K-pop, doramas e comida típica. Todos os elementos da cultura coreana se espalharam pelas redes em uma grande onda de popularização. Alguns empreendimentos apostam nessa tônica para mover suas atividades, como é o caso do Kim Korea, um street food coreano que opera na Zona Norte de Porto Alegre. A lanchonete fica no bairro São Sebastião, visando trazer o sabor tradicional da culinária de rua coreana e um espaço desenvolvido para contemplar fãs de k-pop e doramas.
Vanessa César é a empreendedora por trás do Kim Korea. A ideação do negócio surgiu a partir de 2023, quando ela conheceu uma igreja sul-coreana em São Paulo, que também existe na capital gaúcha. Foi na participação no evento Korea day que a vontade de abrir a lanchonete começou a aparecer, após o entusiasmo dos seus filhos, Benjamin e Pedro, com a comida coreana.
"Fiquei maravilhada com a alegria deles em provar algo tão diferente, tão saboroso. Naquele mesmo dia, nasceu esse sonho dentro de mim. De mostrar para outras pessoas e dar acesso para terem aquela experiência", conta.
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Potência cultural
Antes de abrir o local, a empreendedora buscou aprender os detalhes que permeiam o preparo dessa culinária, ela também desenvolveu o seu estudo sobre a cultura. "Fui buscando inspiração em outros locais, mas, para fazer o meu, fui pelo que eu gosto. Olhei como cliente o que eu gostaria", detalha.
Inicialmente, o foco da operação seria na cultura coreana de forma plural, mas através do movimento de clientes e da percepção de Vanessa, ela notou a potência que o k-pop e os k-dramas representam. Ela já incluiu no segundo piso elementos que remetem ao estilo musical, assim como o Pump it Up, tradicional jogo de dança coreano.
O segundo piso já possui elementos que remetem ao k-pop, assim como o Pump it Up, tradicional jogo de dança coreano.
Manuela Cassano/Especial/JC
"Vi que esse movimento de k-pop e do dorama é muito grande. É uma coisa que quem não é deste mundo não tem noção, é algo muito maior do que a gente imagina. E acabou que eu trouxe mais um pouquinho para cá. Então, a gente tá fazendo de acordo com o que o cliente gosta", explica Vanessa.
Elementos da cultura coreana, como o k-pop e os k-dramas foram implementados após a observação dos gostos de clientes
Manuela Cassano/Especial/JC
Culinária tradicional
Para incorporar o sabor tradicional da comida coreana, a empreendedora aposta na importação de insumos vindos da Coreia, transportados principalmente de São Paulo. Entre os principais produtos necessários ela cita o Gochujang e o Gochugaru, especiarias derivadas da pimenta, descritas como essenciais para o sabor característico da comida coreana.
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"São ingredientes que não podem faltar, porque tem um sabor específico e se não for a Gochujang e a Gochugaru coreana, não vai ficar o mesmo gosto", detalha. Ela também optou por implementar o matcha, através do matcha coreano, que segundo a empreendedora é muito mais puro.
"Para nós que somos gaúchos e já conhecemos o chimarrão, o matcha ele é como uma erva mate superfina, na textura de um de um açúcar de confeiteiro. Então, para quem teve essa experiência lá, o matcha se aproxima disso", detalha.
Segundo a empreendedora, a casa ainda não possui um carro-chefe, com clientes que experimentam diferentes itens do cardápio. Mas entre as opções mais tradicionais se destacam os hot dogs coreanos, que variam de R$ 15,00 a R$ 23,00, o Topokki, R$ 42,00, e o Dalgona Café, um café típico cremoso, por R$ 18,00.
Vanessa também buscou trazer o tradicional Kimchi, um dos pratos coreanos mais conhecidos, uma conserva com base forte de acelga e pimenta. "Ele é como se fosse o arroz feijão do brasileiro. O coreano come kimchi puro e também nos preparos tem muitas receitas. Não poderia faltar de forma nenhuma", conta.
O Kimchi está disponível por R$ 14,00 100, ele é um dos pratos coreanos mais conhecidos. Se trata de uma conserva com base forte de acelga e pimenta
manuela Cassano/Especial/JC
Realização pessoal
Com vontade de empreender desde a adolescência, Vanessa iniciou cedo, colocando um trailer de lanches no Litoral com apenas 14 anos. Saindo de lá, ela optou por cursar administração, deixando de lado essas aventuras profissionais
"Sempre empreendi de alguma forma ou de outra, seja dentro das empresas em que trabalhei, muitas vezes criando processos e trazendo algumas soluções. Sempre trabalhei de acordo com as oportunidades, inclusive com as necessidades", conta.
Depois de experiências profissionais em diversas áreas, como administração de obras, por exemplo, ela optou por concretizar algo para sua realização pessoal.
Ambiente acessível
Aberto desde 30 de maio, o Kim Korea opera sob desafios, principalmente ligados a necessidade de treinamento para os funcionários, como explica Vanessa. Atualmente, ela conta com a ajuda de mais três pessoas para encaminhar as operações.
"É uma comida que não tem não tem no mercado pessoas qualificadas para chegar e fazer. Tem que aprender. Tenho que ensinar esse processo até que a pessoa pegue a o hábito", explica.
Para o futuro, Vanessa deseja transformar o Kim Korea em um ambiente ainda mais acessível, tanto a localidade quanto valores.
"Não talvez com esse tamanho ou com essa estrutura, não talvez com esse cardápio maior, mas com o hot dog e as bebidas em vários pontos", projeta. Ela detalha que o empreendimento ainda tem muito a aprender, crescer e trabalhar, e projeta que a comida coreana ocupe o patamar de outros lanches.
"Em um bairro tem 10 lancherias vendendo xis, sushi ou pizza. Eu acredito que o futuro desse lanche coreano é estar ali", acredita.
Endereço e horário de funcionamento
O Kim Korea Street Food Coreano está localizado na avenida Baltazar de Oliveira Garcia, n° 856, bairro São Sebastião. O estabelecimento opera de terça-feira a domingo, das 15h às 22h.

