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Publicada em 31 de Outubro de 2024 às 17:13

Os Cães de Guerra que roubaram as atenções na temporada hípica de Bagé

Temporada Hípica 2024 em Bagé.

Temporada Hípica 2024 em Bagé.

Comunicação Social da 3ª Bda C Mec
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A segurança em quatro patas, faro e instinto. Os Cães de Guerra do 3º Pelotão de Polícia Mecanizada foram uma das atrações durante a Temporada Hípica de Bagé, ocorrida entre os dias 11 e 13 de outubro, no Círculo Militar. Na Rainha da Fronteira, o time é composto por três cachorros, com idades entre um ano e meio e seis anos, vindos de Osasco, no estado de São Paulo. A rotina de treinamento é diária e alternada, já que, durante o período de adaptação, os próprios cães vão descobrindo suas aptidões e se destacando para uma única função ou para mais atividades.
A segurança em quatro patas, faro e instinto. Os Cães de Guerra do 3º Pelotão de Polícia Mecanizada foram uma das atrações durante a Temporada Hípica de Bagé, ocorrida entre os dias 11 e 13 de outubro, no Círculo Militar. Na Rainha da Fronteira, o time é composto por três cachorros, com idades entre um ano e meio e seis anos, vindos de Osasco, no estado de São Paulo. A rotina de treinamento é diária e alternada, já que, durante o período de adaptação, os próprios cães vão descobrindo suas aptidões e se destacando para uma única função ou para mais atividades.
Nascidos no âmbito militar, há três centros de reprodução no Exército Brasileiro. De acordo com o sargento Rios, do 3º Pelotão de Polícia Mecanizada, os reprodutores estão em Brasília, Manaus e Osasco. Por uma questão de distância, os cães que vêm para Bagé são do estado de São Paulo e são pré-selecionados até chegar ao destino final. “Mas, ainda assim, tem um acompanhamento, porque a gente recebe eles filhotes. Há um acompanhamento para verificar a evolução do cachorro para ver se ele está respondendo ao que a gente espera dele. Normalmente, ele já vem com uma determinada personalidade”, explica.
Para quem pensa que só pastores alemães podem exercer a atividade, existem outras habilidades que compõem os requisitos para ser um cão de guerra. “A gente procura mais do que a raça, como, por exemplo, a índole do cão, a personalidade do cachorro, se ele gosta de trabalhar, o comportamento dele”, exemplifica o Sargento ao afirmar que, de modo geral, algumas raças são mais aptas ao trabalho. “Como o Pastor Alemão, o Pastor Belga, que a gente tem lá. Essas raças são mais adaptáveis ao trabalho, mas depende muito da função. Existem outras que funcionam muito bem”.
Outro quesito que apresenta-se fundamental, para além da raça, é a genética. De acordo com o soldado Desordi, “têm cães que são Pastor Alemão, mas que não têm uma genética tão boa. No entanto, a gente sempre procura buscar os melhores cães para estar atuando nessa área”.
Neste ponto, o equilíbrio é fundamental. “A gente trabalha algumas valências do cão, que é ser destemido, ser um cão controlado, não ser um cão muito agressivo. Também não ser aquele cachorro passivo, que não quer nada, que só fica parado, não tem vontade de trabalhar”, pondera Rios. Contudo, vale destacar que existe uma linha tênue entre as expectativas e o resultado. “A gente consegue trabalhar isso no cachorro e melhorar essas valências. Mas, dependendo da personalidade, pode trabalhar muito em cima daquilo e não cumprir o que a gente deseja, não chegar ao ponto que a gente necessita”.

Os três Cães de Guerra da Rainha da Fronteira
Dotados de valentia e competência, a equipe atual, que acompanha o 3º Pelotão de Polícia Mecanizada, têm em sua rotina treinamentos específicos, tendo em vista que suas funções são distintas. O soldado, que acompanha essa rotina, reflete sobre as habilidades dos cães e a importância de um acompanhamento pontual. “A gente tem cão que faz guarda e proteção, cão que faz faro e entorpecente, cão que faz faro e armamento. Não vai ser a mesma rotina de treino. Tem que dar uma variada até para o cão não ficar assimilando os mesmos treinos. Assim, todos os dias a gente treina, mas, também, diariamente são treinos diferentes”. Para conhecer um pouco sobre eles, o sargento Rios explica as aptidões de cada um:
A mais nova, Íris, tem um ano e meio, e faz faro de armamento e munição e está iniciando na guarda e proteção. Por ser um cão pequeno e pesado, ainda é considerado filhote. “Ela está desenvolvendo essa parte, mas ela faz a sua função bem. A gente está esperando ela ganhar um pouco mais de tamanho e força para conseguir cumprir o objetivo”.
Com cinco anos, a Ace é a segunda mais velha da equipe. “Ela é um cão de faro de entorpecentes, e é muito boa no que faz. Inclusive, a gente brinca que faro é a única coisa que ela gosta de fazer e ela faz muito bem essa parte”.
O mais velho, com seis anos, é o Dardo. Veterano na equipe, “é o nosso cão de duplo emprego: ele faz faro de entorpecentes e faz guarda e proteção”.

Saúde e responsabilidade
Esta análise sobre a raça, genética, personalidade, desenvolvimento de habilidades e desenvoltura para trabalhar também está entrelaçada à saúde do animal. Em alguns casos, quando não há condições de exercer a função, o cachorro não se torna um Cão de Guerra. “Tem cães que vêm para nós que, às vezes, têm algum problema de saúde; durante um período, passamos a avaliá-los. Se eles não servirem para o trabalho, se tiver uma doença muito grave, solicitamos outro cão, porque aquele não poderá exercer o trabalho”, contou Desordi.
Após uma vida de trabalho, os cães passam para a inatividade, que é o descanso e despedida de suas funções. O Sargento Rios relembra que esse tempo de trabalho, antes pré-determinado, agora é focado na saúde do animal e a avaliação é realizada por um profissional da área. “Inicialmente, nós tínhamos uma resolução de que a vida e o trabalho dele eram de oito anos. Agora, ele trabalha até a médica veterinária determinar qual é o limite do cachorro, indicando que já está na hora dele descansar”.
Depois de tanto tempo de missões e tarefas, a ‘aposentadoria’ do cão também é tratada com delicadeza e cuidado. Há, portanto, uma hierarquia que prioriza o destino do cachorro. Quando ele vai passar para a inatividade, a prioridade é do condutor dele, de quem formou aquele cachorro. “Essa é a nossa ordem de prioridade. Primeiro, quem é o binômio (condutor do cão), que é o militar que trabalha primeiro com o cão, é o seu formador. Depois, caso não haja possibilidade, por algum motivo pessoal, vem a prioridade para outros militares”. Independente do lar, os heróis de quatro patas, responsáveis por contribuir com a segurança da população, cumprem suas jornadas e ganham uma casa para aproveitar o tão merecido descanso. 
Esse conteúdo faz parte do JC Sul, com produção de conteúdos diários em Pelotas, Bagé e Rio Grande

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