Demitido por cometer um erro de português quando tinha apenas 18 anos, um “colono” do interior de Bom Princípio, como se autodefine Giovani Prass, transformou um investimento inicial de apenas R$ 4 mil em uma rede de franquias que faturou quase R$ 23 milhões em 2025. Hoje, o empreendedor comanda a Hora do Pastel, negócio que vende cerca de 8 mil unidades por dia e tem a meta ambiciosa de chegar a 100 lojas até 2028.
A rede de fast food de pastéis nasceu em 2018, no segundo piso de uma casa em Sapiranga, onde ele mesmo fritava os alimentos. No entanto, a semente da Hora do Pastel vem um pouco antes, e por incrível que pareça, surgiu devido a um grande revés na vida de Giovani. Também na gastronomia, ele possuía um negócio que não foi adiante por questões na sociedade. “Deu certo por um ano e pouco, depois vendemos. Porém a pessoa não tocou direito e, como ainda estava no meu nome, eu tive que pegar de volta. Deu uma baita confusão, acabei fechando, me endividei e precisei recomeçar. No meio do caminho, percebi que a alimentação era um mercado muito bom, mas queria focar em um nicho”, lembra o empreendedor. Nesse processo de reconstrução financeira, que durou dos 22 aos 25 anos, ele trabalhou como consultor ajudando a recuperar outros restaurantes. Foi aí que ele teve o seu maior aprendizado: a falha do setor de alimentação era a falta de processos e de padrão.
Esse conhecimento faz Giovani frisar que ele não é um "pasteleiro que virou empresário". Ele não criou uma pastelaria que deu certo por acaso e virou negócio. Foi o oposto: ele pegou um modelo de negócio estruturado — com DRE, fluxo de caixa e controle de estoque — e usou o pastel como produto a ser vendido.
Esse conhecimento faz Giovani frisar que ele não é um "pasteleiro que virou empresário". Ele não criou uma pastelaria que deu certo por acaso e virou negócio. Foi o oposto: ele pegou um modelo de negócio estruturado — com DRE, fluxo de caixa e controle de estoque — e usou o pastel como produto a ser vendido.
Na pesquisa para chegar ao pastel, houve um olhar atento para mapear as tendências do mercado no Vale do Sinos, embora a nostalgia também tenha sido relevante. “Na época, olhava hambúrguer, açaí e pizza também. Mas sempre gostei de pastel. Lembro da infância, quando jogava futebol, e a gente trocava por uma Pepsi e um pastel para disputar o campeonato. Era assim o pagamento. Por isso, ele me remete a essa lembrança”, recorda o empreendedor.
O seu norte principal, contudo, foi a demanda pelo alimento, muito popular na região, seguido de uma análise sobre o perfil dos outros negócios. “Pastel você encontra em cada esquina, mas, principalmente aqui no Vale dos Sinos, não havia um conceito como o nosso. Ou era gourmet demais, com pastelarias premium, ou simples demais, como pastel de rodoviária ou de feira. Não existia um meio-termo, e quase não havia foco em delivery”, observa.
O seu norte principal, contudo, foi a demanda pelo alimento, muito popular na região, seguido de uma análise sobre o perfil dos outros negócios. “Pastel você encontra em cada esquina, mas, principalmente aqui no Vale dos Sinos, não havia um conceito como o nosso. Ou era gourmet demais, com pastelarias premium, ou simples demais, como pastel de rodoviária ou de feira. Não existia um meio-termo, e quase não havia foco em delivery”, observa.
Em 2019, Giovani montou uma indústria de insumos que chegou a faturar até R$ 600 mil mensais. Porém, com a pandemia, os clientes comerciais fecharam as portas. "Tenho mais de R$ 1 milhão em mercadoria na rua que eu não consigo cobrar", revela o empresário.
O prejuízo forçou o encerramento da distribuidora, circunstância que Giovani enxerga com bons olhos nos dias de hoje, pois acabou sendo a chave para a expansão nacional da franquia. "Se não tivesse feito esse fechamento, a Hora do Pastel não ia conseguir crescer como ela cresceu, porque, através desta indústria, eu estava limitado a ter lojas muito perto por causa da logística dos insumos", avalia. Sem a fábrica, a empresa precisou inovar. "A gente desenvolveu a tecnologia que temos hoje, que manda o tempero e o mix pronto pras lojas. Hoje, a gente pode abrir loja em qualquer lugar no Brasil", comemora o fundador.
O prejuízo forçou o encerramento da distribuidora, circunstância que Giovani enxerga com bons olhos nos dias de hoje, pois acabou sendo a chave para a expansão nacional da franquia. "Se não tivesse feito esse fechamento, a Hora do Pastel não ia conseguir crescer como ela cresceu, porque, através desta indústria, eu estava limitado a ter lojas muito perto por causa da logística dos insumos", avalia. Sem a fábrica, a empresa precisou inovar. "A gente desenvolveu a tecnologia que temos hoje, que manda o tempero e o mix pronto pras lojas. Hoje, a gente pode abrir loja em qualquer lugar no Brasil", comemora o fundador.
Expansão com foco nacional
Conforme Giovani, a Hora do Pastel possui 20 lojas “faturando” atualmente, embora o número de unidades já engatilhadas seja maior, com negócios assinados que possuem previsão de abertura garantida até 2027. Esse tempo, segundo o empreendedor, deve-se ao período de validação necessário para adquirir mais lojas. “Tem mais lojas que já estão em contrato, algumas em fase de escolha de ponto e outras com contrato assinado para abertura. O franqueado não pode abrir várias ao mesmo tempo. Primeiro ele inaugura uma, opera por seis meses, valida a unidade e, depois, pode abrir a segunda, e assim por diante”, explica.
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De acordo com o empreendedor, o sucesso de uma franquia é estabelecido a partir dos processos ensinados pela matriz, sem tentar reinventar a roda. “O conceito de franquia foi desenhado para copiar e colar, porque assim você consegue ganhar dinheiro. Você pega algo que já está pronto, replica na sua cidade, fica responsável pela operação local e contribui para o crescimento da marca como um todo”, aponta Giovani, que não recusa novas ideias. A Hora do Pastel possui um comitê que recebe sugestões de melhorias a partir das experiências dos franqueados.
De acordo com o empreendedor, o sucesso de uma franquia é estabelecido a partir dos processos ensinados pela matriz, sem tentar reinventar a roda. “O conceito de franquia foi desenhado para copiar e colar, porque assim você consegue ganhar dinheiro. Você pega algo que já está pronto, replica na sua cidade, fica responsável pela operação local e contribui para o crescimento da marca como um todo”, aponta Giovani, que não recusa novas ideias. A Hora do Pastel possui um comitê que recebe sugestões de melhorias a partir das experiências dos franqueados.
O pensamento atual da franquia é focado na expansão para a Região Central de São Paulo, onde recentemente abriram uma grande loja em frente ao edifício Copan, ponto icônico da capital paulita projetado por Oscar Niemeyer. A estratégia é utilizar o estado como um dos seus "extremos" territoriais de referência, tendo São Paulo e o Rio Grande do Sul como eixos operacionais. "A meta é ir descendo a partir de São Paulo e subindo a partir do Rio Grande do Sul, abrangendo Paraná e Santa Catarina", esclarece.
Modelos de franquia
Existem três modalidades de franquia, delimitadas por número de habitantes e montante investido. A unidade pocket é a grande aposta para expandir cada vez mais a marca. Num formato enxuto, montado em 20m², o foco é exclusivamente em delivery e retirada no local, com investimento inicial entre R$ 80 mil e R$ 120 mil. Esse modelo funciona, desde 2026, de forma 100% autônoma, operando com totens de autoatendimento. Giovani destaca que esse formato é o que melhor se encaixa no cenário brasileiro, e a expectativa é de que, no futuro, a cada 40 novas lojas inauguradas, 39 sejam no formato Pocket. Além dela, tem a Standard, modelo intermediário da rede, com um valor médio entre R$ 150 mil e R$ 170 mil. Também há o modelo Premium, versão mais completa e robusta oferecida pela Hora do Pastel. Por conta dos seus atributos, ela exige um investimento inicial maior, na faixa dos R$ 200 mil ou mais.
O cardápio da Hora do Pastel conta com mais de 80 sabores e 300 combinações. O carro-chefe são os pastéis salgados e doces, saindo por R$ 23,90 e R$ 20,90, respectivamente. Além destes, existem rodízios de seis e 12 pastéis, reduzindo o preço dos salgados, de forma que cada um custe R$ 9,90, mesmo preço das porções de batata frita encontradas no cardápio.
O cardápio da Hora do Pastel conta com mais de 80 sabores e 300 combinações. O carro-chefe são os pastéis salgados e doces, saindo por R$ 23,90 e R$ 20,90, respectivamente. Além destes, existem rodízios de seis e 12 pastéis, reduzindo o preço dos salgados, de forma que cada um custe R$ 9,90, mesmo preço das porções de batata frita encontradas no cardápio.

