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Publicada em 30 de Outubro de 2026 às 09:48

Analistas ligam Coreia do Norte a ataque hacker de US$ 6,3 bi na Binance

Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, diz que todas as perdas serão cobertas

Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, diz que todas as perdas serão cobertas

REUTERS/Divulgação/JC
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Agências
Uma empresa de inteligência em blockchain sediada nos Estados Unidos afirmou que uma unidade norte-coreana provavelmente esteve por trás do ataque hacker que desviou cerca de US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo. A empresa Binance disse que trabalhou com parceiros de blockchain para congelar aproximadamente US$ 3 bilhões em ativos afetados. A empresa afirmou ainda que os depósitos não foram impactados, mas que os saques foram suspensos e devem ser retomados nos próximos dois dias. Segundo a corretora, todas as perdas serão cobertas.
Em postagem no X nesta sexta-feira (30), a Binance informou que uma investigação inicial indicou a possibilidade de envolvimento de um laptop comprometido, mas que análises posteriores identificaram "pontos adicionais de violação". A TRM, em publicação em seu site na quinta-feira (29), atribuiu o episódio como o maior roubo de criptomoedas já registrado. "Fazemos esse julgamento com alto grau de confiança", afirmou. "Um invasor moveu aproximadamente US$ 6,36 bilhões para fora de carteiras da Binance em dez blockchains, a maior parte em cerca de 20 minutos", disse a TRM.
Em fevereiro do ano passado, a Bybit sofreu um golpe de US$ 1,5 bilhão. O FBI afirmou que a Coreia do Norte e o TraderTraitor foram responsáveis pelo ataque. "Várias características deste caso se alinham a roubos anteriores ligados à Coreia do Norte, incluindo o hack da Bybit", disse a TRM. A empresa de análise Chainalysis também avaliou que o hack da Binance "provavelmente foi feito pelo grupo TraderTraitor, da RPDC", escreveu no X o cofundador e CEO Jonathan Levin. RPDC é a sigla de República Popular Democrática da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte.
Questionada sobre as possíveis ligações com a Coreia do Norte, a Binance disse apenas que está "trabalhando em estreita colaboração com parceiros de aplicação da lei para confirmar a identidade dos criminosos e levá-los à Justiça". Especialistas afirmam que a Coreia do Norte tem recorrido a ataques contra criptoativos e a outras atividades cibernéticas ilícitas para obter divisas, sustentar a economia em dificuldades e financiar o programa nuclear, em meio a sanções da ONU.
Em dezembro de 2022, a agência de inteligência da Coreia do Sul estimou que hackers norte-coreanos roubaram 1,5 trilhão de won (US$ 1,1 bilhão) em criptomoedas e outros ativos virtuais nos cinco anos anteriores, mais da metade apenas em 2022, e avaliou que a capacidade do país para roubar ativos digitais está entre as maiores do mundo.
Changpeng Zhao, conhecido como CZ, fundou a Binance em 2017. Em 2023, ele se declarou culpado por um crime ligado à falha em impedir lavagem de dinheiro na plataforma e deixou o cargo de CEO. Em 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, concedeu perdão a Zhao. Zhao escreveu no X que "os fundos dos usuários estão seguros", mas acrescentou que o desvio "parece mesmo um hack na Binance". Disse ainda que, embora não administre mais a empresa, "como acionista, espero que todos os fundos dos usuários sejam integralmente cobertos".
O episódio também levanta dúvidas sobre por que controles de aprovação mais robustos não estavam em vigor, segundo Kok Tin Gan, cofundador e CEO da empresa de cibersegurança NyxLab. "Parece uma assinatura que deu ao atacante um token de acesso total e sem expiração a uma hot wallet (carteira conectada à internet) da Binance", afirmou, referindo-se a carteiras conectadas à internet. A Binance disse no X que não encontrou "nenhuma evidência de vazamento de chaves privadas de carteiras" e que divulgará mais detalhes técnicos quando a apuração for concluída. 

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