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Publicada em 19 de Setembro de 2026 às 11:04

Estados Unidos podem impor novas sanções a pessoas e empresas no Brasil ligadas ao PCC e ao CV

Presidente norte-americano, Donald Trump, vem cobrando adoção de ações contra facções criminosas

Presidente norte-americano, Donald Trump, vem cobrando adoção de ações contra facções criminosas

Brendan SMIALOWSKI/AFP/JC
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Agências
Alvos no Brasil podem sofrer nas próximas semanas sanções dos Estados Unidos ligadas ao combate às facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). As investigações americanas para embasar a ação têm sido intensas, segundo autoridades que acompanham o tema ouvidas pela reportagem com a condição de não terem os nomes divulgados.
As sanções podem recair sobre indivíduos, empresas ou instituições, inclusive com atuação política, cujos integrantes tenham alguma conexão com as facções brasileiras. Essa eventual rodada de sanções seria sustentada por um esforço de monitoramento que vem sendo feito há alguns meses, com suporte do departamento do Tesouro e da Justiça e do FBI (espécie de polícia federal americana).
Investigadores têm se dedicado a rastrear o caminho do dinheiro do PCC e do CV nos Estados Unidos. Depois de identificar origens e destinos nos fluxos de transações no território americano, passaram a ser feitos também cruzamentos de dados para identificar relações com residentes no Brasil e suas conexões locais. A leitura é que já há uma sinalização dessa intenção na queixa pública feita pela gestão de Donald Trump de que o governo brasileiro "falhou em confrontar" PCC e CV.
Na terça-feira (15), a Casa Branca enviou documento ao Congresso norte-americano onde destacou essa análise. Segundo o texto, as duas facções "transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína" e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais.
A gestão Trump afirmou ainda que o governo brasileiro precisa tomar "medidas agressivas" para combater e derrotar os grupos. O Brasil rebateu as críticas na quarta-feira (16). Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula (PT) afirmou que a gestão Trump ignora iniciativas brasileiras na área, além de não considerar a cooperação já existente entre os dois países.
Disse ainda que vai seguir atuando "de forma soberana e coordenada" no enfrentamento das facções, em meio à percepção nos bastidores de que a posição americana tem caráter político-eleitoral.
No primeiro semestre, os Estados Unidos enquadraram PCC e CV em duas categorias ligadas ao terrorismo - a SDGT (terrorista global especialmente designado) e FTO (organização terrorista estrangeira). As duas medidas ampliaram os instrumentos para autoridades americanas poderem bloquear ativos e punir pessoas e empresas que mantenham determinadas relações com as facções.
A decisão veio após o então senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), agora candidato à Presidência, se encontrar com Trump e outros membros do governo norte-americano, como Marco Rubio, do Departamento de Estado (equivalente ao Ministério de Relações Exteriores), e J. D. Vance, vice-presidente dos EUA.
A primeira ação dentro da nova abordagem ocorreu em 1º de julho. Naquele dia, o governo norte-americano anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa apontados pelas investigações nos EUA como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
As medidas foram anunciadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), órgão vinculado ao Tesouro americano. O Brasil tem realizado operações contra as duas facções. Além do combate direto ao tráfico de drogas, há ações contra a presença dos dois grupos criminosos em setores da economia e na política.
Na quinta-feira (17), por exemplo, foi deflagrada a Operação Vectura Corrupta, ação conjunta da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo. Segundo a investigação, 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas pelo PCC.
A Justiça autorizou 16 prisões temporárias, incluindo contra políticos. Entre os alvos estava Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, apontado na investigação como responsável pela operação de algumas das empresas que seriam controladas pelo PCC. Ele foi preso nesta sexta-feira (18).
Depoimentos de policiais militares também o apontam como dono de fato da Transwolff, uma das empresas suspeitas de ligação com a facção. Milton negou as acusações e disse não ter ligação com o PCC.

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