Isadora Jacoby

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Negócios

Menos telas, Mais selas: escola de Porto Alegre propõe equitação como alternativa às telas

Comandada por Tomaz Gonçalves, atleta do Freio de Ouro, a escola conta com um projeto social para atender crianças
Levar as crianças e adolescentes para longe das telas em uma experiência conectada com a natureza. Essa é a proposta do Menos telas, Mais selas, projeto da Zona Sul de Porto Alegre comandado por Tomaz Gonçalves, atleta do Freio de Ouro. A escola conta com cerca de 70 alunos, sendo 28 deles parte de um projeto social. A iniciativa oferece aulas de equitação e preparação para o Freio Jovem, competição do Freio de Ouro com crianças a partir de 6 anos. 
Levar as crianças e adolescentes para longe das telas em uma experiência conectada com a natureza. Essa é a proposta do Menos telas, Mais selas, projeto da Zona Sul de Porto Alegre comandado por Tomaz Gonçalves, atleta do Freio de Ouro. A escola conta com cerca de 70 alunos, sendo 28 deles parte de um projeto social. A iniciativa oferece aulas de equitação e preparação para o Freio Jovem, competição do Freio de Ouro com crianças a partir de 6 anos. 
A história de Tomaz com o cavalo começou muito antes da trajetória como atleta do Freio de Ouro, que soma 13 anos. "Tenho uma relação muito forte com o campo. Meu pai era pecuarista, foi competidor. Somos naturais de Jaguarão, moramos muito tempo no campo, então tinha essa ligação com a modalidade Freio de Ouro. Me formei em economia em Pelotas, trabalhei um tempo na área, e, depois de formado, acabei arriscando e voltando para o mundo do cavalo, me tornando profissional e abrindo uma empresa voltada para treinamento de cavalos", conta. 
No complexo comandado por Tomaz no bairro Belém Novo, há várias frentes além da escola: um centro de treinamento, uma parrilla, um empório e uma loja de produtos de madeira. Foi durante a pandemia de Covid-19 que a ideia da escola surgiu. Na época, a filha de Tomaz tinha apenas 6 anos. "Ela não tinha o que fazer e vinha montar comigo. Vieram algumas amiguinhas, e um dos pais perguntou por que eu não abria uma escola", lembra. Esse foi o insight para amadurecer a ideia. "Acabamos montando um modelo de escola, depois criamos um método, certificando que dava certo. Fui contratando professores, e aí passou a época da pandemia e a escola começou a crescer", diz Tomaz, que hoje tem seu método espalhado por um modelo similar ao de franquias por Bagé, Sant'Ana do Livramento, Carazinho e em cidades de Santa Catarina.

Empreendedorismo social

Tomaz conta que a motivação para a criação da escola veio do desejo de aproximar as crianças de Porto Alegre de uma experiência similar à infância no campo. "A minha infância foi cavalo, amigos, treino, trabalho, foco, disciplina. E eu sinto muita falta nos dias de hoje, principalmente em uma capital, como estamos perdendo isso. Vai muito além do cavalo, a nossa cultura gaúcha é sobre aprender desde cedo como é importante a dedicação", afirma. Foi desse desejo que surgiu a ideia de ampliar a escola com um braço social. "Nessa minha ânsia, pensei que estava sendo meio egoísta e precisava ajudar mais pessoas. Em um churrasco com o Rochet, goleiro do Inter, comentei da vontade que eu tinha de convidar outras crianças. Tinha um guri que morava aqui perto e vinha todos os dias e pedia para montar. E eu sempre com muito cuidado dizia que não, porque era perigoso. Mas aí conversei com os pais dele e me deu um estalo que, assim como esse guri, deveriam ter outros que se interessavam", lembra. 
Assim, o empreendedor começou a receber a ajuda de parceiros que atuam como padrinhos das crianças do projeto. "Hoje a ABCCC (Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos) nos apoia, a Isadora Hermann, o Daniel Gonçalves, da Coragon. A minha preocupação sempre foi poder contar realmente com essas pessoas, não ser uma coisa de emoção para abraçarmos essas crianças e depois ter que dizer ‘bah, o teu padrinho parou de apoiar’. Tive muito cuidado com isso", relata. O projeto que começou apoiando cinco crianças hoje conta com 28 participantes apadrinhados. "É muito legal acompanhar os pais dando feedback de como as crianças melhoraram em casa. A gente acompanha a frequência aqui, a frequência na escola. Tem todo um suporte por trás."

Vida de atleta e empreendedor

Atleta do Freio de Ouro, Tomaz relata os desafios de conciliar as duas frentes. Um dos segredos sempre foi manter o tamanho do negócio em um porte possível de administrar. Para isso, conta com uma equipe fixa de cerca de 14 pessoas, além de profissionais indiretos que passam diariamente pelo centro de treinamento. "Sempre quis conduzir várias frentes enquanto sou um atleta competidor. Sou obcecado pelo resultado, por transformar sonhos em realidade, sempre fui um cara obcecado por pessoas. Sempre tive na minha cabeça que sem pessoas a gente não chega em lugar nenhum. Então, a maneira que consigo conduzir várias frentes é tendo pessoas especiais ao meu lado, é o mais importante. A gente só consegue ter o restaurante, o mercado, a escola, várias frentes de trabalho pelas pessoas que nelas estão envolvidas", garante o empreendedor, ressaltando a importância do time. "A equipe está sempre muito dedicada, sem eles nada disso seria possível."

Equoterapia é novidade no centro de treinamento

No fim de 2025, uma nova frente foi integrada ao centro de treinamento: a equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo em uma abordagem interdisciplinar. Para isso, o espaço conta com um professor especializado e uma psicóloga. "A gente vê a evolução dessas crianças com o contato com o cavalo. O cavalo é um ser que conecta muito, ele é muito sensitivo. Então, as crianças se soltam muito em cima dos animais. É muito gratificante, e é muito gratificante também ver os pais felizes de ver os filhos evoluindo. Foi um passo que foi a cereja do bolo no centro de treinamento", garante Tomaz. 

Resgate das tradições longe das telas

Como bem ressalta o nome do projeto — Menos telas, Mais selas —, o objetivo da escola é proporcionar tempo de qualidade para as crianças longe das telas. "É uma frase que marca muito o que a gente gostaria, de tirar um pouco as crianças do celular, do computador, da televisão e trazer eles para a vida do cavalo. É um mundo muito sadio."
Tomaz acredita que, hoje, é muito mais fácil para crianças e adolescentes se conectarem ao celular e não a experiências offline. Para ele, retomar as tradições do Estado pode ser um meio para isso. "Nossas raízes estão muito ligadas com o cavalo. Então, a gente poder resgatar um pouco das nossas raízes também é importante. Só sou o que sou hoje porque tive uma infância de disciplina, comprometimento. Hoje em dia, está muito 'se não consegue, para'. É mais fácil estar no celular. Mas todo esporte te leva a constância, enfrentar os desafios. E no cavalo, tu és desafiado por um ser de quase 500kg. Conseguir comandar ele é muito legal, te encoraja para muitas coisas", acredita. 

Endereço e funcionamento do centro de treinamento

A escola e centro de treinamento opera na avenida Juca Batista, nº 9622. Informações e matrículas na escola podem ser feitas pelo WhatsApp (51) 99953-0122.
 
 
 
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