Gustavo Marchant

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Estagiário do GeraçãoE

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Negócios

Faturando mais de R$ 20 milhões, marca de macarons da Serra Gaúcha chega aos EUA e mira Europa

Com 25 lojas em sete estados, a Le Petit Macarons acelera a expansão e aposta na internacionalização da marca
Desde a abertura da primeira loja em Bento Gonçalves, há 12 anos, o casal Valquíria de Marco e Roger Righi Coelho transformou a aposta em um produto único em uma rede consolidada, a Le Petit Macarons (@lepetitmacarons). Agora, eles levam o tradicional doce francês para os Estados Unidos e mantêm conversas avançadas para chegar a Portugal.
Desde a abertura da primeira loja em Bento Gonçalves, há 12 anos, o casal Valquíria de Marco e Roger Righi Coelho transformou a aposta em um produto único em uma rede consolidada, a Le Petit Macarons (@lepetitmacarons). Agora, eles levam o tradicional doce francês para os Estados Unidos e mantêm conversas avançadas para chegar a Portugal.
Atualmente, a marca possui 25 lojas distribuídas em sete estados — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Goiás —, sendo cinco próprias e 20 franquias, com forte planejamento para entrar no Nordeste, região que ainda não exploraram. Para 2026, a previsão de faturamento é de R$ 21,7 milhões, um crescimento de 7,88% em relação ao ano anterior, que irá abarcar mais cinco novas lojas físicas e 30 vending machines. Vale destacar que, no último ano, a rede já havia registrado um crescimento de 16% no faturamento ao expandir seus canais de venda.

Desembarque internacional

O próximo grande passo da marca é a abertura, ainda neste ano, da primeira loja em Orlando, nos Estados Unidos, após oito meses de testes de mercado. Segundo Roger, o público americano se surpreendeu com a qualidade. "Quando digo para pessoas lá nos Estados Unidos 'olha, nós vendemos macarons', elas respondem 'ah, eu conheço'. Então eu digo 'tudo bem, mas experimente o nosso'. E elas acham a qualidade completamente diferente", observa.
A estratégia inicial para driblar os custos será exportar os doces congelados do Rio Grande do Sul via transporte aéreo. A operação é viável, de acordo com Roger, graças aos incentivos fiscais. "Para mandar produto para os Estados Unidos, a gente não paga imposto. Não pagando imposto, pagamos o frete e ainda sobra dinheiro", revela o empresário. A fábrica que possuem em Bento Gonçalves produz cerca de 15 mil macarons por dia, mas é capaz de muito mais. Atualmente, ela opera com 40% de ociosidade estratégica, e dará conta da demanda até que a rede justifique a abertura de uma indústria em solo americano ou europeu, em Portugal. 

Diversas maneiras de vender

As vending machines são a mais nova e a maior aposta dentre os seis modelos da franquia. Com o diferencial do autoatendimento, as máquinas ocupam pouco espaço, o que garante aluguéis muito mais baratos. "Não preciso ter mão de obra dentro desse negócio. É necessário que apenas uma pessoa dê o suporte para a máquina", explica Roger. O investimento gira em torno de R$ 70 mil, e é um dos que menos demanda financeiramente, atrás apenas da franquia home office, opção de entrada e a mais barata da rede, por R$ 20 mil.
Um macaron custa R$ 10,50, e o sabor mais querido é o de Crème Brûlée | Le Petit Macarons/Divulgação/JC
Um macaron custa R$ 10,50, e o sabor mais querido é o de Crème Brûlée Le Petit Macarons/Divulgação/JC
"Isso funciona muito bem, porque a pessoa está trabalhando em casa, deixa o Ifood ligado, chega um pedido e, em 30 segundos, ele monta a embalagem, leva para o entregador e volta a fazer o trabalho dele", explica Roger, sobre o modelo flexível.
Em seguida, por R$ 100 milveCarretinocarrinhvel projetadparlocais coespaçomuito reduzido. A Boutique é a forma mais custosa e robusta da rede, com um investimento em torno de R$ 300 mil: dispõe de uma loja fechada com mesas para consumo, oferecendo o serviço completo de cafeteria. Já os quiosques são divididos em dois moldes: o Quiosque Boutique mantém o serviço completo de mesas operando em estrutura aberta, enquanto o Quiosque Tradicional, funciona apenas para o cliente comprar e levar.

Aposta contra as estatísticas

O sucesso dos múltiplos modelos contrasta com uma desconfiança inicial em Bento Gonçalves. Roger lembra que o casal recebeu inúmeras críticas na época. "Todo mundo dizia para nós 'vocês vão botar uma loja com produto único, isso não vai vender. Em seis meses estarão quebrados. Têm que colocar pão de queijo, coxinha, colocar misto quente'", recorda.
A Boutique é o modelo que concentra a experiência mais completa da Le Petit Macarons, com serviço completo de cafeteria | William Camargo Fotografia/Divulgação/JC
A Boutique é o modelo que concentra a experiência mais completa da Le Petit Macarons, com serviço completo de cafeteria William Camargo Fotografia/Divulgação/JC
A receita perfeita custou a Valquíria um ano e meio de testes e ingredientes descartados para dominar a técnica francesa. A virada de chave ocorreu com um pedido de 1,2 mil macarons para um evento corporativo. "A Valquíria, na época, era corretora de imóveis. Ela pediu dispensa na empresa e ficou três dias e três noites produzindo para a gente conseguir entregar", conta Roger, que atuava no setor moveleiro e já possuía expertise com franchising.

Os queridinhos do público

Hoje, com uma unidade vendida a R$ 10,50, o catálogo conta com 33 sabores. Para manter a inovação, a marca substitui anualmente os dois de menor saída por novidades. No entanto, o topo das vendas permanece inabalável em todos os CEPs, tendo o Crème Brûlée como líder isolado, seguido pelo de pistache, caramelo com flor de sal, Nutella e brigadeiro de avelã.

Expansão B2B

O crescimento de 16% no faturamento é fruto de uma nova estratégia: o fornecimento para terceiros. "Tem muito lugar que quer vender macaron. Se não comprar do nosso, vai comprar de outro. Então, vou fortalecer a concorrência se eu não estiver presente lá dentro", argumenta Roger. Assim, a marca passou a abastecer mais de 100 cafeterias e padarias, além de atuar na hotelaria de luxo — como no badalado Colline de France, em Gramado — e mirar redes de supermercados.