Uma verdadeira conexão entre Porto Alegre, Garopaba, Índia, Tailândia e Indonésia. É isso que a Taiart (@taiart.loja) propõe há 35 anos. A loja reúne artigos vindos de diversos países, operando como um recanto de produtos orientais em uma loja de 350 m² na avenida Independência, em Porto Alegre. Além da operação na capital gaúcha, o negócio está presente em Garopaba, no litoral catarinense.
À frente do negócio estão Nadia Sofia Vettorello Reichert e Jorge de Souza Zoupantis. O casal concilia a vida entre Porto Alegre e Garopaba, comandando as duas operações ao longo de todo o ano. A história da Taiart surge pela conexão de Jorge com a Grécia. Filho de grego, Jorge, hoje aos 63 anos, fez sua primeira viagem para Grécia há 40 anos, onde começou sua conexão com produtos artesanais. "Viajei para lá com 23 anos. Brilhou meu olho quando comecei a vender artesanato abaixo da Acrópole. Um amigo meu português viajou para a Índia, e resolvi ir para lá. Me apaixonei por aquela cultura, e comecei a trabalhar mais com prata e pedras", lembra sobre o início da trajetória. O retorno ao Brasil veio com a gestão do primeiro filho do casal, que iniciou a importação dos itens.
O casal começou a vender produtos orientais em feiras no litoral de Santa Catarina, mas logo criou bases na avenida Independência. "Comecei com uma loja pequena onde era o Elifas Cabelereiro, depois viemos para essa loja. A empresa existe há 35 anos, e aqui já estou estabelecido aqui há 30 anos", diz sobre o ponto no número 1004 da avenida. A loja chama atenção não só pela fachada expressiva, mas pelo tamanho: 350 m² abrigam o acervo de mais de 30 anos. "Inclusive, coloquei uma placa explicando que são 350 m² de loja. A pessoa chega e vê esse pedaço do fundo e acha que é um espelho, fica surpreendida com o tamanho da loja e com o acervo que fui juntando ao longo de 30 anos, é bastante material", afirma.
A loja reúne um acervo de mais de 30 anos. Anualmente, Jorge viaja para trazer novidades
Nathan Lemos/JC
O acervo transporta o cliente de Porto Alegre para países diversos a partir dos produtos. "Temos muita coisa do budismo tibetano, que são as tigelas tibetanas, bússolas, peças de madeira, objetos de bronze, arquétipos como águias, dragões. Puxadores de gaveta da Índia. Outra coisa que gosto muito é a sessão de prata. Fiz um curso de gemologia na Ufrgs e alguns anéis sou eu que desenho", conta Jorge, sobre a variedade itens da Taiart — que não param por aí. "Incenso, perfumes, aromatizadores, decoração, como biombo, portas, tapete, capa de almofada, sofá, lenços, a gama de produtos é muito grande."
Mudanças e resiliência ao longo do três décadas
Quando Nadia e Jorge começaram a empreender, o cenário era outro. Os produtos orientais eram pouco difundidos, o que garantia ao negócio um lugar único no mercado. "Mudou bastante, porque, antigamente, o público ia bastante nas feiras internacionais. Hoje, com a internet, isso normalizou, a globalização fez com que tudo ficasse conhecido. Há 20 anos, eu era quase único, bem pioneiro, isso mudou bastante", avalia o empreendedor, reconhecendo também as mudanças recentes do Estado. "Mudou depois da enchente, o público está mais difícil. Como faço temporada em Santa Catarina, noto que acabo vendendo mais lá que aqui. E o grande problema na avenida Independência é o estacionamento", especifica sobre o ponto.
As duas lojas operam o ano todo. Em Porto Alegre, a Taiart conta com uma equipe de quatro pessoas. Em Garopaba, durante a temporada, oito pessoas apresentam os produtos orientais, já ao longo do ano a equipe é reduzida para duas colaboradoras. "Em Garopaba, são duas lojas. Tenho dois filhos, um com 29 e outro com 34. Um filho cuida de uma loja que tem mais pedras e pratas, e outro tem uma sorveteria tailandesa, a Tai Ice, ao lado da loja", conta Jorge sobre os filhos Ioanis Zoupantis e Jorge Nicolas Zoupantis, responsáveis por dar continuidade ao legado da família.
Paulo Roberto, Ana Almeida, Lua Passos e Elito Pereira, ao lado de Jorge, compõem a equipe de Porto Alegre da Taiart
Nathan Lemos/JC
Produtos para todos os bolsos
A diversidade de produtos garante, também, uma diversidade de valores. "Tem desde a pedrinha de R$ 3,00 como um dragão de madeira de R$ 19 mil, tem para todos os bolsos, é bem eclética", conta Jorge, elencando os destaques da operação. "Incenso é carro-chefe aqui da loja. O Brasil é o segundo maior consumidor do mundo. A parte de roupas vende bastante, porque é tanto masculina quanto feminina. Mas o forte antigamente era a prata. Como o metal encareceu muito, ficou mais selecionada essa parte", contextualiza o empreendedor.
O empreendedor faz viagens anuais a países como Índia e Indonésia para manter o acervo em constante renovação. "Uma vez por ano, eu viajo, fecho um container, trago para Rio Grande, libero em Novo Hamburgo", explica sobre a logística. Mas o encantamento de Jorge pelos países vai muito além do negócio. "Gosto muito de trabalhar com prata e pedras. Quando vou para Índia, gosto de mandar fabricar. A Indonésia me encanta muito, porque consigo pegar uma moto, fazer quase 100Km por dia, e vou nos lugares para encomendar, pega montanha, praia, tem uma liberdade", relata.
Pedras, especialmente as vindas de Soledade, têm ganhado espaço na operação
Isadora Jacoby/Especial/JC
Endereço e horário de funcionamento
A Taiart em Porto Alegre fica na avenida Independência, nº 1004, e opera de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h. Aos sábados, o funcionamento das 10h às 17h. Em Garopaba, a loja fica na rua Ismael Lobo, nº 93, e opera de segunda a sábado, das 10h30min às 19h. Os horários mudam durante a temporada de verão.

