Dener Pedro

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Estagiário do GeraçãoE

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Gustavo Marchant

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Estagiário do GeraçãoE

Gustavo Marchant

Gustavo Marchant Estagiário do GeraçãoE

Júlia Fernandes

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Repórter

Júlia Fernandes

Júlia Fernandes Repórter


Negócios

Volta às aulas aquece diversos setores da economia gaúcha

Fevereiro é o mês de retorno às atividades das instituições de ensino e vários empreendedores aproveitam o período para promover soluções e faturar
Dizem que o ano só inicia depois do carnaval, mas, para quem empreende e tem estudantes como público-alvo, 2026 já começou. A volta às aulas movimenta a economia em várias frentes. Desde o setor imobiliário, com o fluxo de estudantes migrando para regiões universitárias, até iniciativas que atuam propriamente com atividades para o meio educacional, como confecção de uniformes e transporte de alunos.Atuando desde 2023 em Porto Alegre, a Uliving (@ulivingbrasil) é uma rede de moradia estudantil 100% pensada para universitários. Com sede em São Paulo, a empresa surgiu em 2012 com pequenos imóveis e, a partir de 2019, com a busca de investidores e a experiência de gestão, passou a ter edifícios inteiros para abrigar vários moradores.De acordo com o CEO da Uliving, Ewerton Camarano, o modelo das residências é comum em outros países, mas ainda pouco explorado no Brasil. “Ainda precisamos deixar bem claro do que se trata, porque as pessoas não estão tão familiarizadas. Não é uma residência comum e tem um valor agregado muito importante, que é o que acontece dentro dos prédios”, garante Ewerton. “Tanto é que um dos primeiros investimentos que recebemos foi de um investidor americano, que vivia numa cidade pequena, perto de Boston, se mudou para fazer a faculdade e essa experiência catapultou a carreira dele, então tinha um valor sentimental com a ideia do negócio”, revela.De acordo com o Censo da Educação Superior de 2024, o Brasil tem cerca de 5 milhões de estudantes universitários na modalidade presencial. “É um grande mercado, então restringimos o público a estudantes universitários, de graduação, pós, mestrado, ou até carreiras não necessariamente universitárias, como teatro, idiomas, música. Mas fazemos questão de manter este público de pessoas que estão vivendo a mesma fase da vida e dispostas a trocar experiências umas com as outras”, destaca Ewerton.
Dizem que o ano só inicia depois do carnaval, mas, para quem empreende e tem estudantes como público-alvo, 2026 já começou. A volta às aulas movimenta a economia em várias frentes. Desde o setor imobiliário, com o fluxo de estudantes migrando para regiões universitárias, até iniciativas que atuam propriamente com atividades para o meio educacional, como confecção de uniformes e transporte de alunos.

Atuando desde 2023 em Porto Alegre, a Uliving (@ulivingbrasil) é uma rede de moradia estudantil 100% pensada para universitários. Com sede em São Paulo, a empresa surgiu em 2012 com pequenos imóveis e, a partir de 2019, com a busca de investidores e a experiência de gestão, passou a ter edifícios inteiros para abrigar vários moradores.

De acordo com o CEO da Uliving, Ewerton Camarano, o modelo das residências é comum em outros países, mas ainda pouco explorado no Brasil. “Ainda precisamos deixar bem claro do que se trata, porque as pessoas não estão tão familiarizadas. Não é uma residência comum e tem um valor agregado muito importante, que é o que acontece dentro dos prédios”, garante Ewerton. “Tanto é que um dos primeiros investimentos que recebemos foi de um investidor americano, que vivia numa cidade pequena, perto de Boston, se mudou para fazer a faculdade e essa experiência catapultou a carreira dele, então tinha um valor sentimental com a ideia do negócio”, revela.

De acordo com o Censo da Educação Superior de 2024, o Brasil tem cerca de 5 milhões de estudantes universitários na modalidade presencial. “É um grande mercado, então restringimos o público a estudantes universitários, de graduação, pós, mestrado, ou até carreiras não necessariamente universitárias, como teatro, idiomas, música. Mas fazemos questão de manter este público de pessoas que estão vivendo a mesma fase da vida e dispostas a trocar experiências umas com as outras”, destaca Ewerton.

Como funciona a moradia

Ewerton garante que o pilar principal da Uliving é o estudo, então a prioridade é ter espaços para isso. “Mas também temos serviços 24 horas, como mercado e lavanderia, para gerar mais facilidade aos residentes e dar tempo para estudarem. A localização é pensada para o deslocamento ao campus ser curto, para que os alunos possam aproveitar os recursos. Quantos não conseguem porque chegam na hora da aula e precisam sair rápido?”, indaga.

Mas além das áreas de estudo, as moradias também contam com vários espaços de lazer para serem compartilhados. “Varia de unidade para unidade, mas sempre tem sala de estar com TV, algumas com salas de cinema, sala de vídeo game, áreas externas com solário, com piscina, quadras de vôlei de areia. E sempre pensamos no aspecto regional também. Na unidade de Porto Alegre tem um chimarródromo”, exemplifica Ewerton.

A arquitetura dos edifícios é planejada para estimular a convivência entre os moradores. “Se reunir na cozinha faz parte da cultura do brasileiro, quase toda casa é assim. Aqui, temos cozinhas compartilhadas, que acabam se tornando um grande centro de encontro. São bem equipadas para que as pessoas não precisem comprar utensílios para o apartamento, que serve basicamente como uma área de descanso. A maior parte das coisas ficam da porta para fora”, frisa Ewerton.

Ewerton conta que há uma série de eventos e encontros promovidos pela Uliving, também pensando na integração entre os estudantes, como oficinas de arte, apresentações de trabalhos, ou até o Chef da Vez, atividade em que alunos de diferentes regiões do país e do mundo cozinham um prato típico do local de onde vêm. “Estamos falando de pessoas que estão em faculdades muito prestigiadas, então tem uma massa pensante muito relevante, com uma riqueza sendo compartilhada entre eles”, reitera.

Os estrangeiros, inclusive, representam boa parte dos residentes da Uliving. “Para nós, a diversidade é um grande valor. Não só a diversidade de gênero ou racial, mas também recebemos muitos estrangeiros. Eles representam cerca de 30% dos moradores. Tem unidade com 150 estrangeiros. É uma forma de viver uma espécie de intercâmbio dentro do próprio País”, percebe Ewerton.

Com tantas trocas entre estudantes, diversas histórias surgiram dessa convivência. “Alguns relacionamentos nasceram aqui. Teve um caso de um casal de um menino francês e uma menina brasileira. Nós acompanhamos o drama que foi a volta dele para a França, mas, um tempo depois, ela conseguiu fazer a transferência para um intercâmbio lá e estão juntos até hoje”, conta Ewerton. “Já tivemos casos de pessoas mais velhas, que começaram carreiras mais tarde e vieram morar na Uliving. Essas experiências foram muito ricas porque eles se tornaram meio tios da galera”, comenta.

Por que Porto Alegre?

A Uliving chegou à Capital em 2023 através do retrofit de um prédio. Há um ano, o local foi ampliado com a construção de um novo edifício. A capacidade passou de 99 para 337 vagas. “Temos tido excelentes resultados em Porto Alegre. Nosso escritório é em São Paulo, e aí é a unidade mais distante, então essa administração é um grande aprendizado. É uma unidade muito bacana. Nada do que eu fale aqui vai conseguir descrever a sensação de estar lá, por isso eu recomendo que visitem”, sugere Ewerton.

A escolha não se deu apenas por afinidade à cidade, explica Ewerton. “Sempre partimos do entendimento da demanda do nosso serviço a partir de alguns indicadores, como ranking de vagas, se as faculdades são particulares ou federais, o quanto elas atraem pessoas de fora”, detalha, deixando em aberto uma possibilidade de nova expansão. “Estamos no Bom Fim, mas estamos sempre antenados, especialmente na região mais próxima à Pucrs. Enxergamos muito potencial ali”, analisa.

Informações sobre a Uliving Porto Alegre

A unidade de Porto Alegre da Uliving fica na rua Antão de Faria, nº 61, no bairro Bom Fim. O valor mensal para residir parte de R$ 1,7 mil na modalidade de studio compartilhado. Mais informações podem ser consultadas no site tinyurl.com/4ub8et6r.

Loja de uniformes escolares opera há 25 anos e produz mais de 15 mil peças

Com confecção própria, a Top Sul Uniformes atende as principais escolas particulares de Porto Alegre
Fundada há mais de 25 anos, a Top Sul Uniformes é responsável pela fabricação e distribuição de uniformes escolares para 18 escolas particulares em Porto Alegre. A história do empreendimento familiar é marcada por uma sucessão geracional, expansão estratégica de clientes e a verticalização da produção. Atualmente, o casal Edilaine Frizzo e Luiz Carlos Alexandre está à frente do negócio, que iniciou com a mãe de Luiz, há mais de três décadas.

A antiga Loja Hortênsia já atuava no mercado de uniformes escolares. Com o falecimento da fundadora, Edilaine e Luiz Carlos assumiram a gestão, rebatizando o empreendimento como Top Sul Uniformes, há 25 anos. "Os primeiros colégios que começamos a atender foram o Farroupilha, o Rainha do Brasil, o Israelita e o Santa Cecília", comenta Edilaine.

Com o passar dos anos e o aumento dos clientes, para dar conta da demanda, a Top Sul deixou de ser apenas uma loja para se tornar uma operação robusta. A marca possui confecção própria, onde realiza desde a costura até processos de serigrafia e bordado. Além disso, tem pontos de vendas espalhados nas escolas. "Temos a nossa loja matriz, na rua Vicente da Fontoura, e operamos sete lojas físicas dentro dos próprios colégios, facilitando o atendimento às famílias", explica a empreendedora.

Além dos uniformes em tamanhos e modelos padrão, a marca trabalha com uniformes sob medida para crianças com necessidades específicas e produz uniformes para os funcionários das escolas. "Temos uma grande demanda de uniformes dos funcionários, principalmente no Farroupilha, no Anchieta e no João XXIII", destaca Edilaine. Ela afirma que o período de volta às aulas é um desafio para a empresa, que chega a produzir cerca de 15 mil peças de uniforme na largada do ano letivo.

A alta demanda por uniformes não se limita apenas a este período. Segundo a empreendedora, alguns meses após o início das aulas, a busca por uniformes de inverno, casacos e moletons acaba sendo mais um ponto alto. “A linha de verão tem muita saída e, a partir de março, começa a produção das peças de inverno”, compartilha Edilaine. Para dar conta do volume, a Top Sul segue um rigoroso cronograma de produção, garantindo que as peças sejam confeccionadas antes do período de maior procura.

A empreendedora compartilha o processo de criação dos uniformes, realizado em parceria com o time de marketing de cada instituição, responsável por definir o design das peças. “Cada colégio tem o seu tecido e a sua cor exclusiva, mas toda a produção é concentrada na nossa fábrica: a impressão, a parte de serigrafia e os bordados”, explica. Ela afirma que, atualmente, o foco da gestão não é a expansão para novos colégios, mas sim a manutenção da qualidade do atendimento e dos contratos já conquistados, especialmente devido à dificuldade de encontrar mão de obra qualificada no setor.

Edilaine acredita que o acerto do negócio está nas parcerias de longo prazo com as escolas. Um diferencial importante citado por ela é a fidelidade dos clientes, já que a empresa acompanha a vida escolar dos alunos, muitas vezes atendendo a mesma criança dos 2 aos 17 anos.

O que nos motiva é lidar com bons clientes. Temos uma clientela muito fiel, que nos gera confiança e muita tranquilidade em trabalhar. Nós vemos as crianças crescendo, e há pais que mandam as crianças só com as babás, pois as vendedoras já conhecem os alunos e o tamanho. Já existe uma relação de confiança”, relata a empreendedora.

Da crise ao aumento de clientes

A pandemia de Covid-19 representou o período mais desafiador na história da Top Sul, sendo o único momento em que a empresa registrou uma queda drástica na demanda, chegando a paralisar totalmente as atividades devido à suspensão das aulas presenciais. “Não tivemos muitas opções, porque foi uma situação que veio de uma hora para outra e ninguém imaginava que se estenderia por tanto tempo”, comenta.

A empresa ficou por um longo período com todo o estoque de uniformes guardado, sem perspectiva de saída imediata. Para manter a operação sem perspectiva de lucro, a marca precisou diversificar seu portfólio temporariamente. A principal estratégia foi migrar para a produção de uniformes para empresas. Esse movimento serviu apenas para manter a estrutura e o quadro de funcionários. “Ninguém foi demitido, essa era a nossa meta, então deu certo”, destaca Edilaine, afirmando que, entre os colaboradores, muitos já têm mais de 15 anos de casa.

Atualmente, a empresa vê o mercado em plena recuperação, notando que a busca por colégios particulares em Porto Alegre é uma prioridade para as famílias, o que tem gerado um crescimento constante na demanda pós-pandemia.

“A gente observa um aumento expressivo na busca por educação particular. Acho que aqui na Capital é uma tendência, é quase que uma prioridade das famílias.”

Tecnologia gaúcha moderniza o transporte escolar

Plataforma integra Waze e inteligência artificial para organizar rotas, reduzir erros e dar mais segurança a pais e motoristas
Todos os dias, milhares de estudantes partem do portão de suas residências em direção à escola. Alguns vão caminhando, outros pegam uma carona com os pais, e há aqueles que utilizam o transporte escolar privado, como as vans e os ônibus. Esse último grupo foi responsável pelo market gap que gerou o aplicativo VanEscola, que possibilita que os pais acompanhem a localização dos filhos em tempo real.
Atentos à demanda de mercado e já familiarizados com o segmento de rastreamento veicular, os sócios Ricardo Silveira e Filipe Borges idealizaram a plataforma em 2017. A iniciativa foi pensada para automatizar a gestão do transporte escolar, desfazendo a burocracia das listas de papel enfrentadas pelos motoristas e oferecendo uma viagem segura, de forma que os pais se sintam despreocupados acerca do destino dos filhos. "Chegamos à conclusão de que os motoristas precisavam de ajuda para que os pais pudessem acompanhar a rota, receber notificações de embarque, desembarque e aproximação. Hoje, ajudamos em toda a automatização do fluxo, desde a geração de contratos e cobranças até a execução das rotas. Antes, o motorista das antigas andava com um papelzinho: primeiro o João, depois a Maria, depois a Débora. Agora, essa lista está no aplicativo, integrado ao Waze. Os pais acompanham tudo em tempo real e, quando entra um aluno novo ou muda o motorista, basta clicar no nome para o Waze abrir o próximo endereço. Com o tempo, como a rota se repete, o motorista nem precisa mais usar essa função, mas ela é muito útil em trocas de motorista, quando alguém fica doente ou no início do semestre, com novos alunos e novas rotas", explica Ricardo sobre o serviço que abrange desde o pequeno motorista até o proprietário de frotas.
Quem se torna cliente da solução é o motorista. Os pais são cadastrados posteriormente pelo transportador escolar e podem desfrutar dos benefícios do aplicativo gratuitamente. "A gente não atinge os pais diretamente. O motorista envia um link de cadastro, como se fosse uma matrícula escolar. O pai preenche os dados dele e do filho, e o dono do transporte aceita essa matrícula. A partir disso, é gerado um contrato, que vai para assinatura digital. Depois de assinado, o sistema gera as cobranças e o aluno já entra na rota, conforme o turno contratado", comenta o empreendedor sobre o processo que garante a implementação do serviço sem custos, cobrando apenas após o sistema estar em funcionamento, demandando um ticket médio que gira em torno de R$ 50,00, variando de acordo com o plano escolhido.
Em setembro de 2025, a empresa deu um grande passo no mercado, adquirindo a operação da sua principal concorrente, a ViaVan. O aplicativo possui propósito parecido e por isso é mantido, embora o foco, nesse aspecto, ainda seja migrar os antigos usuários da plataforma para o VanEscola.
O VanEscola está em todo território nacional. Em Porto Alegre, o aplicativo ainda não possui tanta adesão. Segundo Ricardo, a baixa procura se deve a uma característica de mercado específica presente em Porto Alegre. "A maior parte dos nossos clientes não está aqui. A concorrência é menor, e as vans costumam trabalhar com escolas específicas e a clientela acaba ficando garantida. Sem essa disputa, muitas vezes não há estímulo para melhorar o serviço", aponta o sócio, que vê uma disparidade de usuários nos grandes centros, como no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde o mercado é mais competitivo e intenso. "Se o lugar tem mais concorrência, o motorista encontra na tecnologia uma vantagem competitiva para se diferenciar do colega do lado", conclui Ricardo. Atualmente, o VanEscola conta com mais de 400 motoristas com contrato vigente, cerca de 11 mil responsáveis cadastrados na plataforma e já atendeu mais de 20 mil estudantes desde a criação.
Com a chegada do ano letivo, a procura pelo aplicativo cresce exponencialmente — o mesmo acontece no período das férias de inverno —, e Ricardo sabe muito bem o que fazer nesses momentos de alta demanda. "Nas férias escolares, o motorista tem mais tempo para se preparar e buscar melhorias de processo, e é quando nosso fluxo aumenta. Do nosso lado, a gente automatiza cada vez mais para conseguir atendê-los", diz.
Nessa correria, alguns problemas surgem, como é o caso de informações incorretas durante o cadastro. Para driblar esses reveses, o empreendedor garante que novas funcionalidades estão sendo desenvolvidas para melhorar o aplicativo. "Um dos principais problemas é quando alguma informação é preenchida errada no cadastro e isso se propaga até o contrato ou a cobrança. Para evitar esse erro lá na frente, usamos IA para detectar inconsistências e gerar alertas logo no início do processo", afirma Ricardo, deixando claro que a missão do VanEscola é "apoiar o transportador escolar em todos os aspectos".