Gustavo Marchant

Gustavo Marchant
Estagiário do GeraçãoE

Gustavo Marchant

Gustavo Marchant Estagiário do GeraçãoE


Negócios

Após fase itinerante, Workroom reabrirá em novo ponto em Porto Alegre

Sob nova direção, pioneiro bar drag da Capital assume o ponto do Circo Bar
Após resistir à enchente de maio de 2024 e cruzar o Rio Grande do Sul em uma fase itinerante depois de encerrar as atividades no ponto da avenida Cristóvão Colombo, o Workroom (@Workroombar), consolidado como uma das maiores referências da arte drag na América do Sul, prepara seu retorno para um novo espaço físico em Porto Alegre. Com inauguração oficial prevista para o final de setembro, o projeto reabre sob nova direção no endereço do antigo Circo Bar.
Após resistir à enchente de maio de 2024 e cruzar o Rio Grande do Sul em uma fase itinerante depois de encerrar as atividades no ponto da avenida Cristóvão Colombo, o Workroom (@Workroombar), consolidado como uma das maiores referências da arte drag na América do Sul, prepara seu retorno para um novo espaço físico em Porto Alegre. Com inauguração oficial prevista para o final de setembro, o projeto reabre sob nova direção no endereço do antigo Circo Bar.
A transição marca um recomeço afetivo na história da casa, fundada em 2017 por Rodrigo Kras Borges, que gerenciou o negócio durante oito anos. Pedro Hablich e Matheus Carvalho, que eram clientes assíduos, uniram-se à gestão ao lado de Guilherme Galvão. "A gente entrou muito com uma visão de cliente em contraponto com a visão do Guilherme de empresário", explica Pedro, sobre a nova dinâmica da sociedade.
O caminho até o novo endereço, contudo, foi marcado por intempéries climáticas e também comerciais. A saída do icônico endereço original, na Cidade Baixa, não foi planejada para fins de expansão. "As pessoas acham que a gente se mudou por conta de crescer. Na verdade, estávamos literalmente fugindo da enchente, porque a gente não tinha a pretensão de sair naquele ano", recorda Guilherme.
A migração às pressas para o Cine-Theatro Ypiranga, estruturada em poucas semanas, fez a operação saltar de 71 para 671 lugares. Porém, devido a divergências de comunicação com o proprietário, a parceria durou cerca de um ano e meio, deixando a marca sem um teto.
A inauguração está prevista para o final de setembro | Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
A inauguração está prevista para o final de setembro Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
Foi então que os sócios decidiram que a essência da Workroom ia além de uma casa. "A gente entendeu e continuamos entendendo que o Workroom nunca foi só um bar. Não é porque fechou que necessariamente tem que deixar de existir", pontua Pedro, sobre a fase itinerante, em que a marca atuou como produtora por diversas regiões do Estado.
"A gente continuou produzindo eventos em diversos locais: fomos para o Litoral, Passo Fundo, Caxias do Sul", lista Pedro. Os formatos também se diversificaram, passando por bares, festas, stand-ups, galerias de arte e até cinemas.
Esse movimento, segundo os sócios, fortaleceu o Workroom como um polo de resistência cultural. "As nossas idas ao interior ativam um pouco dessa cena. Tem muita gente nos disse: 'fazia dois, três anos que eu não me montava, mas vocês vieram e eu me senti confortável'", compartilham os sócios. Nessas andanças, também nomearam drags embaixadoras regionais, e firmaram um compromisso financeiro de preferência em apresentações quando elas visitarem a Capital.
A semente para o retorno à sede própria foi plantada quando a produtora exibiu um reality show de drag queens no espaço do antigo Circo Bar. "A gente se encantou pelo lugar pela primeira vez que a gente veio, porque o espaço é lindo", lembram os sócios, que fecharam negócio após o antigo proprietário oferecer novas e interessantes condições de compra. No novo ponto, que comporta 160 pessoas, a proposta é democratizar o acesso, já que antigamente as grandes produções encareciam a ida ao bar. "A nossa ideia é ter o acesso aqui embaixo gratuito. Quem quiser fazer algo mais elaborado, e cobrar por isso, vai ter o espaço lá de cima. Vamos conseguir abranger todo mundo", detalha Guilherme.
A nova casa da Workroom fica na rua Vicente Fontoura, nº 1619 | Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
A nova casa da Workroom fica na rua Vicente Fontoura, nº 1619 Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
Enquanto o térreo funcionará como um bar com preços mais acessíveis, o salão superior servirá como arena livre para as drag queens atuarem como criadoras independentes. "Lá em cima, as queens não vêm somente como drags contratadas, elas vêm, além de drag, como produtoras. Elas precisam pensar na noite, no especial, e utilizar o espaço para fazer a sua noite e construir clientes, explicam Pedro. O espaço de cima também preservará a vocação do local, criado para comédia stand-up, além de performances circenses e de dança, mágica e tarologia.
O reencontro com o público acontecerá no final de setembro — com direito a shows de lendas da casa, como Cassandra Calabouço e Charlene Voluntaire —, após uma semana de testes fechados para amigos e clientes, visando recolher feedbacks para afinar a operação. O local passará por um rebranding focado em tons de rosa e vermelho para ficar com a identidade da Workroom. "A gente postergou a inauguração porque precisa deixar o Circo com a cara da Workroom. Chegamos cedo para deixar tudo perfeito. Não estamos nadando em dinheiro, pelo contrário, a gente está nadando contra a maré", desabafa Guilherme.
Com planos futuros para explorar o deck externo com café e coworking, a prioridade de Guilherme, que é engenheiro civil, é a climatização do local, para evitar que o verão transforme o local em um forno.
Local acomodará 160 pessoas | Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
Local acomodará 160 pessoas Fernanda Bigio Davoglio/Especial/JC
A vontade dos sócios é que a essência que o negócio sempre teve, permaneça intacta. "Quando tu estás numa festa onde tu te sentes seguro para fazer, vestir e dançar do jeito que tu quiseres, é uma experiência inebriante", assegura Guilherme.