O município de Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari, concluiu o primeiro estudo hidrológico da região, detalhando os riscos e desafios que a urbanização pode impor ao meio ambiente, principalmente em relação à convivência com os recursos hídricos e aos eventos de inundação e deslizamento. A apresentação dos resultados ocorreu no auditório do Centro Administrativo, reunindo mais de 40 pessoas, entre autoridades municipais, empresários da construção civil, do setor imobiliário e representantes do Conselho de Meio Ambiente.
A empresa responsável pelo estudo foi a Ambiel Assessoria e Licenciamento Ambiental, que conduziu uma análise da Bacia Hidrográfica do Arroio Moinhos-Saraquá, responsável pelo escoamento de águas pluviais e pela drenagem urbana de Santa Clara do Sul. As primeiras atividades de campo ocorreram entre os dias 3 e 13 de julho, envolvendo entrevistas com moradores sobre históricos de inundações, além de medições e levantamento de dados sobre as estruturas de drenagem existentes.
Além de mapear as áreas suscetíveis a inundações, o estudo propôs diretrizes para o desenvolvimento urbano seguro. Segundo o levantamento, 18,04% do território do município é considerado sem suscetibilidade a deslizamentos, enquanto 37,22% apresenta baixa suscetibilidade, áreas nas quais o crescimento urbano é viável desde que realizado com medidas de precaução. Já as áreas com média e alta suscetibilidade, totalizando cerca de 44,75% do território, foram identificadas como zonas críticas, onde o desenvolvimento urbano deve ser controlado ou evitado.
Com uma área de quase 22 quilômetros quadrados, o arroio Moinhos-Saraquá apresenta alta sensibilidade a chuvas intensas, conforme indicam as projeções realizadas. Em um cenário extremo, com chuva de 300 milímetros em apenas duas horas, o pico de vazão poderia ultrapassar 700 m³/s em pouco mais de uma hora, causando uma "hiper enxurrada" que traria graves consequências para áreas urbanizadas e propriedades localizadas em zonas suscetíveis. Um segundo cenário extremo, projetado com precipitação de 600 mm em 24 horas, estimou picos de vazão de 800 m³/s em 12 horas, exigindo respostas rápidas para minimizar possíveis danos à vida e ao patrimônio.
Outro ponto relevante foi a identificação de 24 áreas de deslizamento no município, destacando o impacto das recentes chuvas e as vulnerabilidades do solo em determinadas zonas, especialmente em áreas com maior declividade. O estudo também apresentou diretrizes essenciais para a gestão de riscos e adaptação às mudanças climáticas em Santa Clara do Sul.
Entre as recomendações está a implementação de medidas como sistemas de drenagem sustentáveis, criação de Áreas de Proteção Permanente (APPs) ao longo dos cursos d'água, monitoramento contínuo das condições hidrometeorológicas e educação ambiental. Além disso, sugere-se que o Plano Diretor da cidade seja atualizado para incorporar essas diretrizes e regulamentar o uso do solo de forma mais rigorosa em áreas de risco.