Porto Alegre,

Publicada em 10 de Julho de 2026 às 18:30

Comércio da rua Independência em São Leopoldo percebe queda no movimento

Sindilojas estima que movimento está cerca de 10% menor do quem 2023, ano anterior a revitalização

Sindilojas estima que movimento está cerca de 10% menor do quem 2023, ano anterior a revitalização

Pedro Selistre/Prefeitura de São Leopoldo/Divulgação/Cidades
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Maria Vitória Marca
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Revitalizada desde o início deste ano, a Rua Independência, em São Leopoldo, é um dos principais centros comerciais do município. De acordo com o CDL local, são mais de 170 pontos, alguns abertos há mais de 30 anos. Entretanto, o local tem passado por uma baixa no movimento desde 2023, devido ao impacto de eventos como as enchentes de maio de 2024, contam lojistas e entidades do setor comercial. Segundo eles, desde 2020, com a pandemia do COVID-19, há uma mudança geral no perfil do consumidor, que agora tende a fazer compras on-line, e questões como a paralisação da rua durante as enchentes e a interdição devido às obras de revitalização ampliaram a busca por plataformas digitais
Revitalizada desde o início deste ano, a Rua Independência, em São Leopoldo, é um dos principais centros comerciais do município. De acordo com o CDL local, são mais de 170 pontos, alguns abertos há mais de 30 anos. Entretanto, o local tem passado por uma baixa no movimento desde 2023, devido ao impacto de eventos como as enchentes de maio de 2024, contam lojistas e entidades do setor comercial. Segundo eles, desde 2020, com a pandemia do COVID-19, há uma mudança geral no perfil do consumidor, que agora tende a fazer compras on-line, e questões como a paralisação da rua durante as enchentes e a interdição devido às obras de revitalização ampliaram a busca por plataformas digitais
Para Olinto Menegon, presidente do CDL de São Leopoldo, a revitalização trouxe à rua atrativos para o público, com um visual mais limpo e aconchegante. Ao mesmo tempo, Menegon acredita que a reforma é um divisor de águas no comércio da via. Segundo ele, parte dos lojistas acredita que a baixa no movimento e no volume de compras se deve ao período em que a rua ficou com áreas interditadas para reforma. 
Ao todo foram dois anos de obras, nos quais uma nova rede pluvial foi instalada, houve a substituição de postes por uma rede subterrânea de energia elétrica, a renovação do calçamento e a ampliação das faixas de travessia. Ainda, entidades do setor comercial, como Sindilojas e CDL, tiveram participação ativa no projeto, desde a discussão e aprovação da reforma até acompanhamento durante as obras, além de mediarem um diálogo entre lojistas e o setor público. Mesmo assim, transtornos como a diminuição da calçada, interdição de ruas e bloqueios parciais em entradas de lojas afetaram o fluxo de pedestres na região, conta o presidente da Sindilojas, Walter Seewald. “Com as obras, as lojas praticamente fecharam. Elas estavam com a porta aberta, mas sem cliente, porque ele não conseguia chegar, as calçadas eram um pequeno corredor para se movimentar na rua.”, afirma.
Por outro lado, Menegon acredita que hoje todo o setor comercial sofre com uma mudança no perfil do consumidor. De acordo com ele, no caso de São Leopoldo, o período das enchentes e das obras aproximou ainda mais as pessoas às lojas online, entretanto, esta é uma migração geral no público, principalmente mais jovem. “O movimento não decresceu a partir da revitalização, ele se manteve nos parâmetros que já vinham acontecendo. Nós tivemos a pandemia em 2020 que fez o comércio se reinventar no digital, por exemplo. Aconteceram algumas mudanças, porque nós estamos pagando as penas de uma pandemia que judiou do empresariado e uma enchente em 2024 que devastou 80% da nossa cidade. A própria Rua Independência ficou embaixo da água. Então tudo isso foi um fator muito negativo para que a gente se reconstruísse.” 
Para Seewald, presidente do Sindilojas, o movimento na rua ainda não retornou ao que era antes da revitalização. Mesmo concluída há sete meses, o sindicato estima que o fluxo de pessoas está em torno de 10% menor do que em 2023, ano anterior ao início da reforma. 
Lojistas concordam com a avaliação do Sindilojas, como no caso de Vicente Cunha, dono do empreendimento Rainha das Noivas, aberto desde 1994 e coordenado por ele desde 2006. De acordo com Cunha, datas importantes para o comércio, como Páscoa, Dia das Mães e dos Namorados apresentaram um desempenho menor ao de 2023. “A revitalização trouxe melhorias importantes para a rua e valorizou o ambiente comercial, sem dúvida. Porém, até o momento, não percebemos um aumento significativo do fluxo de consumidores. Acredito que esteja relacionado à mudança de comportamento dos clientes, que passaram a utilizar as compras online”, relata.
De acordo com Cunha, em 20 anos como lojista na Rua Independência, acompanhou diversas mudanças no comércio e, entre todas, a revitalização foi a mais significativa. Para ele, a reforma tornou o ambiente mais moderno, organizado e acolhedor. Seewald e Menegon concordam, destacando a organização da via, que agora passa a ser um local mais agradável para a população de São Leopoldo
Da mesma forma, tanto o empreendedor quanto os presidentes acreditam que, com o tempo, a revitalização deve atrair público para o comércio local. Para Menegon, a volta do movimento de pedestres é um processo lento e gradual, mas que deve acontecer. Já Seewald afirma que, apesar do período de obras ter sido difícil para o comércio, o ambiente mais acolhedor chama o pedestre para o local e, com isso, os lojistas devem se recuperar do baixo movimento. “Temos agora uma bela rua que está funcionando bem para a nossa satisfação, em função da reforma. Vamos voltar à normalidade, mas aos poucos, não é do dia para a noite”, conta o presidente do Sindilojas.

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