Proteger os fumicultores é o escopo da Protege Química. A marca de Santa Cruz do Sul (RS) desenvolveu um creme de prevenção para a doença da folha verde do tabaco, muito comum em produtores da fumicultura. A empresa, que venceu a batalha de startups da Gramado Summit 2026, atualmente possui prospecções de expansão, voltadas principalmente ao processo de internacionalização.
Fundada em 2021 pelas empreendedoras Júlia Giovanaz Nunes, 25 anos, e Franciele Pedroso Carraro, 24 anos, a Protege Química começou a circulação do produto após dois anos de testes. "Foi um longo processo de evidência e estudo científico em cima do produto para garantir que é seguro, adequado e eficaz", conta Júlia.
A patente do creme protetor contra a doença da folha verde do tabaco é a primeira no mundo
Protege Química/Divulgação/JC
Crescimento e primeiras oportunidades de expansão
No contexto de projeção do creme, as fundadoras destacam oportunidades pontuais de crescimento, principalmente através de participações e estratégias ativas com o seu público-alvo. A feira Expoagro Afubra, em Rio Pardo, conectou o negócio com os produtores de tabaco.
"A participação na Expoagro é um grande lembrete do porquê nós começamos e precisamos continuar. É lá que recebemos os produtores de tabaco que usam o nosso produto e percebemos o impacto que nós estamos gerando”, explica.
Mas o momento descrito como virada de chave para a iniciativa foi a oportunidade de apresentar o produto para grandes líderes globais e tomadores de decisão de grandes indústrias fumageiras em um congresso da Coresta, uma associação que tem como objetivo promover e facilitar a cooperação internacional e as práticas em pesquisa científica ligadas ao tabaco e seus derivados. A organização possui uma força tarefa dedicada ao problema da doença da folha verde do tabaco, e foi no evento ocorrido na Indonésia no ano passado que surgiu a possibilidade de divulgação mundial do trabalho que vem sendo feito pela empresa no Brasil.
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"Depois de cinco anos de trabalho, conseguimos entrar nesse grupo. As oportunidades internacionais e as avaliações clínicas vieram. Tivemos a oportunidade de conversar com quem realmente trabalha se dedicando a esse assunto”, detalha Júlia.
O Congresso da associação internacional CORESTA foi a virada de chave para a expansão do produto
Protege Química/Divulgação/JC
Expectativas de internacionalização
Foram oportunidades como essas que impulsionaram as expectativas de levar o creme da Protege Química para outros lugares do mundo, principalmente localizados na África e na Ásia. Para as empreendedoras, já existia a percepção de necessidade do seu trabalho para fora do Brasil, visto a amplitude internacional da doença.
"A nível mundial, já havíamos feito uma pesquisa que a única forma recomendada de prevenção são as capas plásticas. Existe uma oportunidade de internacionalização, porque existe a demanda pelo nosso produto", conta Júlia.
Na concepção apresentada por Júlia e Franciele, o tabaco é cultivado em altas temperaturas, tornando a capa de plástico, forma de proteção tradicionalmente utilizada para prevenir a doença, um incômodo. É a partir disso que os fumicultores sentem necessidade de remover a proteção. A ideia é que no momento que o trabalhador remova a capa ele tenha a opção de utilizar o creme.
"O nosso objetivo é que continue existindo as duas opções, mas que o produtor tenha uma oportunidade de escolha", afirma a empreendedora.
A vitória na Gramado Summit 2026 garantiu a Protege Química um aumento ainda maior de possibilidades para o seu crescimento.
"Para nós, startups, que não conseguimos investir tanto dinheiro em divulgação, essa divulgação orgânica é maravilhosa. Faz com que cheguemos na casa dos fumicultores e mais gente nos conheça. Então, para nós, isso já é uma forma gigantesca de remuneração", diz Júlia.
Como prêmio pela conquista, a marca ganha a possibilidade de negociar um aporte da Ventiur entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão. Ambas as empreendedoras deixam claro que essa verba contribuiria para o processo de internacionalização.
"Com certeza seria um investimento para essa expansão internacional. Nós ainda trataremos desse assunto com calma", enfatizam.
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Projeções futuras
Para a próxima safra, elas planejam lançar uma nova versão do creme, incluindo proteção solar e um fator de verificação UV, tornando o produto auditável por lanternas de luz negra para garantir que o trabalhador o está utilizando corretamente.
A necessidade dessas melhorias na formulação vem a pedido das indústrias fumageiras, agentes com maiores recursos para levar a quem mais precisa. Existem também idealizações de possíveis outros produtos direcionados a diferentes culturas.
"O produtor de tabaco, hoje, necessita de uma área de diversificação. Então, ele não produz só tabaco, mas sim muitas coisas", detalha Júlia.
Com este cenário em vista, a startup já começa a pensar em possibilidades, como o figo, que produz uma espécie de "leite grudento" que fixa nas mãos, e o tomate, que tem uma folha urticária que causa, frequentemente, alergias e coceira na pele.

