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Publicada em 03 de Setembro de 2026 às 20:05

Especialistas apontam necessidade de investimento em descarbonização para conter avanço do aquecimento global

Pesquisadores preveem que limite de aquecimento global estabelecido pelo Acordo de Paris será ultrapassado

Pesquisadores preveem que limite de aquecimento global estabelecido pelo Acordo de Paris será ultrapassado

FABIOLA CORREA/JC
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Agências
A comunidade global precisaria atingir a marca anual de US$ 5 trilhões de investimentos em descarbonização para fazer frente aos desafios colocados pelo relatório "Limiting Overshoot", publicado nesta quarta-feira (2) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
 
O documento parte da premissa de que o limite de aquecimento global estabelecido em 1,5ºC pelo Acordo de Paris será ultrapassado (overshoot) e apresenta caminhos para limitar e reverter essa elevação.
 
 
O cálculo foi apresentado pelo especialista sênior do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor de Economia da Sustentabilidade da PUC-Rio, Sergio Margulis, durante mesa redonda promovida pelo Instituto Clima e Sociedade, onde o novo relatório do Pnuma foi discutido. Margulis lembrou a necessidade de se olhar a questão do clima do ponto de vista econômico, apontou que atualmente são gastos cerca de US$ 2 trilhões ao ano na descarbonização e alertou que o aumento precisaria ocorrer rapidamente.
 
Margulis ponderou que as necessidades de descarbonização são conhecidas e que o problema são os custos. "A descarbonização não é barata e tem que atingir todos os países", disse.
 
O especialista alertou também para o custo ainda maior da inação. Segundo ele, se nada for feito, o custo do impacto deve girar ao redor de 2% do PIB global para um aumento de temperatura entre 1,5ºC e 1,7ºC. "Se formos para 3ºC, o impacto estimado é de 10% do PIB global, uma fortuna!", afirmou.
 
Pelas contas da presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS) da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, o aumento da temperatura já está em torno de 1,37ºC e passará a marca de 1,5ºC nos próximos dez anos.
 
"Exceder 1,5ºC (overshoot) é entendido como inevitável e a inevitabilidade foi trazida com mais força neste relatório", apontou Krug. Ainda assim, a especialista lembrou que o Conselho do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) entende o excedente de temperatura como temporário e afirmou que "reverter o overshoot é possível". Ainda assim, ela destacou pontos do relatório e outros estudos que mostram que combater o overshoot não é uma tarefa fácil.
 
Na mesma linha, a diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade, Maria Netto, ressalta que o overshoot "não pode ser desculpa para desistirmos da meta de 1,5ºC". "Cada fração de grau importa. Cada ano que conseguimos reduzir o período dessa ultrapassagem importa. E cada investimento que fazemos hoje em mitigação, adaptação e resiliência importa", disse em nota.
 
"É importante apontar que temos um conjunto de medidas em curso ao mesmo tempo em que a crise se aprofunda", defendeu Krug. Maria Netto lembrou o fato de que quanto maior for o pico de temperatura alcançado, "mais difícil, incerto e caro será fazer com que o aquecimento volte a cair".

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