Em visita a Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o premiê de Portugal, o socialista António Costa, e alguns de seus ministros assinaram 13 acordos com o país europeu que versam sobre assuntos que vão de educação a saúde. No sábado, Lula voltou a atacar seus antecessores, mesmo que sem nomeá-los. "Houve irresponsabilidade de quem governou o Brasil nos últimos seis anos", disse o petista, referindo-se a Jair Bolsonaro e a Michel Temer.
As declarações ocorreram no encerramento da 13ª Cúpula Luso-Brasileira, realizada na capital Lisboa. Previstas para acontecerem a cada dois anos, as reuniões não eram realizadas desde 2016.
Em 2018, o então presidente Temer chegou a confirmar presença no evento, mas desmarcou a viagem a poucos dias do embarque, optando por priorizar a agenda doméstica. E, em seus quatro anos na Presidência, Bolsonaro não fez nenhuma viagem oficial a Portugal.
O primeiro-ministro luso manifestou querer que a cúpula, ou cimeira, como se diz em Portugal, seja a partir de agora anual.
Com um discurso sem roteiro, Lula também cometeu uma gafe. Embora muitos portugueses residentes no Brasil se queixem da existência de um estereótipo do "português da padaria", o presidente destacou justamente a presença dos padeiros ao falar sobre a comunidade lusa no país. Disse que "nenhum brasileiro consegue comprar pão de manhã sem conversar com um português".
A escolha de Portugal como primeiro destino na Europa no terceiro mandato de Lula sinaliza um esforço de reaproximação entre os dois países, após anos de distanciamento no governo Bolsonaro.
Divulgada após a cúpula, a declaração conjunta tem 93 pontos, com várias menções ao reforço das relações bilaterais e a exaltação da importância da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que Brasil e Portugal integram ao lado de seis nações da África e do Timor Leste, o único lusófono do Sudeste Asiático.
Em meio à repercussão internacional negativa das recentes falas de Lula sobre a guerra no Leste Europeu, a versão final do texto incluiu um posicionamento sobre a situação da Ucrânia, com ambos os países condenando a invasão russa.
A declaração conjunta anuncia ainda a assinatura de 13 novos instrumentos de cooperação para aprofundar as relações bilaterais. Para a crescente comunidade brasileira residente no país europeu, um dos pontos com maior potencial de impacto é o acordo para concessão de equivalência de estudos, referente ao ensino fundamental e médio, no Brasil, e ao ensino básico e secundário, em Portugal.
Folhapress


Facebook
Google
Twitter