Um avião caiu na noite desta terça-feira (23) e deixou quatro mortos em Aquidauana, cidade localizada no Mato Grosso do Sul, na região do Pantanal. Entre as vítimas, está o importante arquiteto paisagista e urbanista chinês Kongjian Yu, criador do conceito das cidades-esponja, que prevê a adoção de áreas verdes, como parques arborizados e alagáveis, que deem espaço e tempo para a água ser absorvida pelo solo após as chuvas. A informação da morte de Yu foi confirmada pelo CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil).
Dois documentaristas brasileiros - Luiz Fernando Feres da Cunha Ferraz e Rubens Crispim Jr. Marcelo - e o piloto da aeronave, Pereira de Barros, também morreram na tragédia. As causas do acidente ainda estão sendo apuradas. De acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira), investigadores do Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos foram contatados para realizar ação inicial no acidente que envolve a queda de uma aeronave de matrícula PT-BAN.
Yu tinha 62 anos e veio ao país, na semana passada, para uma palestra na abertura da Bienal de Arquitetura de São Paulo, que ocorre no parque Ibirapuera, zona sul da cidade, e onde também estão expostas algumas de suas obras. Ele também participou da abertura da Conferência Internacional do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo), em Brasília.
Professor da Universidade de Pequim e consultor do governo chinês para projetos em várias cidades, ele defendia que não se podia lutar contra a água, então era preciso dar espaço nas cidades para evitar a devastação com enchentes, indo contra as abordagens tradicionais de instalação de canos de drenagem, muros de contenção ou de canalização de rios entre diques de concreto.
Uma das inspirações de Yu foi o fato de ter crescido numa vila na província de Zhejiang, num período próximo ao fim da Revolução Cultural. Na juventude, observou como as gerações mais velhas tinham, nas suas palavras, feito amizade com a água, em vez de combatê-la, com agricultores construindo terraços e lagoas para direcionar e armazenar o excesso de água durante as estações chuvosas.
Cidade-esponja, criado pelo arquiteto, é um projeto chinês iniciado oficialmente em 2015 e que é visto como uma possível resposta para tragédias como a do Rio Grande do Sul, de 2024. Esse conceito prevê a adoção de áreas verdes, como parques arborizados e alagáveis, que deem espaço e tempo para a água ser absorvida pelo solo após as chuvas. A intenção é abrir espaços para que não haja devastação com enchentes.
Folhapress