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Publicada em 19 de Fevereiro de 2025 às 19:45

Diretora do Detran/RS equipara uso de celular ao volante a consumo de álcool

Rio Grande do Sul registrou 89.513 infrações pelo uso da tecnologia em 2024

Rio Grande do Sul registrou 89.513 infrações pelo uso da tecnologia em 2024

Marcelo Camargo/Agência Brasil/JC
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Gabriel Margonar
Gabriel Margonar
O uso de celular ao volante continua entre as principais causas de infrações de trânsito no Rio Grande do Sul e no Brasil. Dados do Departamento Estadual de Trânsito do RS (Detran/RS) mostram que, no último ano, foram registradas 89.513 autuações por essa conduta, um aumento de 2,09% em relação a 2023. Só em janeiro de 2025, já houve 3.814 registros no Estado.
O uso de celular ao volante continua entre as principais causas de infrações de trânsito no Rio Grande do Sul e no Brasil. Dados do Departamento Estadual de Trânsito do RS (Detran/RS) mostram que, no último ano, foram registradas 89.513 autuações por essa conduta, um aumento de 2,09% em relação a 2023. Só em janeiro de 2025, já houve 3.814 registros no Estado.
Em todo o País, a prática só fica atrás do excesso de velocidade e da embriaguez entre as principais causas de sinistros. Atender chamadas, enviar mensagens ou navegar em redes sociais são comportamentos que aumentam significativamente os riscos de acidentes.
Para a diretora institucional do Detran/RS, Diza Gonzaga, o impacto do celular no trânsito se assemelha ao do álcool, sendo um dos principais fatores de risco para acidentes. "O problema é que a grande maioria das pessoas que usa o celular ao volante não é flagrada. Ele está ameaçando vidas da mesma forma que a bebida estava há alguns anos, quando era normalizada. Ambos comprometem a atenção e os reflexos do condutor", afirmou.
Ela explica que, mesmo quando utilizado no modo viva-voz, o aparelho compromete a atenção do motorista. "A gente usa as mesmas conexões neurais para responder no celular e para manter a atenção ao dirigir. A distração é inevitável", detalha. Outro agravante citado são os aplicativos de GPS e transporte, que levam os condutores a manterem o celular constantemente no painel, desviando o olhar da pista.
A fiscalização desse tipo de infração, segundo Diza, é complexa. "Quando um agente para o veículo, o condutor pode rapidamente esconder o aparelho, dificultando a autuação." Por isso, o Detran/RS aposta na conscientização como estratégia principal para reduzir o problema. A Escola Pública de Trânsito é citada como exemplo de tentativa de sensibilizar os motoristas sobre os riscos da prática: "precisamos fazer com que o uso do celular ao volante seja socialmente reprovado, assim como aconteceu com a embriaguez", defende.
Além do conhecimento empírico, estudos reforçam os perigos do uso do telefone ao volante. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em 2022, avaliou a atenção de motoristas jovens ao utilizarem o WhatsApp enquanto dirigiam. Em um simulador, os participantes passaram por três cenários: sem o uso do celular, respondendo a áudios e enviando mensagens de texto.
Os resultados mostraram que o uso de mensagens de texto prejudica significativamente a condução: os motoristas reduziram a velocidade, desviaram mais lateralmente e tiveram reflexos mais lentos para frear em situações inesperadas. Já os que apenas enviavam áudios também tiveram sua dirigibilidade afetada, mas em menor escala.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê penalidades altas para essa conduta. Quem for flagrado dirigindo sem atenção aos cuidados indispensáveis à segurança recebe multa e três pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O uso de fones conectados ao celular ou a aparelhos sonoros configura infração média, resultando em quatro pontos na carteira e multa. Já manusear o telefone ao volante é considerado infração gravíssima, acarretando sete pontos na CNH e multa.
A diretora do Detran/RS enfatiza, porém, que a solução para o problema passa pela mudança de cultura. "Já há punições severas. O que precisamos é mudar o comportamento dos motoristas, investir em educação e reforçar a fiscalização para que a percepção de risco aumente", finaliza.

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