Nesta segunda-feira (20), começou o World Creativity Day (WCD) POA 2026, evento dedicado a discutir e fomentar a criatividade e o empreendedorismo na capital gaúcha. A iniciativa, que também celebra o Dia Mundial da Criatividade comemorado nesta terça (21), reuniu, além de painéis, diversos empreendedores da economia criativa, que puderam expor e comercializar seus produtos no Nau Live Spaces.
Abrindo a programação, o painel Lojas colaborativas: conexão, propósito e mercado contou com a presença das empreendedoras Bia Job, publicitária, especialista em marketing e moda, sócia da Aloja Colab e cofundadora do movimento Somos Mag, Heloisa Herve, publicitária, professora universitária e cofundadora da Aloja e da 2B Comfy Wear, e Manoela Bartell, empreendedora criativa, professora e serigrafista à frente da Revolta Criativa. A mediação foi realizada pela editora do GeraçãoE, Isadora Jacoby.
A mediadora do bate-papo iniciou identificando as lojas colaborativas como um dos motores do empreendedorismo. “Essas iniciativas formam hubs de criatividade, de empreendedores que, às vezes, atuam de forma solo, mas nessas lojas encontram espaços de colaboração”, afirmou.
A empreendedora e uma das sócias da Aloja Colab encontrou no seu negócio uma forma de resistir a momentos de transformação tanto do mercado, quanto da forma de consumir. “Começamos a fazer feiras autorais e, com o tempo, percebemos que só de feira não ia dar para se manter. A gente entendeu que seria importante ter um espaço em conjunto para as transformações que iriam ocorrer”, explicou Bia.
Sócia de Bia e cofundadora da Aloja, Heloisa encontra na palavra “acolhimento”, o significado real de uma loja colaborativa. “Amo a palavra acolher e acredito que o acolhimento seja um dos principais elementos do formato colaborativo”, destacou, comentando que a pandemia de Covid-19 foi um acelerador.
Do outro lado do jogo, Manoela está à frente da marca Revolta Criativa. A empreendedora comanda um dos negócios que fazem parte da loja colaborativa Studio Criar. “Este formato se apresentou como uma solução, principalmente para mulheres, que acumulam diversas funções. Toda ideia de como eu iniciaria a minha marca aconteceu dentro desta loja colaborativa, que me acolheu”, trouxe a painelista.
Em outro momento, Isadora enfatizou como projetos neste formato podem proporcionar uma experiência que vai além de uma vitrine. “Empreender muitas vezes com uma marca autoral é uma jornada muito solitária. Muita gente começa, às vezes até dentro de casa, e não tem com quem trocar os desafios. As lojas colaborativas também são espaços para propiciar essas trocas”, salientou.
De acordo com Bia, essas lojas operam como um hub criativo. “Proporcionamos não só oportunidades de negócio, mas de relacionamento”, comentou ela dando exemplo das colabs entre marcas, feiras, entre outras ações realizadas. “A loja colaborativa é um movimento, a venda é uma consequência”, destacou.
Outro ponto citado pelas painelistas foi a relevância da economia criativa para o Brasil, hoje já representando cerca de 3,5% do PIB do País. Com isso, as convidadas sinalizaram a importância da regularização desses negócios, para que boas iniciativas não caiam na informalidade. “Uma marca precisa saber o que quer ser, precisa estar regulamentada, ter um CNPJ, ter foco”, ressaltou Bia. Manoela ainda complementa afirmando que, desde o momento inicial, é preciso identificar o propósito. “Só vou conseguir vender meu produto se isso estiver muito claro desde o início”, completou.
Na mesma linha, Heloisa comentou que atualmente criar passou a ser a parte mais fácil, mas, atualmente, o desafio está em gerir. “O que eu vejo hoje é que uma das coisas que temos que trabalhar na criatividade não é a iniciativa, é a acabativa. Só a criatividade não faz a autoralidade.”
Empreendedores buscam conexão durante o evento
Durante o evento, marcas do segmento de moda, decoração e acessórios foram destaque em uma feira no Nau Live Spaces. Entre os expositores estava Regina Jaeger, à frente da Mais Mosaico desde 2018. A marca aposta na criação de objetos decorativos e pequenos móveis a partir da técnica de mosaico. “Ano passado, com a minha aposentadoria, decidi empreender de maneira mais direcionada e focada na arte dos mosaicos. O que mais tem saída aqui são as mesas e aqui no Estado essa técnica não é muito explorada ainda”, comentou, afirmando a importância de eventos como WCD POA. “É onde encontramos outras possibilidades de criar e para onde expandir, e assim consolidar mais o nosso trabalho”, destacou.
Regina Jaeger comanda a Mais Mosaico desde 2018
TÂNIA MEINERZ/JC
Fundada em 2019, a CÓS - Costura Consciente produz itens a partir de resíduos têxteis costuráveis. Marina Anderle Giongo, responsável pela iniciativa, comentou sobre as novidades da marca, como as peças produzidas a partir do tecido de paraquedas. “Estamos com três materiais novos além dos guarda-chuvas, que a gente já usava. São as saias com tecidos de paraquedas, as lonas de kitesurf para fazer peças menores, como carteiras e necessaires e uma collab com uma marca de malhas, onde reaproveitamos retalhos”, contou a empreendedora.
Já Bernardo Sperb, está à frente da Do Quintal, marca que comercializa kokedamas, técnica japonesa que cultiva plantas em bolas de musgos. De acordo com o empreendedor, estar dentro de uma loja colaborativa fez o negócio despontar. “A minha marca é o que é hoje por conta desse formato. A partir desses eventos eu consegui inserir meu produto dentro de uma rede de hotéis, hoje meu produto está presente em quatro hotéis”, contou.
Bernardo Sperb está à frente da Do Quintal
TÂNIA MEINERZ/JC
Líder local do WCD, Adriana Ilha, salientou a importância do evento como uma vitrine de talentos e iniciativas criativas da cidade. “É importante a gente entender quantos atores estão conectados. Estamos trazendo para esse evento pessoas do governo, das universidades, da iniciativa privada, das associações. Então conectar todas essas pessoas é super importante”, enfatizou.
Adriana Ilha é a líder local do WCD POA 2026
TÂNIA MEINERZ/JC

