Dando nova vida a um espaço de 200 m², o Hub Atividade se prepara para abrir as portas a partir do dia 8 de maio. O espaço, que tem como foco o empreendedorismo social, é uma iniciativa da Associação da Cultura Hip Hop de Esteio, que também administra o Museu da Cultura Hip Hop RS. Rafa Rafuagi, fundador e coordenador do hub, conta que a iniciativa surgiu a partir da escuta ativa sobre as necessidades dos empreendedores e empreendedoras que compõem a cadeia criativa.
O hub ficará no antigo prédio Ibama, na Cidade Baixa, que estava desocupado desde as enchentes de 2024. A concessão do espaço aconteceu por meio do Programa Imóvel da Gente, do governo federal, que articulou a aproximação entre o Ibama e a Associação da Cultura Hip Hop de Esteio. "Ele estava totalmente parado e ocioso, então havia uma série de deficiências, não estruturais, mas na condição do uso desse espaço, e nas adaptações que teríamos que fazer. Era um prédio de repartição pública, e não um prédio projetado para ter um estúdio audiovisual como estamos fazendo", explica Rafuagi.
O Hub Atividade contará com 33 escritórios para iniciativas que ficarão incubadas por lá, além de diversos espaços ofertados de forma gratuita. "Vamos ter uma loja, uma cafeteria, um espaço gourmet, um auditório para convenções para 100 pessoas, um estúdio multimídia que congrega podcast, videocast, ilha de edição, música, games, audiovisual, fotografia. Além disso tudo, teremos 33 escritórios que estarão disponibilizados para instituições a cada 18 meses num processo de incubação, que vai ter 250 horas de formação", pontua Rafuagi, destacando que esses projetos terão prioridade no uso do espaço. "O espaço vai funcionar em dias de semana, fins de semana com eventos. Diariamente, vão estar abertos todos os serviços. Em especial os estúdios, que estarão abertos publicamente tanto para quem está incubado tanto para quem não está. Vai ser possível agendar para gravar um podcast, um conteúdo, para produzir um app para game, fazer uma sessão de fotos. Claro que a prioridade é inicialmente dos incubados, mas nós vamos oferecer gratuitamente esses serviços mediante agendamento", contextualiza.
O Hub Atividade ficará na rua Miguel Teixeira, nº 126
Hub Atividade/Divulgação/JC
Metologia e ensinamentos perpetuados
Rafuagi conta que a ideia do espaço surgiu a partir da necessidade de transmitir para mais iniciativas do terceiro setor a experiência adquirida na Associação da Cultura Hip Hop de Esteio. "A formação será ccom aulas semanais de três horas de duração que vão levar com efeito prático o compartilhamento das metodologias exitosas que nós da Associação de Cultura Hip Hop de Esteio criamos e fundamentamos a partir dos outros projetos que já realizamos, a exemplo do Museu da Cultura Hip Hop do RS, a Casa da Cultura Hip Hop de Esteio, e também levando que essas metodologias sejam replicadas em seus territórios de acordo com a pegada de cada instituição. Não existe fórmula mágica, o que existe é trazer bons exemplos", acredita.
A contribuição de outros espaços de inovação é destacada por Rafuagi como um passo importante para o desenvolvimento do hub. "A gente teve uma parceria intelectual com o Instituto Caldeira, com o Pedro Valério, que foi um grande parcerio, que nos inspirou no sentido prático. Eu já tinha uma ideia fundamentada, mas fiz inúmeras trocas, baseado na metodologia de funcionamento do Caldeira. Mas o Caldeira atende muitos interesses privados e de grandes empresas, e nós queríamos fazer o contrário, atendendo os interesses do terceiro setor e de entidades sociais que trabalham com todo tipo de público, jovens, adultos, idosos, mulheres, LGBTs, e que a gente pudesse fazer uma qualificação desse terceiro setor", ressalta sobre o papel do hub, que projeta captar investimentos importantes para as iniciativas incubadas. "O hub surge para difundir tecnologias sociais, gerar trabalho e renda, e gerar distribuição de renda, pensando em atrair ate R$ 100 milhões nos primeiros cinco anos e fazer com que as entidades tenham a possibilidade de levantar R$ 1 milhão para levar para os seus territórios."
Inovação como ferramenta social
Nos últimos anos, a temática da inovação ganhou espaço no Estado com a chegada e consolidação de eventos e espaços sobre o tema. Rafuagi ressalta, no entanto, que ainda há um distanciamento de uma parcela de empreendedores em relação ao tema. "Eu também fui, de certo modo, não incluso nesse processo de inovação que está acontecendo no Estado e que atende uma parcela da sociedade, que tem muita grande e infelizmente pouco devolve para o setor social. Nós nunca fomos inclusos como um processo de inovação. Nós inauguramos o primeiro Museu do Hip Hop da América Latina, e nunca nos chamaram para relatar esse case de sucesso, que é uma referência internacional", lamenta.
A partir dessa perspectiva, a ideia é que o Hub Atividade opere como esse espaço aberto para conexões com empreendedores de diferentes contextos. "Quando pensamos o Museu do Hip Hop, foi por nunca termos visto, pelo menos aqui, nenhuma iniciativa que projetou a cultura hip hop no âmbito da memória e do patrimônio. E agora o hub também é reflexo de não termos tido essa oportunidade em relação à inovação. A inovação não é apenas tecnológica, mas social. Ela inova na criação de soluções para os problemas comuns à sociedade, ela inova projetando metodologias que são de fácil replicação em outros territórios e diferentes contextos, e ela inova principalmente por ser solidária e por difundir gratuitamente seus conceitos que levaram anos a serem materializados e teorizados, e de forma prática induz, no sentido positivo da palavra, as entidades a acelerarem seus rolês, seus negócios e causarem mais impacto e atraírem mais investimento", acredita.
Festival marca o início do Hub Atividade
Nos dias 8 e 9 de maio, o Hub Atividade abre as portas com um festival, marcando o início das atividades do espaço. "As atrações e a programação são de peso. Vão ter rodadas de negócios, com compradores de três áreas afins de hip hop, audiovisual e música. Estamos trazendo os grandes players da música e do hip hop da América Latina. Estaremos fazendo rodadas de negócios com oportunidades para até 250 vendedores que tenham produtos e projetos. Teremos painéis de mercado com MV Bill, com a Eliane Dias, da Boogie Naipe, e também com o MC Guimê, do Instituto MC Guimê. Teremos painéis com players de mercado, como a Cufa, Instituto Caldeira, Banco do Brasil, e também o governo federal. Além disso, teremos shows e keynotes da Paula Lima, shows com o rapper BK, Ajuliacosta, além de shows locais com Chimarruts, Da Guedes, e outros nomes", adianta Rafuagi, destacando que o objetivo é que o evento entre para o calendário anual de eventos do Rio Grande do Sul. "A proposta é que o evento de inauguração do hub em maio se torne um calendário anual da inovação e da tecnologia social aqui no Estado."

