O programa Radar Turístico ultrapassou a marca de 100 municípios analisados no Rio Grande do Sul. Criado e desenvolvido pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), a pesquisa analisa o turismo local, como infraestrutura, hospedagem, gastronomia e atrativos turísticos. O resultado é entregue com notas de zero a cinco para cada ponto analisado.
O projeto iniciou em 2017, em parceria com o Sebrae e, desde então, tem sido comumente utilizado para auxiliar na criação de Planos Municipais de Turismo, conta a pesquisadora Francielle Daudt. “Em 2017, a Unisinos foi chamada para fazer um projeto na região da fronteira oeste para o desenvolvimento do turismo. Entretanto, não se tinha uma metodologia construída para conseguir avaliar justamente a condição de turismo naqueles municípios. Então, junto com o Sebrae, construímos uma metodologia que avalia esses destinos, além de ter um olhar qualitativo da experiência do turista no território. Foi essa junção de áreas que ajudou a construir as dimensões do radar”, explica a pesquisadora.
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Durante o estudo, dois pontos centrais são analisados: infraestrutura e atrativos turísticos. No caso da infraestrutura, os pesquisadores observam aspectos gerais da cidade, como as condições de acesso ao município, opções de transporte, disponibilidade de informações sobre atrativos e se há atendimento ao turista. Na categoria, empreendimentos locais voltados para hospedagem e gastronomia também são estudados. No caso de hotéis e pousadas, são consideradas suas condições de atendimento e potencial de atração do turista. Para a gastronomia local, a pesquisa leva em conta a qualidade dos estabelecimentos, da comida, atendimento, pratos típicos e produtos locais.
Já para os atrativos turísticos, a pesquisa analisa os elementos capazes de motivar a visita de pessoas de fora do município. Os pesquisadores procuram por atrativos histórico-culturais e naturais, turismo rural, roteiros já existentes e eventos promovidos na cidade. Ao final do estudo, os pesquisadores avaliam cada categoria de zero, para não existente, a cinco, quando considerado excelente.
“As categorias avaliam o quanto aquela cidade está preparada para receber o turista. Isso envolve como o turista se desloca, se ele tem acesso à informação. Quando procuramos sobre o município, encontramos informações atualizadas? A ideia é fazer a avaliação tanto de aspectos práticos, de coisas que sustentam a atividade turística, tanto de acesso, à saúde, banco, hospedagem e gastronomia. No fim, tudo isso integra a experiência do turista”, explica.
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Daudt também explica como a análise de cada ponto funciona. Segundo ela, o estudo é separado em três etapas: desk research, entrevistas qualitativas e observação de campo. Durante a primeira parte da pesquisa, a desk research, a equipe analisa a divulgação de informações turísticas em sites e redes sociais, tanto do poder público quanto de empreendimentos, como hotéis, restaurantes e atrativos. Em seguida, são realizadas entrevistas qualitativas com representantes municipais ligados ao turismo, a fim de compreender como os atores locais percebem os potenciais do município, os desafios do setor e as oportunidades de desenvolvimento. Já durante a observação em campo, a equipe visita atrativos para vivenciar a experiência como turista. De acordo com Daudt, a equipe é formada por dois pesquisadores, vinculados ao Instituto de Pesquisa de Mercado da Unisinos. “Essa análise conjunta vai ajudar o município a entender o que ele precisa melhorar ou o que ele tem de bom, para desenvolver o turismo.”, afirma.
Ao menos três cidades já refizeram a pesquisa com novos indicadores
Entre as 100 cidades, três já refizeram a pesquisa: Caxias do Sul, Alegrete e Uruguaiana. Segundo a pesquisadora, os municípios passaram novamente pelos estudos para entender os avanços no turismo local.
Como destaque, Francielle menciona o município da Serra Gaúcha, Caxias do Sul. Segundo ela, a cidade realizou o Radar duas vezes, a primeira durante a pandemia de Covid-19 e a segunda mais recentemente. Com este espaço de tempo, o estudo destacou o avanço significativo do município no turismo. Ao mesmo tempo, a pesquisa também identificou a falta de melhoria na categoria hospedagens. “Percebemos avanços bem significativos em relação a novos atrativos e a infraestrutura. Abertura de espaços e investimentos em turismo. O Radar conseguiu mapear justamente essa evolução. Ainda, foi possível ver que os espaços de hospedagem, por exemplo, não tiveram muitas mudanças. Isso poderia ser uma fragilidade, pois os espaços ficam obsoletos”, relata.
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Por outro lado, algumas pesquisas recentes mostram queda em relação a edições anteriores. Em Alegrete, onde o Radar foi realizado três vezes, devido à perda de um atrativo natural houve uma queda importante na nota da pesquisa, conta a pesquisadora. “Um atrativo natural bem interessante, uma ponte de pedra natural (Ponte de Pedra do Tigre), ruiu. Sem ela, o acesso ficou dificultado, então a nota deles em atrativos naturais diminuiu”, explica.
Segundo a pesquisadora, junto ao estudo também são entregues sugestões de melhorias, que podem ser incluídas nos Planos Municipais de Turismo. Entretanto, o desenvolvimento do setor depende mesmo dos municípios, ressalta a pesquisadora. O estudo identifica as necessidades e destaques do turismo local, entretanto, para haver avanço é preciso de iniciativas do poder público e privado, afirma. “Entregamos sugestões de ações que podem ser feitas, mas isso sempre é uma decisão do município”, conta.