Júlia Fernandes

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Repórter

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Inspiração

Com foco na autoestima, estúdio de Porto Alegre reconstrói aréolas de pacientes com câncer de mama

O Studio Fernanda Balbinotti também realiza a camuflagem de cicatrizes e manchas que provocam alterações na aparência da pele
O Rio Grande do Sul possui a terceira maior incidência de câncer de mama do Brasil. Os dados apontados pelo Boletim Epidemiológico da Situação do Câncer de Mama no Estado do RS de 2025, da Secretaria de Saúde do Estado, apontam que, em 2024, o Rio Grande do Sul registrou mais de 4,8 mil novos casos da doença.
O Rio Grande do Sul possui a terceira maior incidência de câncer de mama do Brasil. Os dados apontados pelo Boletim Epidemiológico da Situação do Câncer de Mama no Estado do RS de 2025, da Secretaria de Saúde do Estado, apontam que, em 2024, o Rio Grande do Sul registrou mais de 4,8 mil novos casos da doença.
O tratamento do câncer de mama é um processo longo, tendo a mastectomia, cirurgia que realiza a retirada da mama, como parte de alguns protocolos. O mesmo procedimento, que possui diferentes classificações conforme cada caso, também é realizado em mulheres sem diagnóstico da doença, mas com predisposição genética, além de ser utilizado em cirurgias de afirmação de gênero, conhecidas como mastectomia trans.
Independentemente do motivo que leva à cirurgia, alguns procedimentos ocasionam a perda ou alteração do formato da aréola mamária, descaracterizando os seios. Reconhecendo o impacto que isso gera na autoestima de muitos pacientes, Fernanda Balbinotti, empreendedora à frente do Studio Fernanda Balbinotti (@fernandabalbinotti), aposta na técnica de micropigmentação como uma forma de reconstruir a aréola.
Além de oferecer soluções para a região dos seios, o estúdio realiza a camuflagem de cicatrizes e manchas que provocam alterações na aparência da pele. Atendimentos voltados à estética, como micropigmentação de lábios e sobrancelhas, também fazem parte dos serviços oferecidos.
A história da empreendedora no segmento estético começou há 14 anos, durante um curso de micropigmentação realizado em 2012. Jornalista de formação, Fernanda não se encontrou na área da comunicação e decidiu apostar em uma nova carreira. “No momento final da aula, o professor falou rapidamente sobre a micropigmentação de aréolas para pacientes mastectomizadas. E isso me chamou atenção”, lembra a empreendedora.
Minha mãe foi minha primeira cliente”, conta Fernanda. Na época, a mãe de Fernanda já havia realizado o tratamento contra o câncer diagnosticado em 2004. “A mama é reconstruída, então o volume fica ali. Se a pessoa está de roupa, ninguém está sabendo de nada. Mas quem passou pela cirurgia sabe que existe uma história por trás e, ao se olhar no espelho, identifica um seio desfigurado”, explica.

Reconstrução da autoestima

O trabalho realizado pela profissional consiste em reproduzir visualmente a aréola por meio da aplicação de pigmentos compatíveis com o tom de pele da paciente. Mais do que um procedimento estético, Fernanda acredita que o processo representa uma etapa importante de encerramento do tratamento. “Quando falamos sobre uma paciente de câncer, ela passa pelo momento do diagnóstico, pelo tratamento e pelo momento final. A tatuagem paramédica faz parte deste fechamento, de devolver para essa mulher a identidade dela e fazer com que ela se sinta bem consigo mesma”, afirma.
Segundo ela, os resultados costumam ser percebidos para além da aparência física. “Tenho depoimentos de mulheres que começam a caminhar com uma nova postura depois da reconstrução. Quando estamos seguros da nossa autoimagem, conseguimos nos reposicionar diante das questões da vida”, avalia Fernanda. 
A empreendedora destaca que o procedimento exige muito mais do que domínio técnico. “É um trabalho de sensibilidade, de escuta e de acolhimento. Entregar técnica é o mínimo. O mais importante é ouvir a dor da pessoa e entender por que ela está ali.”

Da reconstrução mamária à camuflagem de cicatrizes

Com o passar dos anos, Fernanda percebeu demandas diferentes, como mulheres insatisfeitas com o resultado de um procedimento estético nos seios, homens trans que passaram pela mastectomia, além de pacientes que apresentavam outras marcas que também impactavam sua relação com o próprio corpo. Foi a partir dessa observação que ela ampliou sua atuação para a camuflagem de cicatrizes. “Eu não podia simplesmente reconstruir uma aréola sobre determinadas cicatrizes. Em alguns casos, era preciso tratar primeiro aquele tecido”, explica a empreendedora.
O procedimento envolve a aplicação de pigmentos capazes de reproduzir visualmente o tom da pele, reduzindo a percepção de cicatrizes. Antes disso, porém, é necessário avaliar a qualidade da região. “Às vezes, a cicatriz não está preparada para receber pigmento. Quando encostamos a agulha, ela abre ou sangra porque não tem estrutura de colágeno suficiente. Nesses casos, precisamos trabalhar a saúde do tecido antes.”
Segundo Fernanda, os tratamentos raramente são concluídos em apenas uma sessão. O número de encontros varia de acordo com a resposta biológica de cada organismo, respeitando intervalos mínimos de 45 dias. Outro requisito importante é o tempo de maturação da cicatriz. “Nunca realizei um procedimento antes de seis meses. A cicatriz precisa estar madura para conseguir fixar o pigmento adequadamente”, declara Fernanda.

Aprendizado constante

Ao longo dos 14 anos de atuação, a profissional buscou formação em diferentes áreas para aperfeiçoar os resultados. Além de cursos de micropigmentação, realizou especializações em tatuagem e uma pós-graduação em dermomicropigmentação. “Os tatuadores entendem muito sobre tintas, equipamentos e comportamento dos pigmentos na pele. Sempre existe algo para aprender”, comenta.
Fernanda Balbinotti comanda o Studio Fernanda Balbinotti  | NATHAN LEMOS/JC
Fernanda Balbinotti comanda o Studio Fernanda Balbinotti NATHAN LEMOS/JC
O contato frequente com cirurgiões plásticos e outros profissionais da saúde também faz parte da rotina de atualização. “Entender como determinada cicatriz foi formada ou como ocorre um processo de cicatrização interfere diretamente no meu resultado.”
Além de Fernanda, o marido, Flávio Pires, integra o negócio localizado na avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim. Enquanto ela se dedica aos atendimentos, ele é responsável pela administração, marketing e comunicação da empresa.
A parceria começou durante a pandemia de Covid-19, quando decidiram investir juntos no crescimento do estúdio. “Hoje meu maior desafio não é mais a técnica. É me entender como empresária e fazer o negócio crescer de forma saudável”, afirma.
Apesar dos planos de expansão, Fernanda não pretende aumentar significativamente a equipe. O foco está na ampliação dos cursos e no compartilhamento da metodologia desenvolvida ao longo dos anos.
“Cheguei a um ponto em que me sinto segura para ensinar. O conhecimento foi sendo construído na prática, paciente após paciente. E continuo estudando, treinando e buscando formas de fazer melhor. Acho que essa é a obrigação de qualquer profissional que trabalha diretamente com a autoestima e a história de vida das pessoas.”

Endereço e contato 

O Studio Fernanda Balbinotti está localizado na avenida Osvaldo Aranha, nº 1022, sala 603, no bairro Bom Fim. Os atendimentos são realizados a partir de agendamento por WhatsApp: (51) 99298-8730, e os orçamentos variam conforme cada caso de paciente.