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Publicada em 23 de Julho de 2024 às 15:43

Hamas e Fatah assinam acordo para formar governo de unidade após fim da guerra

Conflito de grupos palestinos com Israel já soma mais de 39 mil vítimas

Conflito de grupos palestinos com Israel já soma mais de 39 mil vítimas

Eyad BABA/AFP/JC
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Folhapress
Os grupos palestinos Hamas e Fatah, que regem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, respectivamente, assinaram nesta terça-feira (23) um acordo no qual concordam em encerrar suas divisões e formar um governo de unidade nacional provisório após o fim do conflito com Israel, iniciado em outubro do ano passado.
Os grupos palestinos Hamas e Fatah, que regem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, respectivamente, assinaram nesta terça-feira (23) um acordo no qual concordam em encerrar suas divisões e formar um governo de unidade nacional provisório após o fim do conflito com Israel, iniciado em outubro do ano passado.
O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores da China, onde o diálogo se desenrolava desde o último domingo (21). O primeiro encontro aconteceu em abril, e a segunda rodada de conversas, originalmente planejada para o mês passado, foi adiada após rusgas entre os dois grupos.
A negociação, que envolve os rivais mais notórios e outros 12 grupos, tem o potencial de encerrar uma luta pelo poder que se arrasta há 17 anos — a rivalidade entre ambos os movimentos remonta a 2007, quando o Hamas expulsou o Fatah da Faixa de Gaza após enfrentamentos entre combatentes dos dois grupos deixarem dezenas de mortos e feridos no território palestino.
Mesmo após a expulsão, o Fatah continuou controlando politicamente a Autoridade Palestina, espécie de governo de transição da Palestina estabelecido em acordo com a comunidade internacional e liderado por Mahmoud Abbas.
Esforços anteriores do Egito e de outros países árabes para reconciliar os grupos, porém, falharam em encerrar a disputa. Portanto, resta saber se o acordo, que não estabelece um prazo para a formação do novo governo, sobreviverá às realidades no terreno.
O encontro foi celebrado em meio a tentativas de mediadores internacionais de alcançar um acordo de cessar-fogo para Gaza. Um dos principais pontos de discórdia é "o dia seguinte" ao conflito — ou seja, como o território governado pelo Hamas será administrado uma vez que a guerra termine.
Hussam Badran, funcionário de alto escalão do grupo, disse que o governo gerenciaria assuntos dos palestinos em Gaza e na Cisjordânia, supervisionaria a reconstrução do território em guerra e prepararia condições para eleições. "Isso cria uma barreira formidável contra todas as intervenções regionais e internacionais que buscam impor realidades contra os interesses de nosso povo", disse ele.
Hamas e Jihad Islâmico não são membros da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), o órgão de decisão mais alto dos palestinos, mas exigem que qualquer acordo de unidade inclua a realização de uma eleição para o Parlamento do órgão para garantir sua inclusão.

Repercussão

Enquanto a facção terrorista não abre mão de se manter no poder em Gaza, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, vem afirmando repetidamente que a guerra vai continuar até que o grupo seja aniquilado.
"Hamas e Fatah assinaram um acordo na China com vistas a um controle conjunto de Gaza depois da guerra. Em vez de rejeitar o terrorismo, Mahmoud Abbas abraça os assassinos e estupradores do Hamas e mostra sua verdadeira face", escreve no X o chanceler israelense, Israel Katz. "Isso não ocorrerá, porque o poder do Hamas será esmagado, e Abbas observará Gaza de longe."
Do ponto de vista da China, a negociação foi mais uma vitória diplomática do país na política do Oriente Médio, que agora se une ao acordo de paz entre Arábia Saudita e Irã, inimigos históricos da região, assinado no ano passado e também mediado por Pequim.
Nos últimos meses, a China, que historicamente mostra simpatia aos palestinos ao mesmo tempo em que mantém boas relações com Tel Aviv, intensificou a defesa da causa em fóruns internacionais e passou a pedir uma conferência de paz entre israelenses e palestinos. O gigante asiático quer se posicionar como um ator mais neutro que os Estados Unidos, aliado de Israel.
"A China espera sinceramente que as facções palestinas alcancem a independência o mais cedo possível com base na reconciliação interna, e está disposta a fortalecer a comunicação e coordenação com as partes relevantes para trabalhar juntas para implementar a Declaração de Pequim alcançada hoje", disse o chanceler chinês, Wang Yi, durante a cerimônia de encerramento.

A Guerra

O conflito em Gaza já deixou mais de 39 mil mortos, em sua maioria civis, e 90 mil feridos, além de uma grave crise humanitária causada pelo bloqueio que Tel Aviv impôs ao território palestino após o início do conflito. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 1,9 milhão de pessoas estão deslocadas (mais de 80% da população de 2,3 milhões antes da guerra) e a fome se alastra pelo território.
O conflito começou após o Hamas liderar um ataque no sul de Israel que matou cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis, e sequestrou aproximadamente 250 pessoas, segundo Tel Aviv.
O Ministério da Saúde de Gaza afirmou que, na última segunda-feira (22), novos bombardeios de Israel mataram 70 pessoas, incluindo mulheres e crianças, em Khan Yunis, cidade no sul do território que é alvo de uma nova ordem de retirada de civis.
Os bombardeios ocorreram enquanto Netanyahu seguia para Washington, onde fará um discurso no Congresso na próxima quarta-feira (24). Ao sair de Israel, o líder afirmou que se trata de uma "viagem muito importante", em um momento de "grande incerteza política" devido à decisão do presidente americano, Joe Biden, de não se candidatar à reeleição no pleito de novembro.

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