Gustavo Marchant

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Estagiário do GeraçãoE

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Negócios

Para reduzir o uso de telas, irmãs de Pernambuco levam oficinas de yoga e arte para escolas gaúchas

O Labirinto Criativo aposta em yoga e arteterapia para reduzir os impactos do excesso de telas e fortalecer a concentração na infância
Desconectar os pequenos do uso excessivo de telas é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). E, quando se pensa em alternativas, logo passa pela nossa cabeça futebol, natação ou artes marciais. Mas e se a proposta for outra: combater o estresse e os impactos dos dispositivos digitais por meio do equilíbrio entre corpo e mente?

É nessa direção que as irmãs Pâmella e Eduarda Ferreira criaram o Labirinto Criativo (@labirintocriativo_), apostando no yoga e na arteterapia como ferramentas para desacelerar e trazer as crianças para o presente. Elas atendem mais de 500 crianças em diferentes escolas da Região Metropolitana, desenvolvendo a concentração e ensinando a autorregulação emocional desde o berçário.

Naturais de Pernambuco, elas vieram em direção ao Rio Grande do Sul há seis anos em busca de oportunidades. Pâmella é professora de yoga e trabalha com crianças há 9 anos, enquanto Eduarda é professora de artes e inglês há 8 anos, além de ilustradora infantil.

O projeto começou de forma pequena, com oficinas de arte livre, pintura em festinhas de aniversário e encontros ao ar livre na Redenção, envolvendo os pais.
Desconectar os pequenos do uso excessivo de telas é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS). E, quando se pensa em alternativas, logo passa pela nossa cabeça futebol, natação ou artes marciais. Mas e se a proposta for outra: combater o estresse e os impactos dos dispositivos digitais por meio do equilíbrio entre corpo e mente?

É nessa direção que as irmãs Pâmella e Eduarda Ferreira criaram o Labirinto Criativo (@labirintocriativo_), apostando no yoga e na arteterapia como ferramentas para desacelerar e trazer as crianças para o presente. Elas atendem mais de 500 crianças em diferentes escolas da Região Metropolitana, desenvolvendo a concentração e ensinando a autorregulação emocional desde o berçário.

Naturais de Pernambuco, elas vieram em direção ao Rio Grande do Sul há seis anos em busca de oportunidades. Pâmella é professora de yoga e trabalha com crianças há 9 anos, enquanto Eduarda é professora de artes e inglês há 8 anos, além de ilustradora infantil.

O projeto começou de forma pequena, com oficinas de arte livre, pintura em festinhas de aniversário e encontros ao ar livre na Redenção, envolvendo os pais.
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A virada de chave do negócio aconteceu quando decidiram levar a metodologia para as escolas. A Escola de Educação Infantil Turma Giz de Cera, na Cidade Baixa, foi a primeira instituição parceira a abrir as portas para o projeto. Isso porque Pâmella já havia sido professora por lá, e, no dia a dia, junto das demais educadoras, notou um problema crescente: as crianças chegavam muito agitadas, com extrema dificuldade de concentração e cada vez mais estressadas.

"Se a criança não tem esse suporte em casa, chega na escola e não vai querer fazer nada. Elas precisam ter tempo, enfrentar o tédio, que é importante, pararem um pouquinho o que estão fazendo para não consumir tanta coisa", defende Pâmella, percebendo esse fenômeno de recusa por atividades analógicas como um sintoma da infância atual. Os pequenos enxergam as propostas educativas como algo não tão atrativo quanto um tablet ou uma TV.
Essa perspectiva tem fundamento se analisarmos o levantamento Panorama da Primeira Infância: O que o Brasil sabe, vive e pensa sobre os primeiros seis anos de vida, executado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, em parceria com o Datafolha. A pesquisa aponta que crianças de 0 a 2 anos ficam em média 2 horas por dia usando telas, dado que vai na contramão da recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria, que desautoriza o contato com telas nessa faixa etária. Para quem tem de 2 e 5 anos, o limite é de 1 hora por dia e dos 6 aos 10, entre 1 e 2 horas. O estudo ainda aferiu que 78% das crianças de 0 a 3 anos estão expostas diariamente às telas, e esse número é mais alarmante entre as de 4 a 6 anos, chegando a 94%. 

O que as crianças aprendem nas oficinas

Para combater essa agitação e trazer as crianças para o presente, as irmãs uniram suas especialidades em yoga e arteterapia. Atuando há dois anos, os diferentes tipos de abordagem vêm se mostrando eficazes para combater os superestímulos causados pelo excesso de telas, ajudando, inclusive, na fase de descoberta do próprio corpo.

"Eles começaram a sentir, reparar no próprio corpo, tem algumas coisas que a gente faz que eles nem sabiam que eram capazes. Eles estão numa fase que tem muita elasticidade", observa Pâmella, que também destaca outras valências adquiridas pelas crianças, como aprender a respirar, lidar com frustrações e a descobrir a flexibilidade e os limites do próprio corpo. 
A aula começam com exercícios de respiração, para que as crianças se conectem com o próprio corpo | Dani Barcellos/Especial/JC
A aula começam com exercícios de respiração, para que as crianças se conectem com o próprio corpo Dani Barcellos/Especial/JC
As oficinas começam com uma música de acolhida e exercícios de respiração para que as crianças se conectem com o próprio corpo. Em seguida, elas exploram posturas de yoga adaptadas, como a Árvore, que trabalha equilíbrio e atenção, e o Camelo, voltada à flexibilidade e à consciência corporal. No encerramento, os pequenos participam do Shavasana, apresentado pelas professoras como a postura do Dorminhoco, um momento de relaxamento em que fecham os olhos para absorver a prática antes da tradicional musiquinha final.
Ao longo do encontro, a proposta ainda é complementada com atividades artísticas, que exploram desenhos e pinturas capazes de estimular a criatividade e a coordenação motora. Essa parte é ministrada por Eduarda, que dá aulas de inglês e arteterapia para a criançada e explica que o teor das oficinas está muito mais centrado na emoção do que na estética visual.
"O meu foco sempre foi a arte e a questão da motricidade, da criança poder pegar um lápis, poder pegar uma tinta, ela saber se desenvolver, se expressar sem ficar se sentindo mal, ter uma liberdade", sentencia Eduarda, que projeta dois novos produtos do Labirinto Criativo pensados para os pequenos levarem para casa.
Tratam-se de um livro voltado ao público infantil e de um conjunto de cartas de yoga que funciona como um tutorial de calmaria: os pais, nos momentos em que querem fazer algo diferente com os filhos e precisam de opções para não deixá-los na frente da TV, utilizam o material — com exercícios de respiração e posturas de yoga —, ajudando a acalmá-los. A ilustração será feita por Eduarda, responsável pelo mascote do Labirinto Criativo, um coelho inspirado em Alice no País das Maravilhas, criado para despertar a curiosidade.
Nesse esteira, elas asseguram que a redução de danos pode ser praticada em casa, a começar pela substituição dos próprios desenhos animados. Um dos mais famosos, Peppa Pig, é classificado pelas fundadoras como uma animação muito estimulante e com um vocabulário que não é o mais adequado para o comportamento infantil, com bastantes ressalvas em relação ao tratamento entre as crianças e os pais. As duas incentivam o desenho Bluey, apontado como o exemplo ideal de desenho de baixo estímulo. Por ter diálogos mais conversados e adequados à idade, a criança absorve a história de forma tranquila.
"Essa recomendação visa diminuir aqueles momentos de birra, porque é natural a criança, nessa idade, ter esses momentos de estresse, é natural. Mas, se a gente superestimula isso, acaba piorando. Então, a gente tenta fazer esse link orientando os pais", elucida Pâmella.

Como contratar o Labirinto Criativo?

As empreendedoras atendem Porto Alegre e Região, oferecendo oficinas nas modalidades de yoga, arteterapia e inglês. Mais informações no Instagram (@labirintocriativo_) ou pelo número (51) 99246-9590.