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Publicada em 06 de Dezembro de 2024 às 15:59

Acordo UE-Mercosul ganha aplausos e vaias entre os países europeus

Ursula afirmou que serão quatro bilhões a menos de tarifas para as companhias europeias

Ursula afirmou que serão quatro bilhões a menos de tarifas para as companhias europeias

Eitan ABRAMOVICH/AFP/JC
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Folhapress
Em Montevidéu, nesta sexta-feira (6), Ursula von der Leyen teve que gastar parte do seu discurso para se dirigir ao seu lado do Atlântico. Após listar uma série de benefícios que o acordo UE-Mercosul pode trazer para os negócios do continente, a presidente da Comissão Europeia declarou que "esta é a realidade". "Quatro bilhões a menos de tarifas para as companhias europeias, abertura de mercado, oportunidades e empregos."
Em Montevidéu, nesta sexta-feira (6), Ursula von der Leyen teve que gastar parte do seu discurso para se dirigir ao seu lado do Atlântico. Após listar uma série de benefícios que o acordo UE-Mercosul pode trazer para os negócios do continente, a presidente da Comissão Europeia declarou que "esta é a realidade". "Quatro bilhões a menos de tarifas para as companhias europeias, abertura de mercado, oportunidades e empregos."
Se o acordo é um "blockbuster", como descreveu o Financial Times, ele também "compromete a Comissão Europeia", ponderou o Le Monde, reproduzindo uma declaração do governo francês. Esses e outros argumentos para a segunda fase da contenda, a aprovação do tratado dentro da burocracia europeia, farão parte de uma intensa disputa nos próximos meses.
Segundo a Comissão, o processo continua agora com a tradução do tratado assinado para as 24 línguas oficiais do bloco e a análise dos aspectos legais. Se a parte comercial for separada dos demais tópicos do documento, ela não precisará de aprovação nos Parlamentos dos países-membros, algo que de fato nunca aconteceria.
Vários países do bloco, em maior ou menor grau, se opõem ao tratado. França, Polônia, Áustria e Holanda ganharam nas últimas horas adesão parcial da Itália. Consolidado, o grupo teria forças de barrar o processo também no caminho simplificado: com no mínimo quatro países e representando ao menos 35% da população, uma dissidência pode vetar o assunto no Conselho Europeu, também chamado de Conselho de Ministros.
Na outra instância necessária à aprovação, o Parlamento Europeu, em tese o acordo seria aprovado com facilidade. A pressa de Ursula para fechar o documento possível com os sul-americanos vinha sendo criticada por alguns setores econômicos e países. Para a França, maior produtor agrícola da Europa e mais suscetível às manifestações de fazendeiros, a Comissão extrapolou seu papel.
Em entrevista coletiva, Olof Gill, porta-voz da entidade para Agricultura e Comércio, afirmou, horas antes do anúncio do acordo, que Von der Leyen tinha mandato para fazê-lo. "Todos os tratados carregam um drama político. Isso é comum nesse tipo de negociação. Mas posso garantir que a Comissão cumpriu plenamente seu papel e no prazo."
Gill afirmou que a decisão de dividir o acordo, se ocorresse, também caberia à Comissão e que isso é uma praxe antiga. "Os países-membros decidiram que esse tipo de negociação seria feito coletivamente através da Comissão. Não há novidade aqui."
Ursula dedicou parte de seu discurso aos fazendeiros europeus, afirmando que "seu modo de vida será respeitado". "Estamos trabalhando nisso", completou, dando a entender que pode aumentar as salvaguardas à atividade na Europa. O setor já é o que consome a maior parte dos subsídios do continente.
Agricultores franceses, que já haviam marcado para segunda-feira (9) uma nova rodada de protestos, declararam que os atos ficarão "mais duros". As manifestações devem ocorrer também em outros países. O movimento encontra eco também nos partidos de direita e extrema direita em ascensão no continente, que usam as regulações ambientais como plataforma eleitoral. Seriam excessivas, punindo em geral quem tem menos recursos, como os fazendeiros.
A questão agrícola seria também o motivo de a Itália sinalizar que pode compor a dissidência com a França. A premiê, Giorgia Meloni, encara porém um momento de crise econômica em seu país, que não lhe permitirá ignorar argumentos como bilhões a mais em investimentos.

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