Em 2017, quando a gestão de riscos no contexto das mudanças climáticas quase não atraía atenção de investidores, o pesquisador em epidemiologia e resiliência em desastres Abner de Freitas fundou a Hopeful, um negócio focado em planos de contingência e proteção territorial. Após seis anos mantendo a estrutura sem faturar nada, a procura pelos serviços disparou quando inundações atingiram o Rio Grande do Sul a partir de 2023, episódio que impulsionou a busca de governos e indústrias por planos de prevenção.
"As nossas venture capitals no Brasil não investem capital de risco. Elas querem empresas que já estejam tracionadas, validadas e que queiram só escalar. O caso da Hopeful é um exemplo de Deep Tech, porque começou como uma atividade acadêmica. As pessoas achavam legal, mas ninguém colocava dinheiro", confidencia Abner, que levou a trajetória da Hopeful para o palco do Tecnopuc Experience nesta quarta (21), no painel Cidadania e justiça diante da crise climática.
Além do desinteresse por parte dos investidores, Abner atribui a dificuldade no segmento por disputar o mercado com Organizações Não Governamentais que possuem regime tributário mais favorável.
"ONGs têm aos montes. Mas, como negócio privado, não ter concorrente também é um baita desafio. O que nos distingue no mercado é a nossa experiência internacional com mais de 15 países", argumenta o empreendedor.
"As nossas venture capitals no Brasil não investem capital de risco. Elas querem empresas que já estejam tracionadas, validadas e que queiram só escalar. O caso da Hopeful é um exemplo de Deep Tech, porque começou como uma atividade acadêmica. As pessoas achavam legal, mas ninguém colocava dinheiro", confidencia Abner, que levou a trajetória da Hopeful para o palco do Tecnopuc Experience nesta quarta (21), no painel Cidadania e justiça diante da crise climática.
Além do desinteresse por parte dos investidores, Abner atribui a dificuldade no segmento por disputar o mercado com Organizações Não Governamentais que possuem regime tributário mais favorável.
"ONGs têm aos montes. Mas, como negócio privado, não ter concorrente também é um baita desafio. O que nos distingue no mercado é a nossa experiência internacional com mais de 15 países", argumenta o empreendedor.
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Os maiores clientes da Hopeful são governos, indústrias e grandes corporações, além de entidades como a Fiergs. Abner coordenou planos de contingência em Porto Alegre, Santa Maria e Santiago, e atualmente está na linha de frente do Programa Caxias do Sul Resiliente. Hoje, a empresa mira um produto de baixo custo para proteger também os pequenos e médios negócios.
Os maiores clientes da Hopeful são governos, indústrias e grandes corporações, além de entidades como a Fiergs. Abner coordenou planos de contingência em Porto Alegre, Santa Maria e Santiago, e atualmente está na linha de frente do Programa Caxias do Sul Resiliente. Hoje, a empresa mira um produto de baixo custo para proteger também os pequenos e médios negócios.
Plano de contingência com IA
A resposta foi o desenvolvimento da Hopeful Max, software guiado por Inteligência Artificial para automatizar planos de contingência territorial. "Num desastre, a água não entra só em um estabelecimento, entra num quarteirão, num bairro. Quanto mais empresas e pessoas naquela comunidade utilizarem a ferramenta, maior é o benefício. Se eu precisar de um caminhão durante uma inundação e meu vizinho tem esse recurso disponível no sistema, o mapa de socorro se integra em tempo real", explica.
A lógica do sistema segue a premissa do fundador. "Quem acha que vai proteger tudo num desastre, não protege nada", diz. Segundo ele, em momentos de crise, em que há pouco tempo para agir, é indispensável separar a "célula de sobrevivência" de uma organização das áreas de menor prioridade.
Paralelamente às consultorias técnicas e às tecnologias, a Hopeful investe na disseminação da cultura de prevenção. A startup realiza oficinas, seminários e encontros presenciais em universidades e instituições, com o público-alvo de estudantes, gestores públicos e lideranças comunitárias. A empresa também oferece aulas e cursos on-line gratuitos na Hopeful TV, no YouTube.
A Hopeful desenvolveu software com IA que automatiza planos de contingência
NATHAN LEMOS/JC
Paralelamente às consultorias técnicas e às tecnologias, a Hopeful investe na disseminação da cultura de prevenção. A startup realiza oficinas, seminários e encontros presenciais em universidades e instituições, com o público-alvo de estudantes, gestores públicos e lideranças comunitárias. A empresa também oferece aulas e cursos on-line gratuitos na Hopeful TV, no YouTube.
Era dos desastres
Se, por um lado, as soluções técnicas avançaram, por outro, a conduta da sociedade não acompanhou esse ritmo, de acordo com a avaliação do especialista.
"Achava que o baixo engajamento era por falta de experiência, mas tratamos 2024 como um meteoro que só cai a cada 150 mil anos. A vivência da dor não nos levou à mudança de hábito, e isso é assustador", desabafa Abner.
"Achava que o baixo engajamento era por falta de experiência, mas tratamos 2024 como um meteoro que só cai a cada 150 mil anos. A vivência da dor não nos levou à mudança de hábito, e isso é assustador", desabafa Abner.
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Nesse cenário, ele enxerga oportunidade para negócios assim como a Hopeful, uma vez que a recorrência de eventos climáticos extremos torna-se uma variável permanente, capaz de influenciar nos custos e riscos de uma operação.
"A gente entrou numa era dos desastres. O que ocorreu em 2023, 2024 e 2025 vai se repetir, e as empresas que não estruturarem sua gestão de continuidade simplesmente não vão se sustentar no mercado", entende.
Nesse cenário, ele enxerga oportunidade para negócios assim como a Hopeful, uma vez que a recorrência de eventos climáticos extremos torna-se uma variável permanente, capaz de influenciar nos custos e riscos de uma operação.
"A gente entrou numa era dos desastres. O que ocorreu em 2023, 2024 e 2025 vai se repetir, e as empresas que não estruturarem sua gestão de continuidade simplesmente não vão se sustentar no mercado", entende.

