Desde a última semana, a Corsan Aegea tem utilizado uma tecnologia de exploração espacial para combater o desperdício de água. Através de um satélite, originalmente concebido para buscar água em Marte, a companhia está escaneando o subsolo da Região Metropolitana e identificando vazamentos em fase inicial ou em profundidades de até três metros, de forma mais ágil e eficiente.
Esse equipamento, fruto de um contrato corporativo entre Aegea e a empresa israelense ASTerra, é munido por softwares acoplados a radares e faz o escaneamento através da emissão de microondas. Desse modo, identifica-se água potável em contato com o solo com até 3 metros de profundidade por meio do cloro dissolvido e da condutividade elétrica, diferenciando-a de água bruta, como a proveniente de lençóis freáticos, rios subterrâneos ou poços artesianos.
Uma vez mapeados os possíveis pontos de vazamento, as equipes da Corsan utilizam geofones ultrassensíveis para localizar e confirma-los. Além de agilizar o processo, que até então era muito mais meticuloso e demorado, o método também oferece uma precisão acima de 90%, eliminando a necessidade de quebra desnecessária de pavimentações para encontrar a fonte do problema.
Esse tipo de tecnologia se faz extremamente necessária já que dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) demonstram que, no Estado, há uma perda de 41,6% da água que sai das estações para residências, índice superior à média nacional. A título de exemplo, isso equivale a 445 piscinas olímpicas de água potável desperdiçadas a cada 24 horas. Com o uso do satélite, espera-se diminuir esse número para 30% até 2033.
Desde o início dos trabalhos, na semana passada, foram escaneados 3,3 mil km de rede, sendo que em 330 km deles havia índices de vazamentos. Segundo a Companhia, seriam necessários cerca de um ano e meio para chegar a esses resultados através dos métodos convencionais.
Por enquanto, o satélite tem atuado em cinco cidades da Região Metropolitana (Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Gravataí e Viamão), identificadas como as de maior necessidade no momento, porém, no futuro, a ideia é alcançar todo o Estado. A tecnologia faz parte de uma série de investimentos da Corsan na melhoria dos sistemas que, até o final de 2024, devem chegar aos R$ 50 milhões.
As novidades foram apresentadas na tarde desta segunda-feira, dando abertura a Semana Mundial da Água. No local, estiveram presentes a presidente da Corsan, Samanta Takimi, e o diretor executivo José João de Jesus da Fonseca, que também apresentaram o Centro de Operações Integradas da Companhia - onde são feitas as identificações dos vazamentos e demais questões envolvendo a rede de água gaúcha.
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De acordo com a Companhia, ainda não é possível prever se com a implementação das novas tecnologias haverá alguma mudança nas tarifas. "Não podemos estimar redução, pois existem outros componentes envolvidos. Mas, quem sabe no futuro, pode haver uma queda", destacou o diretor de operações da Corsan, José João Fonseca.