Porto Alegre,

Publicada em 19 de Dezembro de 2025 às 17:27

Energia e saneamento no Litoral Norte têm avanço gradual

Concessionárias divulgaram investimentos para a região ao longo de 2025

Concessionárias divulgaram investimentos para a região ao longo de 2025

TÂNIA MEINERZ/JC
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
O fornecimento de energia elétrica e de água no Litoral Norte do RS está no centro do debate público, diante do crescimento populacional, da forte sazonalidade do verão e do aumento de eventos climáticos extremos. De um lado, a CEEE Equatorial detalha investimentos em rede, automação e manutenção para reduzir falhas e o tempo de interrupções no abastecimento de energia, relatados pelo superintendente técnico da empresa, Sérgio Valinho. De outro, o gerente de relações institucionais da Corsan Aegea para a região, Luciano Brandão, apresenta obras de ampliação da infraestrutura de água e esgotamento sanitário e esclarece o uso do Rio Tramandaí como ponto de lançamento de efluentes tratados. As duas abordagens ajudam a dimensionar avanços, gargalos e controvérsias que impactam diretamente moradores, veranistas e gestores públicos da região.
O fornecimento de energia elétrica e de água no Litoral Norte do RS está no centro do debate público, diante do crescimento populacional, da forte sazonalidade do verão e do aumento de eventos climáticos extremos. De um lado, a CEEE Equatorial detalha investimentos em rede, automação e manutenção para reduzir falhas e o tempo de interrupções no abastecimento de energia, relatados pelo superintendente técnico da empresa, Sérgio Valinho. De outro, o gerente de relações institucionais da Corsan Aegea para a região, Luciano Brandão, apresenta obras de ampliação da infraestrutura de água e esgotamento sanitário e esclarece o uso do Rio Tramandaí como ponto de lançamento de efluentes tratados. As duas abordagens ajudam a dimensionar avanços, gargalos e controvérsias que impactam diretamente moradores, veranistas e gestores públicos da região.
 

Problemas com energia elétrica estão diminuindo, afirma Valinho

Segundo o superintendente, duração média de interrupções caiu quase pela metade

Segundo o superintendente, duração média de interrupções caiu quase pela metade

Edu Rocha/CEEE Equatorial/Divulgação/Cidades
 
Jornal Cidades - Prefeitos do Litoral Norte relatam dificuldades no relacionamento com a CEEE Equatorial. Como a empresa se organiza para atender os municípios?
Sérgio Valinho - A empresa possui uma área específica de relacionamento com clientes, incluindo um time dedicado ao poder público. Há reuniões periódicas com prefeitos, participação em audiências públicas e acompanhamento técnico contínuo dos sistemas elétricos. As demandas recebidas orientam os planos de manutenção e investimento. No Litoral Norte e Sul, há dois consultores dedicados, e os indicadores de frequência e duração de interrupções são monitorados e apresentados trimestralmente à Agergs e à Aneel. Esses dados também são compartilhados com as prefeituras. Estamos longe ainda de chegar no estado da arte, ainda temos um caminho a percorrer, mas os problemas estão diminuindo, e em 2025 a empresa já alcançou metas previstas apenas para 2026 no contrato de concessão.
Cidades - Prefeitos, como o de Capão da Canoa, citam entraves em obras viárias e pedidos de ligação. Como a CEEE lida com isso?
Valinho - É fundamental que os municípios apresentem previamente seus projetos à distribuidora. Quando a interferência é tratada ainda na fase de planejamento, a execução ocorre de forma mais eficiente. Corrigir problemas apenas durante a obra torna o processo mais complexo.
Cidades - Quais investimentos explicam a evolução recente do sistema elétrico no Litoral Norte?
Valinho - Em cidades como Tramandaí, a população chega a multiplicar por 10 no verão, o que pressiona todos os sistemas urbanos. Em quase quatro anos, a Equatorial investiu cerca de R$ 300 milhões no Litoral Norte, sendo R$ 50 milhões apenas em 2025. O foco inicial foi aumentar a potência das subestações, que estavam em sobrecarga quando a empresa assumiu a concessão. A rede herdada era frágil e envelhecida, resultado de investimentos historicamente insuficientes. Desde então, a companhia tem investido, em média, R$ 700 milhões por ano no Estado, chegando a R$ 1 bilhão em 2025, para recuperar esse passivo. No Litoral Norte, já foram corrigidos cerca de 25 mil defeitos e substituídos mais de 2 mil postes, além da instalação de cerca de 120 religadores automáticos.
Cidades - E como isso se reflete nos indicadores de interrupção?
Valinho - Na região do Litoral Norte, a duração média das interrupções caiu de cerca de 15 horas, em outubro de 2024, para 8 horas em novembro de 2025. A frequência média passou de 6,5 para 3,6 interrupções no período de 12 meses. Parte dessas interrupções é programada, para execução de melhorias. Em Tramandaí, a duração caiu de quase 22 para 13 horas; em Balneário Pinhal, de quase 20 para 9 horas. Esses dados são auditados e apresentados regularmente à agência reguladora e às prefeituras.
Cidades - Qual o impacto das mudanças climáticas no setor elétrico?
Valinho - O setor elétrico historicamente focava na expansão da rede, mas hoje a exigência por qualidade é maior, em função do uso intensivo de equipamentos. As redes não foram projetadas para ventos extremos, que hoje chegam a 120 ou 130 km/h. A empresa revisou seus planos de contingência e reduziu e o tempo de restabelecimento após eventos severos, de até 15, 20 dias para dois ou três dias. Isso exige estruturas mais robustas, o que eleva os custos operacionais.

Corsan Aegea pretende ampliar cobertura de esgoto para 35% de cada município até 2028

Para Brandão, a principal causa para a falta d'água no Litoral Norte era a queda na energia elétrica

Para Brandão, a principal causa para a falta d'água no Litoral Norte era a queda na energia elétrica

Corsan Aegea/Divulgação/Cidades
Jornal Cidades – Quais investimentos a Corsan/Aegea realizou no Litoral Norte em 2025?
Luciano Brandão – A atuação segue o Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026), que prevê universalização da água (99%) e do esgoto (90%) até 2033 nas áreas urbanas. Em 2025, os investimentos em obras no Litoral Norte somaram R$ 102 milhões, voltados à ampliação de redes de água e esgoto, estações de tratamento, elevatórias e infraestrutura. A água já atinge praticamente 99% de cobertura; o maior desafio é o esgotamento sanitário.
Cidades – Por que ainda ocorre falta de água no verão?
Brandão – A principal causa histórica era a falta de energia elétrica. Para reduzir impactos, a empresa ampliou o uso de geradores: 23 no verão 2023/24, 28 em 2024/25 e 53 previstos para 2025/26. Isso vem reduzindo drasticamente desabastecimentos prolongados, hoje restritos a casos pontuais como rompimentos de rede ou falhas de equipamentos. A preparação para o verão ocorre o ano todo. Após cada temporada, há análise técnica e planejamento do verão seguinte, com manutenção preventiva, substituição de redes e garantia de equipamentos reserva em todas as instalações, o que permite uma rápida resposta a falhas. Com isso, mesmo em quedas de energia, o abastecimento tem sido mantido.
Cidades – Qual a perspectiva para ampliar a cobertura de esgoto na região?
Brandão – As obras retomadas desde 2023 seguem sem interrupção até o cumprimento das metas. Há metas intermediárias de cerca de 35% até 2028 para a maioria dos municípios costeiros. Os avanços variam conforme o histórico local; Torres, por exemplo, já tinha 73% no início de 2025. Em Imbé, a entrada em operação de nova ETE permitirá elevar a cobertura de 1% para até 16% em 2026. A meta final de 90% até 2033 será cumprida.
Cidades – Como a Aegea vem reagindo a processos e manifestações relativos à construção do emissário submarino que lançará efluentes no rio Tramandaí?
Brandão – Os pontos de lançamento constam de planos de bacia há mais de uma década e passaram por estudos técnicos, inclusive com participação acadêmica, resultando no licenciamento da Fepam. Trata-se de efluente tratado, com padrões mais restritivos no Litoral Norte. O método atual, baseado em fossas, filtros e sumidouros, ou mais antigamente nem isso, já contamina o lençol freático, impactando rios, lagoas e o mar.
Cidades – Como é o diálogo com prefeitos e entidades contrários ao projeto?
Brandão – O diálogo é permanente. Apesar de ações judiciais desde 2024, não houve liminares que barrassem o projeto, que segue com respaldo legal e ambiental, com responsabilidade técnica e compromisso com a preservação ambiental.

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