Israel sofreu, nesta quarta-feira (2), as primeiras baixas na sua invasão terrestre contra o grupo Hezbollah no Sul do Líbano, mesmo dia em que começou a enviar forças regulares para engrossar a operação. Ao menos oito soldados de unidades de elite morreram em locais não revelados.
As mortes ocorreram enquanto o Oriente Médio se prepara para a reação israelense ao ataque que o Estado judeu sofreu na terça-feira (1º), quando o Irã, patrocinador dos extremistas libaneses, lançou quase 200 mísseis balísticos contra alvos militares no país.
Teerã havia dito mais cedo que finalizou os trabalhos, que visavam vingar a morte de dois importantes aliados, os líderes do Hamas e do Hezbollah, em ações israelenses nos dois últimos meses. Mas advertiu Tel Aviv que reagiria se houver uma réplica.
Ela virá, não há dúvida - vide a fala de autoridades como o premiê Benjamin Netanyahu - restando saber se na jugular do regime, seu estimado programa nuclear, ou no bolso, a indústria petrolífera do país. A mídia israelense especula que a decisão, a ser coordenada com os Estados Unidos, pode ser tomada a qualquer momento.
A chancelaria iraniana, ciente dos rumores, voltou a dizer que não tem interesse numa guerra ainda mais ampla - embora o nível atingido a essa altura já seja o de um conflito regional incipiente.
Enquanto isso, Tel Aviv anunciou ter enviado elementos de batalhões de infantaria para o Norte israelense, tirando o caráter de incursões com forças especiais da operação que começou na segunda, três dias depois de ter explodido o bunker em que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, estava escondido em Beirute.
Embora não tenha divulgado detalhes do que ocorreu, as oito mortes envolvem unidades como o Batalhão Golani, uma das forças mais capazes e experiente do Exército israelense. Isso sugere que eles estavam envolvidos nas operações precursoras contra o Hezbollah.
Israel também continuou com sua ação aérea, que nas duas últimas semanas reduziu de forma significativa a capacidade de lançamento de mísseis e foguetes do Hezbollah. O Exército fala em 50% de degradação, mas isso não é possível de ser verificado e, se for verdade, ainda deixa um enorme arsenal de talvez 80 mil armamentos na mão dos libaneses.