Em um movimento que marca uma nova fase da trajetória da marca, a Blue Ville, uma das principais indústrias de alimentos do Rio Grande do Sul, transferiu parte de suas operações estratégicas para o Tecnopuc, parque científico e tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs).
A mudança ocorre em um momento de transformação interna da companhia, fundada em 1983 por Luis Fernando Dal Ben, atual presidente da Blue Ville, que se prepara para passar o bastão para a segunda geração. O movimento, que é visto como parte de uma estratégia mais ampla de modernização e preparação para os próximos ciclos de crescimento, é capitaneado pelos sucessores Bruno Dal Ben, diretor de operação, e Gustavo Dal Ben, gerente de suprimentos.
A iniciativa de mudança reforça o posicionamento da empresa em direção à inovação, à transformação digital e à aproximação com o ecossistema de tecnologia, startups e pesquisa acadêmica.
Instalada oficialmente no Tecnopuc desde abril deste ano, a empresa levou para o novo espaço equipes das áreas de marketing, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e parte da operação comercial. A sede industrial segue localizada em Camaquã, onde a companhia foi fundada há 43 anos e mantém suas atividades produtivas.
Segundo o gerente de marketing da Blue Ville, Luciano Amorim, a decisão começou a ser planejada ainda em outubro do ano passado. O objetivo era criar uma conexão mais próxima entre a indústria alimentícia e os ambientes que hoje concentram conhecimento, inovação e desenvolvimento tecnológico.
"A empresa tem uma visão muito clara de futuro. Queremos ser referência em arroz e em alimentos derivados desse universo. Para isso, entendemos que precisávamos estar mais próximos das startups, da tecnologia e do meio acadêmico", explica Luciano.
Desde a chegada ao Tecnopuc, a Blue Ville já iniciou projetos em parceria com o próprio parque tecnológico, com startups residentes e também com diferentes áreas da universidade. A empresa promoveu ainda um evento de apresentação na Arena Tecnopuc para estreitar relações e se integrar ao ecossistema local.
Para Luciano, a aproximação com startups representa uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo em que a empresa busca novas soluções e oportunidades de negócios, também oferece ao ambiente de inovação a experiência prática de uma organização consolidada no mercado.
"Entendemos que não somos os únicos que ganham com essa aproximação. As startups também passam a ter contato com uma empresa que atua diretamente no varejo, com metas claras, demandas concretas e foco em resultados. Isso cria uma dinâmica muito interessante", afirma.
O executivo compara a estrutura de uma indústria tradicional a um grande transatlântico, cuja direção não pode ser alterada de forma brusca. Nesse contexto, as startups funcionariam como embarcações menores, capazes de testar novas rotas e validar projetos com mais rapidez.
"É como lançar alguns jet skis na água para explorar possibilidades. Se o projeto funciona, seguimos desenvolvendo. Se não funciona, ajustamos a rota sem comprometer toda a operação", exemplifica o executivo.
Embora os projetos atualmente em desenvolvimento estejam protegidos por acordos de confidencialidade, a expectativa da empresa é apresentar novidades ao mercado ainda até o fim deste ano.
Outro aspecto considerado estratégico na mudança é a proximidade com talentos em formação. A presença dentro do Tecnopuc e da Pucrs permite à empresa acessar estudantes, pesquisadores e profissionais especializados em áreas como tecnologia, dados e Inteligência Artificial. "A tecnologia é importante, mas o diferencial continuará sendo as pessoas. Queremos estar próximos dos melhores talentos e criar conexões duradouras", destaca Luciano.
A Inteligência Artificial, inclusive, já faz parte das discussões internas da empresa. Ferramentas vêm sendo testadas em diferentes áreas, tanto no marketing quanto em processos operacionais. No entanto, a prioridade atual é estabelecer regras e diretrizes para garantir o uso responsável da tecnologia.
"Mais importante do que utilizar IA em larga escala é construir uma governança adequada. Precisamos entender como utilizar essas ferramentas de forma segura e eficiente", afirma.
Com presença consolidada no Rio Grande do Sul e atuação em mercados como Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e região Norte do país, a Blue Ville acredita que a presença no Tecnopuc representa um passo importante para fortalecer sua competitividade e acelerar processos de inovação. A expectativa é que o movimento também inspire outras indústrias a ocuparem espaços dentro de ambientes tradicionalmente ligados à pesquisa e ao empreendedorismo tecnológico.
"Queremos criar raízes aqui. Não buscamos apenas contatos, mas parceiros de longo prazo. Acreditamos que inovação acontece quando conhecimento, negócios e pessoas trabalham juntos", conclui.

