Porto Alegre,

Publicada em 09 de Julho de 2026 às 16:41

Obras da Ferrovia do Trigo avançam e Trem dos Vales projeta volta dos passeios

Locomotiva G-8, fabricada nos Estados Unidos nos anos 1960, foi restaurada entre 2022 e 2023 especialmente para operar no Trem dos Vales

Locomotiva G-8, fabricada nos Estados Unidos nos anos 1960, foi restaurada entre 2022 e 2023 especialmente para operar no Trem dos Vales

Dani Barcellos/Especial/JC
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
As obras de recuperação da Ferrovia do Trigo, interrompida pelas enchentes de maio de 2024, avançam no trecho entre Muçum e Vespasiano Corrêa e apontam para a retomada dos passeios do Trem dos Vales até o final de 2026. Com 40% dos 18 quilômetros previstos para a primeira etapa já recuperados, a expectativa é concluir as obras em outubro e voltar a operar com passageiros em dezembro, segundo o presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales (Amturvales), Rafael Fontana.
As obras de recuperação da Ferrovia do Trigo, interrompida pelas enchentes de maio de 2024, avançam no trecho entre Muçum e Vespasiano Corrêa e apontam para a retomada dos passeios do Trem dos Vales até o final de 2026. Com 40% dos 18 quilômetros previstos para a primeira etapa já recuperados, a expectativa é concluir as obras em outubro e voltar a operar com passageiros em dezembro, segundo o presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales (Amturvales), Rafael Fontana.
O projeto conta com R$ 6,34 milhões do governo do Estado, repassados por meio de termo de parceria à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), entidade responsável pela execução das obras, com apoio da Rumo Logística na estruturação da recuperação. Os serviços incluem limpeza da faixa ferroviária, remoção de aterros que cederam durante os eventos climáticos, construção de canais para escoamento de água, recomposição de dormentes e trilhos, além de intervenções em 69 pontos com deslizamentos ao longo de toda a ferrovia. Cerca de 20% do trecho já permite a circulação de locomotiva após revisão da linha.
"Nós pretendemos finalizar essa obra em novembro. A perspectiva de dezembro é voltarmos com os passeios, mas ainda é cedo para marcar uma data definitiva. Em setembro, a gente já vai saber se está tudo em condições e, no início de outubro, com certeza confirmar a data de retorno", disse Fontana. A venda de bilhetes deve começar entre 45 e 60 dias antes da retomada, com possibilidade de passeios experimentais com convidados antes da abertura ao público.
Até agora, 40% dos 18 quilômetros já foram recuperados; Amturvales pretende bater o martelo sobre data da volta em outubro | Dani Barcellos/Especial/JC
Até agora, 40% dos 18 quilômetros já foram recuperados; Amturvales pretende bater o martelo sobre data da volta em outubro Dani Barcellos/Especial/JC
O trajeto turístico que será retomado inicialmente sai da Estação Ferroviária de Muçum, passa pela Ponte da Rocha e segue até o Viaduto 13, em Vespasiano Corrêa, o maior viaduto ferroviário da América do Sul, com 143 metros de altura e 509 metros de extensão. O passeio completo, que liga Muçum a Guaporé em 46 quilômetros com 23 túneis e 15 viadutos, segue sendo o objetivo de longo prazo. "Nós seguimos trabalhando para recuperar outros trechos e esperamos ter boas notícias em breve", afirmou Fontana.
A dimensão do que estava em jogo antes da interrupção dá a medida do que está em disputa com a retomada. Entre 2019 e 2023, o Trem dos Vales transportou mais de 112 mil passageiros. Em 2023, última temporada de operação, foram 32 mil bilhetes vendidos em apenas três meses, gerando cerca de R$ 10 milhões em movimentação econômica — com projeção de chegar a R$ 15 milhões em 2024, antes das enchentes. Mais de 78% dos visitantes vinham de fora do Vale do Taquari. "Na primeira temporada, tínhamos 5 mil lugares disponíveis e em 24 horas foram todos comercializados", lembrou Fontana.
Presidente da Amturvales, Rafael Fontana pontua que empreendimento impacta quase todas as 40 cidades da região | Dani Barcellos/Especial/JC
Presidente da Amturvales, Rafael Fontana pontua que empreendimento impacta quase todas as 40 cidades da região Dani Barcellos/Especial/JC
O impacto vai muito além dos bilhetes vendidos. Segundo a Amturvales, mais de 350 empreendimentos estão ligados ao roteiro, entre restaurantes, cafés, pousadas, hotéis, agroindústrias familiares, parques e mais de 200 agências de viagens parceiras, além de mais de 2 mil empregos gerados nos municípios do Vale do Taquari. "O trem se transformou no indutor do turismo do Vale. Ele impacta quase todas as 40 cidades da Amturvales, porque muitos turistas acabam permanecendo mais tempo e circulando por outras cidades da região", disse Fontana.
Um reforço simbólico chegou junto com as obras: a locomotiva G-8, fabricada nos Estados Unidos nos anos 1960, restaurada entre 2022 e 2023 especialmente para operar no Trem dos Vales, mas que teve sua vinda adiada pelas enchentes. Ela chegou agora e está sendo usada nas próprias obras de recuperação da ferrovia. A pintura do equipamento homenageia o 1º Batalhão Ferroviário de Lages, responsável pela construção original da ferrovia, com referências visuais ao Viaduto 13 e ao símbolo do batalhão. "Essa locomotiva acabou vindo agora para ajudar na reconstrução da mesma ferrovia que foi construída lá atrás", observou Fontana.

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