203% no lançamento de unidades verticais lançadas entre o primeiro semestre de 2025 e o de 2024.
"Passo Fundo, por exemplo, é uma cidade universitária e que vem recebendo também muito investimento industrial, que acaba se destacando na parte de incorporação. E quando tem desenvolvimento industrial e de serviços, isso acaba organicamente puxando a construção civil" exemplifica Teitelbaum.
Concentração do PIB impulsiona construção na Região Metropolitana
No caso da Região Metropolitana, isso também pode ser percebido. Afinal, é a área que mais concentra percentual do PIB gaúcho e que tem a maior população do Estado — embora ela tenha reduzido entre os Censos. Foi essa uma das localidades que mais puxaram a construção civil no primeiro semestre de 2025, com o lançamento de 2.810 unidades verticais.
Na Região Sul, Teitelbaum acredita que possa voltar a se desenvolver: "Principalmente Rio Grande e Pelotas, que, por muito tempo, ficaram um pouco esquecidas (pela construção civil), podem ter um crescimento de mercado logo ali na frente, puxado pelas novas notícias do polo naval", conjectura.
No campo estadual, a previsão é de que o mercado esteja aquecido em 2026, conforme o presidente do Sinduscon-RS. Para ele, a expectativa de redução gradual na taxa de juros prevista para ocorrer em março, se concretizada, deve alavancar as compras de imóveis especialmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida, categoria que se destacou no setor ao longo de 2025. Por outro lado, o ano eleitoral também deve auxiliar, levando pessoas a protegerem seus recursos de possíveis riscos e inflação investindo no setor imobiliário.
Saiba onde houve crescimento populacional no RS
O Rio Grande do Sul ganhou pouca população entre 2010 e 2022, anos em que foram realizados os últimos Censos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas 3 dos 28 Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) cresceram demograficamente com índices de dois dígitos:
- Litoral Norte (+25,8%)
- Hortênsias (+17,89%)
- Vale do Taquari (+10,24%)
A Macrorregião Norte, onde está Passo Fundo, por sua vez, tem o segundo maior PIB no Rio Grande do Sul, representando 18,76% da economia gaúcha, atrás apenas da Macrorregião Metropolitana, que corresponde a 39,22%. E, em terceiro lugar, está a Serra, que contém a cidade de Caxias do Sul e ocupa uma fatia de 15,43% do PIB do Rio Grande do Sul.
A Macrorregião Sul, onde a população está diminuindo e a economia é uma das menores do Estado, é onde a construção civil está menos aquecida.
Região Metropolitana é a com maior percentual proporcional, com dois dos seus três Coredes ocupando as primeiras posições
Arte/JC
Concentração do PIB impulsiona construção na Região Metropolitana
No caso da Região Metropolitana, isso também pode ser percebido. Afinal, é a área que mais concentra percentual do PIB gaúcho e que tem a maior população do Estado — embora ela tenha reduzido entre os Censos. Foi essa uma das localidades que mais puxaram a construção civil no primeiro semestre de 2025, com o lançamento de 2.810 unidades verticais.
Na Região Sul, Teitelbaum acredita que possa voltar a se desenvolver: "Principalmente Rio Grande e Pelotas, que, por muito tempo, ficaram um pouco esquecidas (pela construção civil), podem ter um crescimento de mercado logo ali na frente, puxado pelas novas notícias do polo naval", conjectura.
No campo estadual, a previsão é de que o mercado esteja aquecido em 2026, conforme o presidente do Sinduscon-RS. Para ele, a expectativa de redução gradual na taxa de juros prevista para ocorrer em março, se concretizada, deve alavancar as compras de imóveis especialmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida, categoria que se destacou no setor ao longo de 2025. Por outro lado, o ano eleitoral também deve auxiliar, levando pessoas a protegerem seus recursos de possíveis riscos e inflação investindo no setor imobiliário.