A Santa Casa de Porto Alegre lançou, na última quarta-feira (1º), a nova campanha de conscientização sobre o câncer de mama da instituição. Durante o Outubro Rosa, o tema "A Vida Pede Rosa" abordará a prevenção do câncer a partir da ótica de mulheres que colocam a saúde como prioridade, tendo a prevenção como primeiro passo para uma vida mais saudável.
A campanha tem como objetivo conscientizar a população, especialmente a feminina, sobre a existência do câncer de mama e a importância crucial de realizar o diagnóstico precoce. “As mulheres diagnosticadas em estágio 1, quase 97 % delas se curam. Já as pacientes com diagnóstico em estágio 3, por exemplo, que é um tumor grande, essa porcentagem cai drasticamente, em torno de 30% ou 40%”, afirmou a Oncologista Katsuki Tiscoski, coordenadora médica do Centro Multidisciplinar de Pesquisa Clínica da Santa Casa de Porto Alegre.
Assim, Katsuki destacou a importância de todas as mulheres, a partir de 40 anos, fazerem um exame de rotina anualmente. Segundo a oncologista, é nesta idade que a incidência passa a ser maior, e por isso surge a necessidade da realização de exames mais frequentes.
“A Sociedade Brasileira de Mastologia já divulga que os exames deveriam ser feitos anualmente a partir dos 40 anos em todas as mulheres até os 75 anos, caso a pessoa não tenha diagnóstico de câncer”, ponderou.
A oncologista também relembrou da nova medida do SUS, que passou a permitir que mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sinais ou sintomas de câncer, tenham direito de realizar mamografia gratuitamente.
Apesar disso, ela pondera que, mesmo se tratando de ocorrências mais raras, mulheres jovens que não realizam exames frequentes (e até mesmo homens) podem ser diagnosticadas com a doença. Assim, é necessário estar de olho em sintomas, como vermelhidão, nódulos, secreção, e uma alteração na pele das mamas, ficando com aspecto semelhante a uma "casca de laranja", além do aumento das glândulas.
“Se a mulher não conseguiu fazer mamografia de acompanhamento, mas percebeu alguma alteração na mama, ela tem que procurar um médico para fazer o exame porque sim, pode ser um câncer. Então são características que podem sugerir alguma anomalia indicando o câncer”, afirmou.
Por fim, a especialista destacou a relevância da pesquisa clínica para o combate ao câncer de mama. Segundo ela, estes estudos são um elemento de grande relevância para o desenvolvimento de novos tratamentos.
“A pesquisa clínica salva vidas. Muitas pessoas não têm acesso, não sabem que existem pesquisas. Ali na Santa Casa temos um centro de pesquisa, com novas moléculas chegando e opções de tratamento que os pacientes não têm acesso. Então quanto mais pesquisa tivermos e mais gente aceitando ser cobaia, maior será a chance de novos tratamentos e mais pacientes serão beneficiados”
A importância do diagnóstico precoce foi muito enfatizada pela Katsuki pois pode salvar vidas. Uma prova disso é a empresária Rosane Cabral, de 44 anos. Mãe de duas filhas, ela já foi diagnosticada com câncer de mama em duas oportunidades diferentes.
“Há 12 anos, quando estava tentando engravidar, descobri na gestação um tumor maligno na mama. Como estava grávida, esperei até a 13ª semana de gestação, tirei o quadrante na gestação e, quando a bebê nasceu, eu fiz 45 sessões de radioterapia”, relembra.
O câncer foi precocemente diagnosticado e Rosane se curou da doença. Seis meses depois, a empresária foi orientada por uma mastologista a fazer um exame genético, onde foi constatado que ela tinha a mutação BRCA2 positivo - que está associada a um risco aumentado de desenvolver câncer de mama, ovário, próstata e pâncreas. Assim, ela passou a fazer exames de rotina de seis em seis meses.
No final de 2024, porém, Rosane foi diagnosticada novamente com a doença. O tumor, desta vez, não era hormonal, mas sim o triplo-negativo, um tipo mais agressivo de câncer de mama. Orientada por médicos, ela removeu o câncer em um procedimento cirúrgico, fazendo sessões de quimioterapia como precaução.
“Peguei o câncer na fase inicial. Era 0,5 cm. Fiz a cirurgia, removi 100%, a chance de cura era alta e a quimioterapia, o médico oncologista me disse, era só para garantir que não tivesse nenhuma célula pelo corpo”, relembrou.
Assim, Rosane destacou a importância de ter sido diagnosticada precocemente, enfatizando a necessidade do autocuidado e a priorização da saúde por meio de exames de rotina regulares.
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“Um diagnóstico precoce pode mudar o nosso destino. Já vivenciei isso duas vezes e praticamente fiquei curada nas duas vezes. É difícil ficar tranquila, sempre tem aquele alerta maior. Diria para as pessoas ficarem mais atentas ao autocuidado. Manter essa rotina de exames frequentes, se cuidar, se amar, aproveitar a vida. Temos que ser felizes hoje, a vida não espera. Se a doença não é detectada no início, as chances de cura vão diminuindo ao longo do tempo", ponderou.
Rosane foi tratada no Hospital Nora Teixeira, na Santa Casa de Porto Alegre, que, segundo ela, conta com um “tratamento 100% humanizado”. Isso, destaca a empreendedora, é essencial para lidar com os efeitos colaterais da quimioterapia, como cansaço, fadiga, enjoos e vômitos ocasionais.
“Os efeitos colaterais são um desafio, mas nada que não dê para viver. Amo o que eu faço e pensei que realmente eu não ia conseguir, eu ia ser impactada. Mas graças a Deus consigo tocar minha rotina dentro do possível. Claro que eu com algumas limitações, mas consigo manter a minha rotina meio turno”, enfatizou.
Outro ponto destacado por ela é a importância de uma rede de apoio forte. Rosane destaca que a presença de seu marido, suas filhas e amigos foi essencial em sua jornada. “Minha rede de apoio é maravilhosa. Receber esse calor humano é muito gratificante e nos enche de força. Eu não acho que esse seja o fim; acho que esse é o começo pra gente ressignificar a nossa história e entender que a vida vale a pena lutar”
Por fim, Rosane destacou a importância das campanhas de outubro rosa, afirmando que ela é uma militante da causa desde seu primeiro diagnóstico. Rosane, como empresária na área da beleza e dona de dois salões de beleza, sentiu a necessidade de ter empatia com as mulheres na vulnerabilidade da paciente oncológica.
Em virtude disso, ela lançou campanhas em seus salões para apoiar pacientes oncológicas: oferecendo lavagem de cabelo de cortesia e ensinando sobre o autocuidado. Além disso, para as pacientes que não têm acesso à touca inglesa- equipamento que resfria o couro cabeludo durante a quimioterapia para reduzir ou evitar a queda de cabelo - ou que desejam raspar a cabeça, ela lançou uma campanha de raspagem de cabeça gratuita nos salões durante o mês de outubro.
“Sempre apoiei muito a causa e, como empreendedora da área da beleza, não tem como eu não ter empatia com as mulheres nessa vulnerabilidade do paciente oncológico”, ponderou.