Gustavo Marchant

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Estagiário do GeraçãoE

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Novidade

Novo bar de jazz une proposta intimista e vinhos internacionais no Bom Fim

O Monk abriu em março e aposta na acústica e arquitetura do espaço para conquistar os amantes de jazz de Porto Alegre
O Bom Fim ganhou um novo endereço para quem gosta de música, conversa e gastronomia sem pressa. É o Monk (@monk.poa), bar de jazz que ocupa um antigo consultório odontológico na avenida Bento Figueiredo, nº 86. O espaço inaugurado no começo de março comporta 28 pessoas, tem uma atmosfera intimista e foi pensado para que o som não seja apenas trilha sonora.
O Bom Fim ganhou um novo endereço para quem gosta de música, conversa e gastronomia sem pressa. É o Monk (@monk.poa), bar de jazz que ocupa um antigo consultório odontológico na avenida Bento Figueiredo, nº 86. O espaço inaugurado no começo de março comporta 28 pessoas, tem uma atmosfera intimista e foi pensado para que o som não seja apenas trilha sonora.
Ao serem perguntados "por que o jazz?", os proprietários devolvem: "por que não o jazz?", provoca Eduardo Borges, que assina a curadoria ao lado da mulher, Rita Brandão. "Na verdade, é porque a gente gosta, e eu sempre quis ter um lugar que tocasse só jazz", completa. O nome do bar veio de Thelonious Monk, pianista dos anos 1940 conhecido pela difusão do bebop como subgênero do jazz.
O Monk era um projeto antigo do casal, que percebeu, após analisar o mercado, que restaurantes grandes nem sempre são lucrativos e que o atendimento pessoal faz diferença. "A nossa percepção de gastronomia mudou muito. Hoje, as pessoas têm mais percepção das coisas do que do valor real", observa Rita.
"Essas coisas não são mais separadas, precisam de um equilíbrio mínimo", diz a empreendedora. "Eu nem gosto mais da palavra 'experiência', mas ainda é a melhor forma de definir, porque é algo sensorial", complementa.

Trilha sonora no feeling

No Monk, não há playlist fixa. O casal comanda o ritmo ao vivo, escolhendo discos conforme o clima da casa. "A gente sente o ambiente e vai fazendo uma seleção. Se tem muito barulho, colocamos uma música mais calma. Se são só casais, algo mais romântico. Se precisa de mais agitação, vai um som mais solto", explica Eduardo, que trabalhou mais de 10 anos como comprador de catálogo de jazz na Livraria Cultura. "Era um trabalho bem comercial, agora não, é prazer", completa.
A ideia do novo negócio é que o jazz seja ouvido como protagonista. "O jazz é tratado não como uma música que está numa caixinha tocando para cobrir um ambiente", define Eduardo, que dá ênfase à acústica do local, projetada sob medida para se apreciar as melodias sem atrapalhar a conversa da clientela. 

Acústica como diferencial

A obra foi acompanhada de perto pelo casal. Eles contam que chegaram a ficar das 7h às 23h nos preparativos para a estreia, realizada em 5 de março. "Pesquisamos tudo, fomos construindo, testando, até chegar ao espaço que é hoje", afirma Eduardo.
O projeto arquitetônico — do sofá ao stencil da fachada — é dos próprios empreendedores, com ajuda de uma amiga arquiteta. "O pessoal não consegue saber o que tem aqui. Tem um sofá embaixo, mas você não sabe que sofá é, qual a época. Despista a pessoa", conta Rita, dos tecidos que cobrem os assentos do bar. Segundo o casal, as paredes revestidas de tecido garantem a acústica e aconchego para os clientes. "A ideia é que parecesse uma casa fechada", diz Rita. 
Ela reforça que a ideia se baseou em um lugar que fosse clean, onde não se enxerga a cozinha, e muito menos os ruídos que vêm da rua. "À noite, o espaço fica uma graça. Parece um bunker, você sai da rua, entra aqui e é outro cheiro, outra temperatura, outro tipo de música", descreve.

Menu com vinhos internacionais

Diferente dos negócios anteriores do casal — a antiga queijaria Borges, em Porto Alegre, e empório e bar Primitivo, em São Paulo —, o Monk aposta em cozinha quente, com pratos feitos para compartilhar. O cardápio é enxuto, e ainda encontra-se em fase de testes, com preços que variam de R$ 32,00 a R$ 68,00. Apesar de pequeno, o menu reúne opções para vários gostos. Entre os destaques estão a milanesa de porco, o vinagrete de camarão e crocante, raviolone de costela, manteiga e sálvia e os bolinhos de bacalhau e cabotiá.
A carta de vinhos traz rótulos frescos e leves, muitos de produtores gaúchos e até internacionais, como o vinho branco Movia Malval, que vem da Gorizia, cidade de fronteira entre a Itália e a Eslovênia. Dos rosés, vale falar do Les Chant Des Gris de Sauvignon, direto de Bordeaux, na França. Falando sobre vinho tinto, um brasileiro que aparece no cardápio é Salamanca do Jarau, um cabernet de Rosário do Sul, na Campanha. Eles partem do valor de R$ 138,00, com a opção mais cara custando R$ 582,00, embora também haja a possibilidade de apreciar os vinhos em taças, a partir de R$ 35,00.
Ainda nas bebidas, cabe mencionar o Mataojo Nature, espumante da região sudeste do Uruguai. Também no bar, há um drink de caju que chama atenção. Ele consiste em uma mescla de cachaça envelhecida em amburana, limão, amendoim e, claro, o caju. 
Outra atração já mais curiosa são as cervejas feitas a partir do mosto da uva. De acordo com o empreendedor, elas envelhecem por anos junto à fruta. "Ela se apropria de características da uva e fica uma bebida muito complexa", afirma Eduardo, sobre a Muscat Brett Saison e a Merlot Saison, que juntas somam mais de 3,2 mil dias em barricas de carvalho.

Eventos no horizonte

Com capacidade para 28 pessoas, o Monk já projeta novos formatos para ocupar o espaço também durante o dia. "A gente quer muito fazer evento, da pessoa reservar o espaço para um aniversário ou uma coisa corporativa, a gente fazer um cardápio especial e o espaço ser dela", planeja Rita. "Como o lugar é pequeno, a gente também precisa rentabilizar. Depois a gente também vai colocar alguns itens no delivery para ajudar no fluxo", complementa.
A operação, por enquanto, é noturna e, apesar de contarem com três pessoas na equipe, Eduardo e Rita mantêm o envolvimento em todas as frentes. "A gente fez a fachada, as fotografias dos pratos, ensina o cozimento, atende, busca na mesa, a gente faz as compras, paga os boletos", enumera Rita. "É literalmente feito no braço por nós dois. E a gente acha massa, não é reclamação, faz parte", conclui.

Endereço e horário de funcionamento

O Monk fica na Bento Figueiredo, nº 86, no Bom Fim. O jazz começa às 19h e se encerra às 23h, de terça a sábado. Para mais informações, acompanhe o bar no Instagram (@monk.poa).