Gustavo Marchant Estagiário do GeraçãoE


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Nutricionistas gaúchas criam startup para reduzir o tempo de internação

A Nitra foi uma das startups a passar pelo palco do Tecnopuc Experience no primeiro dia de evento
Palestrante do painel Empreendedorismo na área da saúde, no primeiro dia do Tecnopuc Experience 2026, nesta terça-feira (20), a nutricionista e professora da Pucrs Etielle Pereira Sonaglio apresentou a trajetória da Nitra (@nitranut), startup de inteligência nutricional hospitalar que fundou ao lado da colega de profissão Larissa Feix.
Palestrante do painel Empreendedorismo na área da saúde, no primeiro dia do Tecnopuc Experience 2026, nesta terça-feira (20), a nutricionista e professora da Pucrs Etielle Pereira Sonaglio apresentou a trajetória da Nitra (@nitranut), startup de inteligência nutricional hospitalar que fundou ao lado da colega de profissão Larissa Feix.
A origem da Nitra está num gargalo que as duas conheciam de perto. Os hospitais brasileiros operam com uma média de uma nutricionista para cada 30 leitos, segundo a Resolução nº 600/2018 do Conselho Federal de Nutricionistas (CFN). Na prática, essa proporção concentra o trabalho das equipes no monitoramento individualizado e na checagem manual de prontuários.
A startup desenvolveu um dashboard de inteligência nutricional que monitora pacientes 24 horas. A tecnologia analisa a massa muscular e emite alertas automáticos sobre deficiências de nutrientes, sintomas e inconsistências de prescrição médica. O objetivo é evitar complicações clínicas e acelerar altas hospitalares.
"A partir das dificuldades que eu e a Larissa vivenciávamos no dia a dia das nossas experiências hospitalares, entendíamos que não adiantava a gente ficar reclamando dos problemas de rotina. Queríamos participar da construção de uma solução", explica.
Sem uma veia tecnológica no início da operação, as fundadoras buscaram o ecossistema de inovação para estruturar o negócio. A Nitra foi acelerada no Tecnopuc Garage, criou seu primeiro protótipo na Agência Experimental de Engenharia de Software (AGES), da Pucrs, e conquistou o primeiro lugar no HCPA Starts, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
"Nós buscamos os programas de aceleração que nos ajudaram a organizar essa ideia, a aprender sobre o empreendedorismo, sobre essas competências complementares às nossas, que nós não tínhamos tanta experiência", revela.
Para viabilizar o software, a Nitra firmou parceria estratégica com a NoHarm.ai —sistema que usa Inteligência Artificial auxiliando a Farmácia Clínica na tomada de decisão —, que assumiu toda a infraestrutura de TI do sistema. "Éramos duas nutricionistas sem um desenvolvedor. Hoje, toda a nossa parte de software tem o suporte deles", aponta Etielle.
Atualmente, a startup está em fase de prova de conceito (POC) para implementação em dois grandes hospitais de Porto Alegre.

Gratuidade para o SUS

A Nitra prevê um modelo de negócios de subsídio cruzado, para que todos tenham acesso ao produto. "Queremos que toda ferramenta instalada em um hospital público seja gratuita para os pacientes do leito SUS, sendo somente paga pelos leitos privados. É uma proposta que tem um cunho de impactar de maneira positiva e ampla os pacientes do SUS no nosso país", defende Etielle.
"Nosso objetivo sempre foi colocar a nutrição no lugar que ela deve ter dentro do processo de recuperação de um paciente", completa.
O portfólio das empreendedoras expandiu com a criação da NutriCheck, desenvolvida em parceria com o médico Rafael Seitenfus, do Hospital Santa Rita, complexo oncológico da Santa Casa de Porto Alegre. A NutriCheck é um chatbot com Inteligência Artificial para triagem e preparo nutricional pré-operatório.
A ferramenta obteve a terceira colocação geral no programa Centelha (RS), sendo a primeira colocada no setor de saúde. "É um empreendedorismo muito respaldado na ciência, para que a gente não seja somente empreendedoras, mas tenha uma empresa que preza pela qualidade do que entrega do ponto de vista clínico e científico, e não apenas como uma solução tecnológica por si", aponta Etielle.