Com participação de 120 veículos, alguns com quase 100 anos de idade, o Rally dos Vinhedos acontece no sábado (11), em cidades da Serra Gaúcha. São mais de 200 participantes que percorrem um trajeto de 200 quilômetros entre Bento Gonçalves e São Marcos, seja junto a uma Vespa, um Fusca ou um Ford A dos anos 1920. O evento é um passeio cronometrado organizado pela Veteran Car Club dos Vinhedos inspirado na clássica corrida Mille Miglia, cujo percurso tem mil milhas e formato de oito, ligando Bréscia a Roma, na Itália.
Como a competição italiana, o Rally dos Vinhedos busca unir paisagens conhecidas com a gastronomia local e a preservação cultural de veículos antigos. No rally, o vencedor não é aquele que chega primeiro, explica o diretor do Veteran Car Club dos Vinhedos, Leandro Mazzoccato. De acordo com ele, vence quem mais pontuar, ou seja, o veículo que passar pelos marcos mais próximo do tempo determinado pela organização. Na largada, a cada 30 segundos sai um competidor, todos eles com um livro de bordo onde são informadas as médias horárias da competição.
Rally é voltado para o antigomobilismo, com veículos mais antigos sendo da década de 1920
Site Rally dos Vinhedos/Reprodução/Cidades
A corrida cronometrada inicia na manhã de sábado, no Fundaparque, em Bento Gonçalves, e segue até a cidade de São Marcos, onde os competidores param para um almoço colonial na Capela Caravaggio. Nesta primeira parte, o trajeto percorre a serra por Farroupilha, Caxias do Sul e no distrito de Criúva, com trechos de até 80 quilômetros por hora. À tarde, no caminho de volta, os competidores sairão em direção à Carlos Barbosa e Garibaldi.
Esta é a 13ª edição do evento, que surgiu em 2012, pouco depois da criação do Veteran Car Club dos Vinhedos em Bento Gonçalves. A iniciativa surgiu por parte de associados que já participavam de corridas em outros estados brasileiros e viram nas estradas da Serra Gaúcha uma oportunidade de unir ao antigomobilismo atrativos turísticos da região, como as baixas temperaturas do mês de julho, paisagens conhecidas e a gastronomia local, conta Mazzoccato. Hoje, de acordo com o clube, o Rally dos Vinhedos é considerado a maior prova de regularidade do Brasil.
Dos 120 veículos, cerca de 40 deles pertencem a participantes de fora do estado, vindos de São Paulo, Paraná ou até de Minas Gerais. Ao todo, os competidores vêm de 40 cidades diferentes, a maioria delas de fora da Serra Gaúcha. Ao mesmo tempo, o clima também foi um empecilho nas primeiras edições, conta Mazzoccato. O período é de alta temporada turística na região e parcerias hoje já consagradas com hotéis, restaurantes e vinícolas, foram mais difíceis de conseguir, afirma.
Além do diferencial proporcionado pela região do Estado, a competição busca fazer veículos antigos rodarem, explica o diretor do clube. Assim, o rally é uma tentativa de preservar a história de carros que estão há gerações em uma mesma família para que não fiquem parados e circulem em cidades e estradas. "É muito difícil a pessoa sair com um carro antigo em julho, com o frio. Quase impossível. Mas o passeio cronometrado proporciona isso. São carros de 30, 40, 50, 100 anos que vão estar rodando e a ideia é essa, fazer o carro ficar em movimento", conta Mazzoccato.
Passeio cronometrado percorre Região dos Vinhedos com marco de chegada em Garibaldi
Site Rally dos Vinhedos/Reprodução/Cidades
A corrida, relata o diretor, é repleta de histórias. Com participantes que retornam anualmente ao evento e se encontram também em outros eventos voltados ao antigomobilismo, a competição é cheia de tradições próprias, com duplas de pais e filhos, amigos e casais. Entre os competidores, Mazzoccato destaca Roberto Suga, presidente do conselho da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), que compete pela segunda vez com sua mãe, Edith Suga, de 99 anos. Mãe e filho disputam o rally com um Mercedes-Benz 280 modelo C de 1975 e recebem homenagem todos os anos, conta o diretor.
O impacto do evento no turismo da região também é significativo, afirma Mazzoccato. Segundo ele, como o público da corrida é, em sua maioria, famílias de turistas, a vinda até Bento Gonçalves faz com que conheçam a região, indo a outras cidades turísticas fora do percurso, como Canela e Gramado. Além de movimentarem a região dos vinhedos, como Bento e Garibaldi. "Com o rally impulsionamos um turismo histórico cultural, no qual os participantes vêm para o passeio, mas também deixam dinheiro nas cidades da Serra Gaúcha", afirma.